FLUIDO
CÓSMICO UNIVERSAL
INTRODUÇÃO
A
crença na existência do Fluido Cósmico Universal já era uma realidade entre os
hindus há cerca de 10.000 anos. A
doutrina hinduísta já então estabelecia que do Deus Brahman derivam dois
princípios; o Purusha, princípio
espiritual (princípio inteligente – Espírito) e Prakriti, substância cósmica primordial (fluido cósmico
universal – Matéria). “Prakriti, vista como a substância cósmica primordial de que
evolui o Universo, não se compõe, em seu estado inicial, de partículas (átomos), mas somente depois que se assimila a Purusha (princípio inteligente, Espírito). Com este influxo
ordenador do Espírito, passa assim a representar Prakriti a Criação, a natureza, os seres.” (O Livro dos Fluidos, pág. 73, pelos Espíritos de
Eurípedes Barsanulfo, Ismael Alonso e Miguel de Alcântara, psicofonia de João
Berbel).
No
Tibete vemos o FCU, em suas várias manifestações, sendo utilizado pelas mentes
altamente desenvolvidas dos Lamas para comunicação com a Espiritualidade
Superior e para arte de curar.
Na
escola de Menfis no Egito, “Ptah era também, nos primórdios do Egito, chamado Senhor dos novos
Espíritos manifestantes e totalidade do fluido primordial. Ptah era assim como aquilo que hoje se chama fluido
cósmico universal, a sua origem ou
força criadora. Mas também era a consciência ou força que cria o duplo universo.”
(Obra citada, pág. 101/102)
Na
Grécia, o filósofo Aristóteles falava do éter como sendo matéria cósmica.
“Em
1678 o físico holandês Christian Huygens (1629-1695) usou pela primeira vez na
Física a palavra éter para
nomear o espaço em que se movem as ondulações da luz, .......”
(Obra citada, pág.34).
“Há
muito feneceu na Ciência a época empírica dos fluidos etéreos. A linguagem agora é outra: elétrons, átomos,
correntes, radiações. Pode-se dizer,
porém, que é um sentido só aparentemente contrário aos primitivos ensaios da
ciência, que emergira de idéias sintéticas, macroscópicas, de um mundo fluídico
sutil, e que agora, por outras vias e na ordem analítica e microcósmica, acaba
por alcançar a mesma e cada vez mais evidente sutileza que houvera descartado
em nome da objetividade na abordagem da matéria.” (Obra citada, pág. 47).
Em
seu livro “Tao da Física”, na página 67, Fritjof Capra nos dá a visão mais
atual da ciência a respeito daquilo que
chamamos matéria. “Todas as
partículas podem ser transmutadas em outras partículas; elas podem ser criadas
da energia e podem desfazer-se em energia. Nesse
mundo, conceitos clássicos como “partículas elementares”, “substância material”
ou “objeto isolado” perderam qualquer significado. A totalidade do universo aparece-nos como uma
tela dinâmica de padrões inseparáveis de energia”.
Pelos
comentários e transcrições acima fica claro que a idéia da existência de um
veículo através do qual a Divindade exerce a sua força criadora no Universo é
fato inquestionável, muito embora a ciência não tenha ainda podido comprovar a
sua existência, mas isto é apenas uma questão de tempo. Podemos, no entanto encontrar afirmações como
a do físico alemão Max Planck, idealizador da Física Quântica, que nos diz o
seguinte: “Como físico e ainda homem
que dedicou toda sua vida à ciência objetiva para perquirição sobre a matéria,
posso sem dúvida não temer que me considerem um fanático. Por isso posso livremente afirmar, após meus
longos estudos sobre o átomo, que não existe nenhuma matéria em
si mesma. Toda a matéria tem origem e existe somente numa força, a qual faz
oscilar as partículas atômicas e as mantém unidas ao microscópico sistema solar
do átomo. Já que, no entanto, no inteiro
universo não se encontra nenhuma força inteligente, nem eterna, tal força
jamais a humanidade a alcançou, ela cansativamente desejou descobrir o perpetuum
móbile (moto perpétuo). Assim, devemos admitir que por detrás
dessa força existe um espírito consciente e inteligente. Este
espírito é preexistente à matéria. Não é
a matéria visível que forma a realidade, o verdadeiro, o concreto, mas sim é o
espírito universal e imortal a verdadeira realidade. A origem última de todas as coisas
encontra-se no mundo parafísico.” (Obra
citada, pág.54).
Vejamos
agora o que nos informa a Doutrina Espírita a respeito do Fluido Cósmico
Universal:
LIVRO
DOS ESPÍRITOS
Perg.
27. Há dois elementos gerais do Universo:
a matéria e o Espírito?
“
Sim e acima de tudo
Deus, o criador, o pai de todas as coisas. Deus , espírito e matéria constituem
o princípio de tudo o que existe, a trindade universal. .......... Se o
fluido universal fosse positivamente matéria, razão não haveria para que também
o Espírito não o fosse. ........... Esse
fluido universal, ou primitivo, ou elementar, sendo o agente de que o Espírito
se utiliza, é o princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de
divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá.” (grifo
nosso)
Perg.
27 a ). Esse
fluido será o que designamos pelo nome de eletricidade? “Dissemos
que ele é suscetível de inúmeras combinações. O que chamais fluido elétrico,
fluido magnético, são modificações do fluido universal, que não é, propriamente
falando, senão matéria mais perfeita, mais sutil e que se pode considerar
independente.” (grifo nosso)
Perg.
28. Pois que o Espírito é, em si, alguma
coisa, não seria mais exato e menos sujeito a confusão dar aos dois elementos
gerais designações de – matéria
inerte e matéria inteligente?
“As
palavras pouco nos importam. ........................ “
Um fato patente
domina as hipóteses: vemos matéria destituída de inteligência e vemos um
princípio inteligente que independe da matéria.
A origem e a conexão destas duas coisas nos são desconhecidas. Se promanam ou não de uma só fonte; se há
pontos de contacto entre ambas; se a inteligência tem existência própria, ou se
é uma propriedade, um efeito; se é mesmo, conforme a opinião de alguns, uma
emanação da Divindade, ignoramos. (grifo nosso) Elas se nos mostram como sendo distintas;
daí o considerarmo-las formando os princípios constitutivos do Universo. Vemos acima de tudo isso uma inteligência que
domina todas as outras, que as governa, que se distingue delas por atributos
essenciais. A essa inteligência suprema
é que chamamos Deus.
Perg.
79. Pois que há dois elementos gerais no
Universo: o elemento inteligente e o elemento material (grifo
nosso), poder-se-á dizer que os Espíritos são formados do elemento inteligente,
como os corpos inertes o são do elemento material?
“Evidentemente. Os Espíritos são a individualização do princípio
inteligente, como os corpos são a individualização do princípio material. A época e o modo por que essa formação se
operou é que são desconhecidos.”
A GÊNESE
Capítulo
XI, item 6. O princípio espiritual teria a sua
origem no elemento cósmico universal?
Seria ele apenas uma transformação, um modo de existência desse elemento,
como a luz, a eletricidade, o calor, etc?
Se
fosse assim, o princípio espiritual sofreria as vicissitudes da matéria, ele se
extinguiria pela desagregação, como o princípio vital; o ser inteligente teria
apenas uma existência momentânea como a do corpo, e, ao morrer, retornaria ao
nada, ou, o que é equivalente, ao todo universal; isto seria, em uma palavra, a
sanção das doutrinas materialistas.
As
propriedades sui generis que se reconhecem no princípio espiritual
provam que ele tem existência própria, independente, uma vez que, se a sua
origem estivesse na matéria, ele não teria essas propriedades. Desde que a inteligência e o pensamento não
podem ser atributos da matéria, chega-se a conclusão, partindo dos efeitos às
causas, de que o elemento material e o elemento espiritual (grifo
nosso) são os dois princípios que constituem o Universo. O elemento espiritual individualizado
constitui os seres chamados espíritos, assim como o elemento material
individualizado constitui os diversos corpos, orgânicos e inorgânicos, da
natureza.
Capítulo
XI, item 7. Admitindo-se o ser espiritual, e não
podendo ele proceder da matéria, qual é a sua origem, o seu ponto de partida?
Aqui,
os meios de investigação são absolutamente inexistentes, assim como em tudo o
que diz respeito à origem das coisas. O
homem pode comprovar apenas o que existe, acerca de tudo o mais, ele só pode
formular hipóteses; e, seja porque esse conhecimento ultrapasse o alcance da
sua inteligência atual (grifo nosso), seja porque, para ele, presentemente,
é inútil ou inconveniente possuí-lo, Deus não lho deu nem mesmo através da
revelação.
Capítulo
XIV, item 2. Como já foi demonstrado, o fluido
cósmico universal é a matéria (grifo
nosso) elementar primitiva, cujas modificações e transformações constituem a
inumerável variedade dos corpos da natureza.
Capítulo
XIV, item 5. O ponto de partida do fluido
universal é o grau de pureza absoluta, do qual nada pode nos dar idéia. O ponto oposto é sua transformação em matéria
tangível. Entre esses dois extremos
ocorrem inúmeras transformações, que se aproximam mais ou menos de um extremo
ou do outro. Os fluidos mais próximos da
materialidade, por conseqüência os menos puros, compõem o que se pode chamar de
atmosfera espiritual terrestre. .......................
.........................................................................................................................
A
classificação de fluidos espirituais não é rigorosamente exata, uma vez
que, definitivamente, eles são sempre matéria mais ou menos
quintessenciada. De espiritual, realmente,
só a alma ou princípio inteligente.
EVOLUÇÃO EM DOIS
MUNDOS
Primeira
Parte, Capítulo I, Fluido Cósmico
PLASMA
DIVINO – O fluido cósmico é o plasma divino, hausto do Criador ou força
nervosa do Todo-Sábio. (grifo nosso)
Nesse
elemento primordial, vibram e vivem constelações e sóis, mundos e seres,
como peixes no oceano.
CO-CRIAÇÃO
EM PLANO MAIOR
– Nessa substância original, ao influxo do próprio Senhor Supremo, operam as
Inteligências Divinas a Ele agregadas, em processo de comunhão
indescritível, (grifo nosso) os grandes Devas da teologia hindu ou os
Arcanjos da interpretação de variados templos religiosos, extraindo desse hálito
espiritual (grifo nosso) os celeiros da energia com que constroem os
sistemas da Imensidade, em serviço de Co-Criação em plano maior, de
conformidade com os desígnios do Todo-Misericordioso, que faz deles agentes
orientadores da criação Excelsa.
EMMANUEL
Capítulo XXXIII – ESPÍRITO E MATÉRIA. Pergunta
- Será lícito considerar-se espírito e
matéria como dois estados alotrópicos(*) de um só elemento primordial, de
maneira a obter-se a conciliação das duas escolas perpetuamente em luta,
dualista e monista, chegando-se a uma
concepção unitária do Universo?
Resposta
– É licito considerar-se espírito e matéria como estados
diversos de uma essência imutável (grifo nosso), chegando-se dessa
forma a estabelecer a unidade substancial do Universo. Dentro, porém, desse monismo físico-
psíquico,(grifo nosso) perfeitamente conciliável com a doutrina dualista,
faz-se preciso considerar a matéria como estado negativo e o espírito como
estado positivo dessa substância (grifo nosso). O ponto de integração dos dois elementos
estreitamente unidos em todos os planos de nosso relativo conhecimento, ainda
não o encontramos.
A ciência terrena, no estudo das vibrações, chegará a
conceber a unidade de todas as forças físicas e psíquicas do Universo (grifo nosso). O homem, porém, terá sempre um limite nas
suas investigações sobre a matéria e o movimento. Esse limite é determinado por leis sábias e
justas, mas, cientificamente poderemos classificar esse estado inibitório como
oriundo da estrutura do seu olho e da insuficiência das suas faculdades
sensoriais.
(*) alotrópico – Propriedade em virtude da
qual um corpo simples pode apresentar-se em estados diversos, a cada um dos
quais correspondem, propriedades químicas diferentes. (Dicionário Contemporâneo
da Língua Portuguesa de Caldas Aulete).
COMENTÁRIOS
Vimos pelas transcrições efetuadas na introdução, que o
Fluido Cósmico Universal, já tinha a sua existência reconhecida em eras bem
remotas de nossa civilização sendo que os dois princípios, espiritual e
material, nele se entrelaçavam. Vimos
também que a ciência sem ainda comprovar a sua existência, caminha nessa
direção. Afirmações de cientistas como
Max Planck comprovam essa nossa afirmativa.
Olhando
o assunto sob o ponto de vista da Doutrina Espírita verificamos que no Livro
dos Espíritos e na Gênese, o Fluido é apresentado de uma forma a levar a grande
maioria dos estudiosos a qualificá-lo, exclusivamente, como de natureza
material.
No
Livro Evolução em Dois
Mundos , André Luiz quando de sua definição do Fluido Cósmico
Universal nos mostra, tal Fluido, como sendo material (plasma) e espiritual
(hausto e força nervosa).
Já
no Livro Emmanuel, Emmanuel é claro quando nos diz que “é lícito
considerar-se espírito e matéria como estados diversos de uma essência
imutável,.....” . Com o passar do
tempo, portanto, houve um melhor entendimento sobre o assunto.
A ciência, no entanto, dentro de seu princípio
de necessidade de experimentação e conseqüente comprovação dos vários
fenômenos, continua no seu trabalho de identificação da matéria elementar. A partir do século XIX, concentrou esforços
de pesquisas sobre o assunto. Intensificou o estudo do átomo, do elétron e do
núcleo. Descobriu que o núcleo se
dividia em dois outros elementos, o nêutron e o próton. Indo mais adiante constatou que o próton
ainda se dividia em quarks que por sua vez eram formados por preons e
richons. Descobriu que matéria é energia
embora energia não seja só matéria.
Descobriu a teoria da relatividade e a quarta dimensão. Estabeleceu que
a Física de Newton não se aplicava ao mundo microcósmico. Nasceu a Física Quântica sem as certezas
características da Física Newtoniana. A
Física Quântica não afirma, taxativamente, que determinado elemento estará em
um determinado lugar num determinado momento.
Ela constata que, determinados fenômenos tem a probabilidade de
acontecer, mas que podem, também, não acontecer. O interessante é que existem fenômenos que
não são palpáveis nem sequer visíveis.
Na maioria das vezes são os resultados de equações matemáticas,
extremamente complexas. Os resultados
dessas equações são comprovados pelo resultado final que os elementos, sob
análise, executam e pela energia que liberam.
Essa energia é cada vez mais forte na medida em que a matéria vai cada
vez mais se rarefazendo. A ciência está,
portanto, caminhando do geral para o particular e tempo virá em que vai
conseguir comprovar a existência dessa força que abraça todo o Universo. Nesse momento descobrirá o espírito. Sem dúvida, estará ela, então, constatando
que essa mesma força transcende à nossa dimensão extrapolando-se a todas aquelas
que existem e que ainda fogem ao nosso entendimento.
Mas
que força ou elemento é esse? Ele é fluido, força, energia e quando sai de Deus
é de uma pureza, potencialidade, complexidade e, ao mesmo tempo, simplicidade
que não nos é possível aquilatar. Na medida em que vai sendo transformado pelas
“Inteligências Divinas a Ele agregadas” (Evolução em Dois Mundos ) vai
tomando as diversas formas e condensações necessárias à criação Divina. Portanto, o Fluido Cósmico Universal, se
confunde com Deus, por ser criação de Seu pensamento e por estar Ele ínsito em
todas as suas manifestações.
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