sexta-feira, 3 de julho de 2015

CARIDADE


CARIDADE

 

“Eu sou o caminho, da verdade e da vida”. (João, Cap. 14:6).                                  

“Levanta-te, carrega com o teu leito e vai para casa”. (Mateus, Cap. 9:6).

“Toma teu leito e anda” (João Cap. 5-11).

“A toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade”. (Newton, 3ª Lei).

 

Quando os Espíritos que assistiam Kardec foram perguntados sobre onde estaria registrada a Lei de Deus, responderam: “Na consciência.” (Resposta à Perg. 621). Como nos informa Pietro Ubaldi em seu livro “A Grande Síntese”, a Lei é Deus.  Prevê Ela todas as situações possíveis e imagináveis que são típicas de nosso universo finito. Um de seus fundamentos básicos é a lei de Ação e Reação, da qual nenhum Espírito pode escapar e que se aplica, tanto no mundo físico como no espiritual.

 

No “O Livro dos Espíritos”, pergunta 886, Kardec questionou os Espíritos sobre  a caridade:

Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade, tal como Jesus a entendia?

“Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.”

Benevolência significa a pratica do bem, somatório de bondade, verdade e beleza e indulgência, tolerância e não julgamento.

Perdão das ofensas é inclusive esquecimento.

 

Devemos todos entender, portanto, que todos nós, estamos, vivendo na presente encarnação, os efeitos do que fizemos ou deixamos de fazer nas encarnações anteriores. Tais efeitos são justos e não podem ser atribuídos à Deus como castigos.  Eles existem para nos chamar a atenção para a necessidade de compreendê-los e, numa etapa seguinte desse processo de raciocínio, identificarmos as causas que nos levaram às tais situações.  Identificadas tais causas, já nos colocamos em condições de transformá-las, eliminando assim, o consequente efeito.  O que fica claro é que só os próprios criadores das causas, têm condições de transformar os seus efeitos.  Todos nós, podemos e devemos nos ajudar mutuamente nesse processo transformador, mas o sucesso desse empreendimento só será obtido se o beneficiário dessa ajuda quiser recebe-la e, através dela ser induzido a corrigir-se/transformar-se, eliminando assim o motivo que deu origem à dificuldade ou sofrimento. Resumo: Ninguém transforma ninguém.  Só o próprio se transforma.

 

Hermínio Miranda no livro “O Evangelho de Tomé” ao comentar o logion 51, aborda esse tema de uma forma mais profunda, ao nos dizer:

“O ser traz, em germe, toda a sua potencialidade evolutiva, tanto quanto a intuição da meta a atingir, que se resume em seu retorno à luz, de onde saiu. Esse modelo ou projeto preexiste à manifestação do ser na carne e seria, na terminologia gnóstica, a imagem que nos cabe traduzir em realidade......... Os caminhos a percorrer, o ritmo a imprimir ao processo, as opções a fazer e as responsabilidades a assumir constituem decisão pessoal de cada um, deixada ao sabor de seu livre-arbítrio.” (grifo nosso)

No logion 22 do mesmo livro, encontramos a seguinte passagem:

O conhecimento (gnosis) “tem que suscitar na intimidade do ser as modificações sem as quais não se conquista o estado de espírito caracterizado como Reino dos Céus,........ “.(grifo nosso)

 

A grande questão é, pois, como praticar a caridade sem assumirmos, como nossa, a caminhada do próximo?

 

O primeiro impulso, quando nos motivamos a praticá-la, é assumir o problema do outro.  Tal problema passa a ser “nosso problema”.  Acreditamos que, ao assumi-lo e resolvê-lo estaremos eliminando tal dificuldade da vida do outro.  Ledo engano, o problema do outro só será resolvido quando ele próprio descobrir as causas das dificuldades e revertê-las/transforma-las. O fato de ajudarmos algum irmão, somente, através do fornecimento de bens materiais, não é a caridade verdadeira.  Assim o será se induzirmos esse irmão, a encontrar, ele próprio, com a nossa ajuda através da transmissão dos ensinamentos do Evangelho de Jesus, a solução para a suas dificuldades materiais ou espirituais.   

 

Nossa ajuda é necessária e fundamental.  Devemos, no entanto, estar alertas para que não nos tornemos os responsáveis pela solução do problema, que não é nosso.  Essa ajuda tem que ser no sentido de orientá-lo para que, ele mesmo, descubra a razão da dificuldade e o que deve ser feito para resolvê-la.  Ele deverá, sempre, estar presente, participando, contribuindo, absorvendo e implantando as soluções que estivermos juntamente desenvolvendo e sugerindo.   É necessário, portanto, comprometimento com metas claramente definidas.

 

Em Mateus 5:17, Jesus afirma que “Não julgueis que vim abolir a lei e os profetas.......”.  Ao curar, portanto, Ele o fez, sempre, seguindo os princípios da lei de Ação e Reação.  Exemplos dessas atuações estão quando recomendou à mulher adúltera “Não peques mais”, quando recomendou aos paralíticos que levassem a sua cama.  Em todos os casos de cura citados nos Evangelhos, o Cristo sabia que todos os beneficiados já tinham se transformado - pré-requisito para recebimento da graça.

 

A lei é de Justiça, Amor e Caridade sendo que o Amor cobre uma multidão de pecados e isso quer dizer que aquele que era responsável por essa multidão de pecados já desenvolveu em si o Amor descolando-se da ignorância que o tinha levado cometer ditos “pecados”.

 

Vamos, portanto, deixar de nos considerarmos aqueles que vão solucionar os problemas e dificuldades de nossos irmãos. Vamos mudar agindo como indutores das soluções que eles mesmos desenvolverão para solucionar tais problemas e dificuldades e o melhor caminho são os ensinamentos de Jesus.

 

 

Francisco Fortes

21/Novembro/2014

31/Dezembro/2014

 

 

 

 

 

 

 

 

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