terça-feira, 21 de julho de 2015

FLUIDO CÓSMICO UNIVERSAL


FLUIDO CÓSMICO UNIVERSAL




INTRODUÇÃO


A crença na existência do Fluido Cósmico Universal já era uma realidade entre os hindus há cerca de 10.000 anos.  A doutrina hinduísta já então estabelecia que do Deus Brahman derivam dois princípios; o Purusha, princípio espiritual (princípio inteligente – Espírito) e Prakriti, substância cósmica primordial (fluido cósmico universal – Matéria).  Prakriti, vista como a substância cósmica primordial de que evolui o Universo, não se compõe, em seu estado inicial, de partículas (átomos), mas somente depois que se assimila a Purusha (princípio inteligente, Espírito). Com este influxo ordenador do Espírito, passa assim a representar Prakriti a Criação, a natureza, os seres.” (O Livro dos Fluidos, pág. 73, pelos Espíritos de Eurípedes Barsanulfo, Ismael Alonso e Miguel de Alcântara, psicofonia de João Berbel).


No Tibete vemos o FCU, em suas várias manifestações, sendo utilizado pelas mentes altamente desenvolvidas dos Lamas para comunicação com a Espiritualidade Superior e para arte de curar.


Na escola de Menfis no Egito, Ptah era também, nos primórdios do Egito, chamado Senhor dos novos Espíritos manifestantes e totalidade do fluido primordial. Ptah era assim como aquilo que hoje se chama fluido cósmico universal, a sua origem ou força criadora.  Mas também era a consciência ou força que cria o duplo universo.” (Obra citada, pág. 101/102)


Na Grécia, o filósofo Aristóteles falava do éter como sendo matéria cósmica. 


“Em 1678 o físico holandês Christian Huygens (1629-1695) usou pela primeira vez na Física a palavra éter para nomear o espaço em que se movem as ondulações da luz, .......” (Obra citada, pág.34).


“Há muito feneceu na Ciência a época empírica dos fluidos etéreos. A linguagem agora é outra: elétrons, átomos, correntes, radiações.  Pode-se dizer, porém, que é um sentido só aparentemente contrário aos primitivos ensaios da ciência, que emergira de idéias sintéticas, macroscópicas, de um mundo fluídico sutil, e que agora, por outras vias e na ordem analítica e microcósmica, acaba por alcançar a mesma e cada vez mais evidente sutileza que houvera descartado em nome da objetividade na abordagem da matéria.” (Obra citada, pág. 47).


Em seu livro “Tao da Física”, na página 67, Fritjof Capra nos dá a visão mais atual da  ciência a respeito daquilo que chamamos matéria.  “Todas as partículas podem ser transmutadas em outras partículas; elas podem ser criadas da energia e podem desfazer-se em energia.  Nesse mundo, conceitos clássicos como “partículas elementares”, “substância material” ou “objeto isolado” perderam qualquer significado.  A totalidade do universo aparece-nos como uma tela dinâmica de padrões inseparáveis de energia”. 


Pelos comentários e transcrições acima fica claro que a idéia da existência de um veículo através do qual a Divindade exerce a sua força criadora no Universo é fato inquestionável, muito embora a ciência não tenha ainda podido comprovar a sua existência, mas isto é apenas uma questão de tempo.  Podemos, no entanto encontrar afirmações como a do físico alemão Max Planck, idealizador da Física Quântica, que nos diz o seguinte:  “Como físico e ainda homem que dedicou toda sua vida à ciência objetiva para perquirição sobre a matéria, posso sem dúvida não temer que me considerem um fanático.  Por isso posso livremente afirmar, após meus longos estudos sobre o átomo, que não existe nenhuma matéria em si mesma.  Toda a matéria tem origem e existe somente numa força, a qual faz oscilar as partículas atômicas e as mantém unidas ao microscópico sistema solar do átomo.  Já que, no entanto, no inteiro universo não se encontra nenhuma força inteligente, nem eterna, tal força jamais a humanidade a alcançou, ela cansativamente desejou descobrir o perpetuum móbile (moto perpétuo).  Assim, devemos admitir que por detrás dessa força existe um espírito consciente e inteligente.  Este espírito é preexistente à matéria.  Não é a matéria visível que forma a realidade, o verdadeiro, o concreto, mas sim é o espírito universal e imortal a verdadeira realidade.  A origem última de todas as coisas encontra-se no mundo parafísico.”  (Obra citada, pág.54).


Vejamos agora o que nos informa a Doutrina Espírita a respeito do Fluido Cósmico Universal:


LIVRO DOS ESPÍRITOS

Perg. 27.  Há dois elementos gerais do Universo: a matéria e o Espírito?

Sim e acima de tudo Deus, o criador, o pai de todas as coisas. Deus , espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe, a trindade universal. .......... Se o fluido universal fosse positivamente matéria, razão não haveria para que também o Espírito não o fosse. ........... Esse fluido universal, ou primitivo, ou elementar, sendo o agente de que o Espírito se utiliza, é o princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá.” (grifo nosso)


Perg. 27 a).  Esse fluido será o que designamos pelo nome de eletricidade?  “Dissemos que ele é suscetível de inúmeras combinações. O que chamais fluido elétrico, fluido magnético, são modificações do fluido universal, que não é, propriamente falando, senão matéria mais perfeita, mais sutil e que se pode considerar independente.” (grifo nosso)


Perg. 28.  Pois que o Espírito é, em si, alguma coisa, não seria mais exato e menos sujeito a confusão dar aos dois elementos gerais designações de –  matéria inerte e matéria inteligente?

 “As palavras pouco nos importam. ........................ “


 Um fato patente domina as hipóteses: vemos matéria destituída de inteligência e vemos um princípio inteligente que independe da matéria.  A origem e a conexão destas duas coisas nos são desconhecidas.  Se promanam ou não de uma só fonte; se há pontos de contacto entre ambas; se a inteligência tem existência própria, ou se é uma propriedade, um efeito; se é mesmo, conforme a opinião de alguns, uma emanação da Divindade, ignoramos. (grifo nosso)  Elas se nos mostram como sendo distintas; daí o considerarmo-las formando os princípios constitutivos do Universo.  Vemos acima de tudo isso uma inteligência que domina todas as outras, que as governa, que se distingue delas por atributos essenciais.  A essa inteligência suprema é que chamamos Deus.


Perg. 79.  Pois que há dois elementos gerais no Universo: o elemento inteligente e o elemento material (grifo nosso), poder-se-á dizer que os Espíritos são formados do elemento inteligente, como os corpos inertes o são do elemento material?  “Evidentemente. Os Espíritos são a individualização do princípio inteligente, como os corpos são a individualização do princípio material.  A época e o modo por que essa formação se operou é que são desconhecidos.”



A GÊNESE


Capítulo XI, item 6.  O princípio espiritual teria a sua origem no elemento cósmico universal?  Seria ele apenas uma transformação, um modo de existência desse elemento, como a luz, a eletricidade, o calor, etc?

Se fosse assim, o princípio espiritual sofreria as vicissitudes da matéria, ele se extinguiria pela desagregação, como o princípio vital; o ser inteligente teria apenas uma existência momentânea como a do corpo, e, ao morrer, retornaria ao nada, ou, o que é equivalente, ao todo universal; isto seria, em uma palavra, a sanção das doutrinas materialistas.


As propriedades sui generis que se reconhecem no princípio espiritual provam que ele tem existência própria, independente, uma vez que, se a sua origem estivesse na matéria, ele não teria essas propriedades.  Desde que a inteligência e o pensamento não podem ser atributos da matéria, chega-se a conclusão, partindo dos efeitos às causas, de que o elemento material e o elemento espiritual (grifo nosso) são os dois princípios que constituem o Universo.  O elemento espiritual individualizado constitui os seres chamados espíritos, assim como o elemento material individualizado constitui os diversos corpos, orgânicos e inorgânicos, da natureza.


Capítulo XI, item 7.  Admitindo-se o ser espiritual, e não podendo ele proceder da matéria, qual é a sua origem, o seu ponto de partida?

Aqui, os meios de investigação são absolutamente inexistentes, assim como em tudo o que diz respeito à origem das coisas.  O homem pode comprovar apenas o que existe, acerca de tudo o mais, ele só pode formular hipóteses; e, seja porque esse conhecimento ultrapasse o alcance da sua inteligência atual (grifo nosso), seja porque, para ele, presentemente, é inútil ou inconveniente possuí-lo, Deus não lho deu nem mesmo através da revelação.


Capítulo XIV, item 2.  Como já foi demonstrado, o fluido cósmico universal é a  matéria (grifo nosso) elementar primitiva, cujas modificações e transformações constituem a inumerável variedade dos corpos da natureza.


Capítulo XIV, item 5.  O ponto de partida do fluido universal é o grau de pureza absoluta, do qual nada pode nos dar idéia.  O ponto oposto é sua transformação em matéria tangível.  Entre esses dois extremos ocorrem inúmeras transformações, que se aproximam mais ou menos de um extremo ou do outro.  Os fluidos mais próximos da materialidade, por conseqüência os menos puros, compõem o que se pode chamar de atmosfera espiritual terrestre. .......................

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A classificação de fluidos espirituais não é rigorosamente exata, uma vez que, definitivamente, eles são sempre matéria mais ou menos quintessenciada.  De espiritual, realmente, só a alma ou princípio inteligente.



EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS


Primeira Parte, Capítulo I, Fluido Cósmico

PLASMA DIVINO – O fluido cósmico é o plasma divino, hausto do Criador ou força nervosa do Todo-Sábio. (grifo nosso)

Nesse elemento primordial, vibram e vivem constelações e sóis, mundos e seres, como peixes no oceano.


CO-CRIAÇÃO EM PLANO MAIOR – Nessa substância original, ao influxo do próprio Senhor Supremo, operam as Inteligências Divinas a Ele agregadas, em processo de comunhão indescritível, (grifo nosso) os grandes Devas da teologia hindu ou os Arcanjos da interpretação de variados templos religiosos, extraindo desse hálito espiritual (grifo nosso) os celeiros da energia com que constroem os sistemas da Imensidade, em serviço de Co-Criação em plano maior, de conformidade com os desígnios do Todo-Misericordioso, que faz deles agentes orientadores da criação Excelsa.


EMMANUEL


Capítulo XXXIII – ESPÍRITO E MATÉRIA.  Pergunta - Será lícito considerar-se espírito e matéria como dois estados alotrópicos(*) de um só elemento primordial, de maneira a obter-se a conciliação das duas escolas perpetuamente em luta, dualista e monista,  chegando-se a uma concepção unitária do Universo?


Resposta – É licito considerar-se espírito e matéria como estados diversos de uma essência imutável (grifo nosso), chegando-se dessa forma a estabelecer a unidade substancial do Universo.  Dentro, porém, desse monismo físico- psíquico,(grifo nosso) perfeitamente conciliável com a doutrina dualista, faz-se preciso considerar a matéria como estado negativo e o espírito como estado positivo dessa substância (grifo nosso).  O ponto de integração dos dois elementos estreitamente unidos em todos os planos de nosso relativo conhecimento, ainda não o encontramos.


A ciência terrena, no estudo das vibrações, chegará a conceber a unidade de todas as forças físicas e psíquicas do Universo (grifo nosso).  O homem, porém, terá sempre um limite nas suas investigações sobre a matéria e o movimento.  Esse limite é determinado por leis sábias e justas, mas, cientificamente poderemos classificar esse estado inibitório como oriundo da estrutura do seu olho e da insuficiência das suas faculdades sensoriais.



(*) alotrópico – Propriedade em virtude da qual um corpo simples pode apresentar-se em estados diversos, a cada um dos quais correspondem, propriedades químicas diferentes. (Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa de Caldas Aulete).



COMENTÁRIOS



Vimos pelas transcrições efetuadas na introdução, que o Fluido Cósmico Universal, já tinha a sua existência reconhecida em eras bem remotas de nossa civilização sendo que os dois princípios, espiritual e material, nele se entrelaçavam.   Vimos também que a ciência sem ainda comprovar a sua existência, caminha nessa direção.  Afirmações de cientistas como Max Planck comprovam essa nossa afirmativa.


Olhando o assunto sob o ponto de vista da Doutrina Espírita verificamos que no Livro dos Espíritos e na Gênese, o Fluido é apresentado de uma forma a levar a grande maioria dos estudiosos a qualificá-lo, exclusivamente, como de natureza material.


No Livro Evolução em Dois Mundos, André Luiz quando de sua definição do Fluido Cósmico Universal nos mostra, tal Fluido, como sendo material (plasma) e espiritual (hausto e força nervosa).


Já no Livro Emmanuel, Emmanuel é claro quando nos diz que “é lícito considerar-se espírito e matéria como estados diversos de uma essência imutável,.....” .  Com o passar do tempo, portanto, houve um melhor entendimento sobre o assunto.

 

 A ciência, no entanto, dentro de seu princípio de necessidade de experimentação e conseqüente comprovação dos vários fenômenos, continua no seu trabalho de identificação da matéria elementar.  A partir do século XIX, concentrou esforços de pesquisas sobre o assunto. Intensificou o estudo do átomo, do elétron e do núcleo.  Descobriu que o núcleo se dividia em dois outros elementos, o nêutron e o próton.  Indo mais adiante constatou que o próton ainda se dividia em quarks que por sua vez eram formados por preons e richons.  Descobriu que matéria é energia embora energia não seja só matéria.  Descobriu a teoria da relatividade e a quarta dimensão. Estabeleceu que a Física de Newton não se aplicava ao mundo microcósmico.  Nasceu a Física Quântica sem as certezas características da Física Newtoniana.  A Física Quântica não afirma, taxativamente, que determinado elemento estará em um determinado lugar num determinado momento.  Ela constata que, determinados fenômenos tem a probabilidade de acontecer, mas que podem, também, não acontecer.  O interessante é que existem fenômenos que não são palpáveis nem sequer visíveis.  Na maioria das vezes são os resultados de equações matemáticas, extremamente complexas.  Os resultados dessas equações são comprovados pelo resultado final que os elementos, sob análise, executam e pela energia que liberam.   Essa energia é cada vez mais forte na medida em que a matéria vai cada vez mais se rarefazendo.  A ciência está, portanto, caminhando do geral para o particular e tempo virá em que vai conseguir comprovar a existência dessa força que abraça todo o Universo.  Nesse momento descobrirá o espírito.  Sem dúvida, estará ela, então, constatando que essa mesma força transcende à nossa dimensão extrapolando-se a todas aquelas que existem e que ainda fogem ao nosso entendimento.


Mas que força ou elemento é esse? Ele é fluido, força, energia e quando sai de Deus é de uma pureza, potencialidade, complexidade e, ao mesmo tempo, simplicidade que não nos é possível aquilatar. Na medida em que vai sendo transformado pelas “Inteligências Divinas a Ele agregadas” (Evolução em Dois Mundos) vai tomando as diversas formas e condensações necessárias à criação Divina.  Portanto, o Fluido Cósmico Universal, se confunde com Deus, por ser criação de Seu pensamento e por estar Ele ínsito em todas as suas manifestações.



Grupo de Estudos Joanna de Angelis


A/c: Francisco Fortes

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