sexta-feira, 3 de julho de 2015

SIM, SIM, NÃO, NÃO


“SIM, SIM, NÃO, NÃO.”

(“Mas seja o vosso falar, sim, sim, não,  não.”)

MATEUS, Capítulo 5:37

 

Somos seres criados por Deus a sua imagem e semelhança e consequentemente – Perfeitos e portadores de liberdade de escolha.  Como bem nos esclarece C.T. Pastorino no seu livro “Sabedoria do Evangelho”, Volume I, Capítulo “O Prólogo de Lucas”, no exercício dessa liberdade, optamos por nos afastar de Deus:

“Assim, a centelha divina, o “Raio de Luz”, afastando-se do Foco – não por distanciamento físico, mas – por abaixamento de suas vibrações, chegou ao ponto ínfimo de vibrações por segundo, caindo no frio da matéria (de 1 a 16 vibrações por segundo). Daí terá novamente que elevar sua frequência vibratória até o ponto de energia e, continuando sua elevação, até o espírito, e mais além ainda, onde nosso intelecto não alcança”.

Esse processo nos foi claramente exemplificado por Jesus através da parábola do “O Filho Pródigo”.

Nosso processo evolutivo, portanto, se constitui de um esforço hercúleo para realizarmos a nossa metanóia mediante o acesso, que a nossa consciência vai gradativamente tendo e percebendo, da existência da Lei de Deus, já  ínsita nessa mesma consciência. Esse é um processo de erros e acertos, recuos e avanços. Como dizia Léon Denis; “Para frente e para o alto”.

Quando chega o momento em que percebemos a nossa verdadeira realidade, isto é, que somos seres eternos, portadores de qualidades que são inerentes à nossa natureza de Filhos de Deus, que a perfeição já está em nós, que a atual encarnação é um átimo de “tempo” na nossa existência real atemporal, que somos iguais em função da nossa criação e filiação e que estamos retornando à Casa do Pai, passamos a entender, então, a afirmação de Jesus de que, “Eu sou o caminho da verdade e da vida”.

A partir desse momento, queremos mudar e passamos a desenvolver, em nós, um sentimento de tolerância total. Passamos a nos policiar para que só usemos palavras doces e amorosas, mesmo quando enfrentando situações que pedem atitudes mais firmes e decididas.  Quando elas são adotadas, muitas vezes, não são compreendidas por aqueles que caminham ao nosso lado alegando que abandonamos o amor.

Entre os vários ensinamentos que Jesus nos deixou, quando aqui esteve, foi o seu exemplo de atitudes enérgicas quando em presença de situações em que a demonstração do amor que ele pregava, tinha que ser expresso de uma forma diferente. Aliás, é isso que fazemos com nossos filhos quando os colocamos  de “castigo”.  Estamos assim procedendo porque não os amamos? Claro que não.  Foi assim que, em várias passagens de sua vida, Jesus demonstrou o seu amor.  Na passagem da expulsão dos comerciantes do Templo, foi assim quando recomendou à mulher adúltera “Vá e não peques mais”, foi assim quando, em outra passagem, alertou o paralítico que acabava de ser curado para que, “Vá e não peques mais para que coisa pior não te aconteça” e também quando enfrentou Espíritos possessos em Gerasa e fez com que eles entrassem numa manada de porcos que, logo a seguir, se lançou no precipício e finalmente, quando, energicamente expulsou o espírito obsessor de um menino. Ele sempre tomou esse tipo de atitude quando a necessidade se apresentava e nos recomendou que, “Mas seja o vosso falar: sim, sim, não, não”.

Quando chegamos a esse momento, já estamos despertos e como conhecedores do Evangelho de Jesus, temos a responsabilidade de fazermos esforços para refletirmos, em nossas atitudes, aqueles ensinamentos.  Tudo que fizermos tem que ser norteado pelo esforço do exercício pessoal e pela transmissão do Evangelho a todos aqueles que nos cercam. Na nossa casa e na casa de amigos, no nosso local de trabalho e na casa religiosa em que servimos temos que exemplificar e ser arautos do Evangelho de Jesus. 

Os judeus interpretam que o homem que cumpre a Lei de Deus é um homem Justo.  Não é ser piegas, não é ser extremamente tolerante consigo e com o próximo sob a interpretação de que “não posso ser sincero e dizer a verdade porque posso ser incompreendido pelo meu próximo”. Todos nós, por outro lado, temos que aceitar que ainda temos sérias dificuldades em deixar de fazer aquelas coisas negativas que aprendemos a fazer em nossas anteriores encarnações embora entendendo que sua transformação é imperiosa.

Pesquisando na internet encontramos no “site” da FEB (http://www.febnet.org.br), o artigo que reproduzimos no anexo que traz subsídios adicionais ao assunto que aqui tratamos.

 

Jesus em três de seus quatro Evangelhos, (Mt. 23,13-33, Mc. 12, 38-40, Lc.20,45-47), nos apresenta, aquilo que se denominou “Os Ais de Jesus” em número de nove, segundo ordenamento efetuado por C.T. Pastorino em seu livro “Sabedoria do Evangelho” Volume 5, páginas 43 a 49.  São eles os seguintes:

1º: Ai de vós Hipócritas.

2º: Ai de vós que fazeis prosélitos.

3º: Ai de vós guias cegos, ou seja, Diretores Espirituais incompetentes.

4º: Ai de vós que negligenciais o discernimento, a misericórdia e a

 fidelidade (fé).

 

5º: Ai de vós que tendes o zelo de limpar o exterior do copo e do prato e por dentro estais cheios de rapina e injustiça.

 

6º: Ai de vós que vos assemelhais, por fora, a sepulcros caiados de branco mas que, por dentro, estão cheios de ossos de mortos e de todas as impurezas.

 

7º: Ai de vós hipócritas que dizeis que, se tivesseis vivido no tempo dos nossos pais (profetas e justos), não terieis concordado com o assassínio deles.

 

8º: Ai de vós que sois orgulhosos e convencidos e fazeis questão dos primeiros lugares nas sinagogas e de serdes saudados por todos.

 

9º: Ai de vós que sobrecarregais a humanidade com fardos opressivos e obrigações insuportáveis, embora não queirais para si nenhum trabalho.

 

Embora nos enquadremos ainda, na fase evolutiva em que estamos,  nos nove “ais”, já somos seguidores de Jesus e temos, como tal, o compromisso de perseguir a gnose, para “que vosso amor cresça cada vez mais no pleno conhecimento e em todo o discernimento” (Paulo, Filipenses 1:9). Aí, então, nos habilitaremos a voltar mais rapidamente à Casa do Pai.

 

Francisco Fortes

31/Dezembro/2014

19/Março/2015

 

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