CARIDADE
“Eu
sou o caminho, da verdade e da vida”. (João, Cap. 14:6).
“Levanta-te,
carrega com o teu leito e vai para casa”. (Mateus, Cap. 9:6).
“Toma
teu leito e anda” (João Cap. 5-11).
“A
toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade”. (Newton, 3ª
Lei).
Quando
os Espíritos que assistiam Kardec foram perguntados sobre onde estaria
registrada a Lei de Deus, responderam: “Na consciência.” (Resposta à Perg.
621). Como nos informa Pietro Ubaldi em seu livro “A Grande Síntese”, a Lei é Deus. Prevê Ela todas as situações possíveis e imagináveis
que são típicas de nosso universo finito. Um de seus fundamentos básicos é a
lei de Ação e Reação, da qual nenhum Espírito pode escapar e que se aplica, tanto
no mundo físico como no espiritual.
No
“O Livro dos Espíritos”, pergunta 886, Kardec questionou os Espíritos sobre a caridade:
“Qual o verdadeiro sentido da palavra caridade,
tal como Jesus a entendia?
“Benevolência para com todos,
indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.”
Benevolência
significa a pratica do bem, somatório de bondade, verdade e beleza e indulgência, tolerância e não
julgamento.
Perdão das ofensas é
inclusive esquecimento.
Devemos
todos entender, portanto, que todos nós, estamos, vivendo na presente
encarnação, os efeitos do que fizemos ou deixamos de fazer nas encarnações
anteriores. Tais efeitos são justos e não podem ser atribuídos à Deus como
castigos. Eles existem para nos chamar a
atenção para a necessidade de compreendê-los e, numa etapa seguinte desse
processo de raciocínio, identificarmos as causas que nos levaram às tais
situações. Identificadas tais causas, já
nos colocamos em condições de transformá-las, eliminando assim, o consequente
efeito. O que fica claro é que só os
próprios criadores das causas, têm condições de transformar os seus
efeitos. Todos nós, podemos e devemos
nos ajudar mutuamente nesse processo transformador, mas o sucesso desse
empreendimento só será obtido se o beneficiário dessa ajuda quiser recebe-la e,
através dela ser induzido a corrigir-se/transformar-se, eliminando assim o
motivo que deu origem à dificuldade ou sofrimento. Resumo: Ninguém transforma
ninguém. Só o próprio se transforma.
Hermínio
Miranda no livro “O Evangelho de Tomé” ao comentar o logion 51, aborda esse tema de uma forma mais profunda, ao nos
dizer:
“O ser traz, em germe, toda a sua
potencialidade evolutiva, tanto quanto a intuição da meta a atingir, que se
resume em seu retorno à luz, de onde
saiu. Esse modelo ou projeto preexiste à manifestação do ser na carne e seria, na terminologia
gnóstica, a imagem que nos cabe
traduzir em realidade......... Os caminhos a percorrer, o ritmo a imprimir
ao processo, as opções a fazer e as responsabilidades a assumir constituem
decisão pessoal de cada um, deixada ao sabor de seu livre-arbítrio.”
(grifo nosso)
No
logion 22 do mesmo livro, encontramos
a seguinte passagem:
O
conhecimento (gnosis) “tem que suscitar na intimidade do ser as
modificações sem as quais não se conquista o estado de espírito caracterizado
como Reino dos Céus,........ “.(grifo nosso)
A grande
questão é, pois, como praticar a caridade sem assumirmos, como nossa, a
caminhada do próximo?
O primeiro
impulso, quando nos motivamos a praticá-la, é assumir o problema do outro. Tal problema passa a ser “nosso problema”. Acreditamos que, ao assumi-lo e resolvê-lo
estaremos eliminando tal dificuldade da vida do outro. Ledo engano, o problema do outro só será
resolvido quando ele próprio descobrir as causas das dificuldades e
revertê-las/transforma-las. O fato de ajudarmos algum irmão, somente, através
do fornecimento de bens materiais, não é a caridade verdadeira. Assim o será se induzirmos esse irmão, a
encontrar, ele próprio, com a nossa ajuda através da transmissão dos
ensinamentos do Evangelho de Jesus, a solução para a suas dificuldades materiais
ou espirituais.
Nossa
ajuda é necessária e fundamental.
Devemos, no entanto, estar alertas para que não nos tornemos os
responsáveis pela solução do problema, que não é nosso. Essa ajuda tem que ser no sentido de orientá-lo
para que, ele mesmo, descubra a razão da dificuldade e o que deve ser feito
para resolvê-la. Ele deverá, sempre,
estar presente, participando, contribuindo, absorvendo e implantando as
soluções que estivermos juntamente desenvolvendo e sugerindo. É necessário, portanto, comprometimento com
metas claramente definidas.
Em
Mateus 5:17, Jesus afirma que “Não
julgueis que vim abolir a lei e os profetas.......”. Ao curar, portanto, Ele o fez, sempre,
seguindo os princípios da lei de Ação e Reação.
Exemplos dessas atuações estão quando recomendou à mulher adúltera “Não peques mais”, quando recomendou aos
paralíticos que levassem a sua cama. Em todos os casos de cura citados nos
Evangelhos, o Cristo sabia que todos os beneficiados já tinham se transformado
- pré-requisito para recebimento da graça.
A
lei é de Justiça, Amor e Caridade sendo que o Amor cobre uma multidão de
pecados e isso quer dizer que aquele que era responsável por essa multidão de
pecados já desenvolveu em si o Amor descolando-se da ignorância que o tinha
levado cometer ditos “pecados”.
Vamos,
portanto, deixar de nos considerarmos aqueles que vão solucionar os problemas e
dificuldades de nossos irmãos. Vamos mudar agindo como indutores das soluções
que eles mesmos desenvolverão para solucionar tais problemas e dificuldades e o
melhor caminho são os ensinamentos de Jesus.
Francisco
Fortes
21/Novembro/2014
31/Dezembro/2014
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