segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

A MORTE CEREBRAL E O DESENCARNE DO ESPÍRITO.


A MORTE CEREBRAL E O DESENCARNE DO ESPIRITO


Premissas básicas do presente estudo:  
1) O início e término de qualquer encarnação fazem parte do planejamento reencarnatório que o Espírito reencarnante negociou com a Espiritualidade Maior. (“O Livro dos Espíritos” Perguntas 258 e 262).
2)  A matéria não organiza mas é organizada pelo Espírito. Não tem vida própria, portanto.  Não existe matéria sem a presença de um Espírito. (Livro “Emmanuel” do próprio Capítulo XXV).
3)  O abandono do corpo físico pelo Espírito, se dá segundo o seu plano reencarnatório  e a sua vontade (consciente ou inconsciente)  e não por decisões alheias à esse plano e a essa vontade. (“O Livro dos Espíritos” Pergunta 258-a).  


A morte do corpo físico foi até recentemente, constatada e comprovada através da cessação das funções, circulatória e respiratória.

Com o desenvolvimento da técnica de transplante de órgãos e a necessidade desses órgãos serem retirados do corpo do doador ainda com suas funções preservadas, surgiu a necessidade de se definir um outro momento para a morte.  Foi então desenvolvida a idéia de que a morte se concretizava no momento em que as funções cerebrais parassem.  Foi então adotada a “morte encefálica”.

Desde o momento em que tal abordagem começou a ser usada, tem sido objeto de inúmeros questionamentos.  Os problemas se situam na impossibilidade de, cientificamente, se ter certeza de que a criatura está efetivamente morta já que o coração continua batendo.  Comprovando tal assertiva podemos mencionar os casos da mulher americana que deu à luz após ter sido constatado a sua morte cerebral (www.estadao.com.br/internacional/noticias/2005/ago/03/54.htm) e o de                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                              outra mulher que, com a concordância dos familiares, teve os aparelhos de sobrevivência, desligados após também ter sido decretada a sua morte cerebral.  Neste caso a mesma se recuperou totalmente após o desligamento.

Assim, “A morte, como elemento definidor do fim da pessoa, não pode ser explicada pela parada ou falência de um único órgão, por mais hierarquizado e indispensável que seja. É na extinção do complexo pessoal, apresentado por um conjunto, que não era constituído só de estruturas e funções, mas de uma representação inteira. O que morre é o conjunto que se associava para integração de uma personalidade.  Daí a necessidade de não se admitir em um único sistema o plano definidor da morte.
A Associação Médica Mundial, já em 1968, preocupada com o assunto, estabeleceu na Declaração de Sidney: “A dificuldade é que a morte cerebral é um processo gradual de nível celular, já que a capacidade dos tecidos de suportar a falta de oxigênio é variável. Sem dúvida, o interesse clínico não reside no estado de conservação dos tecidos isolados, e sim, no interesse da pessoa.  Esta conclusão tem que se basear no juízo clínico complementado por instrumentos auxiliares, dentre os quais é o eletrencefalógrafo o mais útil.  Em geral, nenhuma prova instrumental isolada é inteiramente satisfatória no estado atual da medicina, nem nenhum método técnico pode substituir o juízo global do médico.” (http://www.geocities.com/CollegePark/Union/6478/conceitomorte.html?200519)  do Dr. Genival Veloso de França , Ex-Professor de Medicina Legal na UFPB).

“Para que os órgãos vitais sejam adequados para transplantes, (...), eles devem ser órgãos vivos removidos de seres humanos vivos. Além disso, (...), as pessoas condenadas a morte como “cerebralmente mortas” não estão “com certeza mortas” mas, ao contrário, estão certamente vivas..
Então, a adesão às restrições estipuladas pelo Papa (João Paulo II) e as proibições impostas por Deus na Lei Moral Natural impedem o transplante de órgãos vitais não pareados, um ato que causa a morte do “doador” e que viola o quinto mandamento do Decálogo divino: “Não Matarás” (Deut.5:17)”. (www.providafamilia.org.br/doc.php?doc=doc6418). Aliás a nossa interpretação desse mandamento é muito conveniente, porque consideramos que ela só é valida entre os humanos não se aplicando ao nosso relacionamento com  demais seres vivos da natureza que continuam a ser mortos por todos nós. 

Do ponto de vista da Doutrina Espírita o fato de ser definida a morte pela cessação das atividades cerebrais não significa que o Espírito tenha necessariamente, se desprendido do corpo físico.  “Evidentemente que nenhum método diagnóstico utilizado pela medicina é capaz, até o momento, de precisar o instante em que o Espírito se desprendeu do corpo físico definitivamente. Os métodos de que dispomos nos informam que o cérebro está impossibilitado de expressar o Espírito, somente isso.
Conseqüentemente, do ponto de vista espiritual, tanto o corpo pode funcionar, tendo a desencarnação já se efetivado, quanto pode ocorrer a morte cerebral e o Espírito não ter ainda efetivado sua liberação total da carne.” (vide a seguir pergunta 156 do O Livro dos Espíritos)

“Pergunta 156. A separação definitiva da alma e do corpo pode ocorrer antes da cessação completa da vida orgânica? 
Na agonia, a alma, algumas vezes (grifo nosso), já tem deixado o corpo; nada mais há que a vida orgânica.  O homem já não tem consciência de si mesmo; entretanto, ainda lhe resta um sopro de vida orgânica.  O corpo é a máquina que o coração põe em movimento.  Existe, enquanto o coração faz circular nas veias o sangue, para o que não necessita da alma”. (Nota: Com relação a essa última frase, Emmanuel já nos esclarece na premissa 2 do preâmbulo do presente estudo; que quem dá vida organizada à matéria é o Espirito).

Como não temos, portanto conhecimento de qual é o momento do desprendimento do Espírito, concluímos que não podemos, como espíritas, aceitar que órgãos vitais sejam removidos do corpo físico antes que cessem as funções, respiratória e circulatória.  Isso inviabiliza os transplantes de alguns órgãos?  Certamente.  Não podemos, no entanto correr o risco de sermos agentes responsáveis pelo assassinato de qualquer pessoa. “Ninguém tem o direito, em hipótese alguma (grifo nosso), de atentar contra a vida de seu semelhante. É crime aos olhos de Deus, que traçou a vossa linha de conduta; neste caso, mais do que em qualquer outro, sois juízes em causa própria.” (Capítulo XII do O Evangelho segundo o Espiritismo, item 11, 2º parágrafo). Alguém poderá alegar que, de acordo com nossos conhecimentos atuais da medicina, não há hipótese daquele corpo readquirir a sua saúde.  Quem somos nós para ter tal certeza? No Evangelho Segundo o Espiritismo no Capítulo V, item 28, está um ensinamento taxativo de São Luís (1860) a respeito e que podemos aplicar à questão dos transplantes:
“É PERMITIDO ABREVIAR A VIDA DE UM DOENTE QUE SOFRE SEM ESPERANÇA DE CURA?  28.  Um homem está agonizante, passando por cruéis sofrimentos; sabe-se que seu estado é desesperador; é permitido diminuir-lhe alguns instantes de agonia abreviando o fim?
-Quem, no entanto, vos daria o direito de julgar antecipadamente os desígnios de Deus?  Não pode Ele levar um homem até a beira da sepultura para depois afastá-lo de lá a fim de fazê-lo voltar-se para si mesmo e levá-lo a outros pensamentos?  Em qualquer momento extremo em que um moribundo se encontre, ninguém (grifo nosso) pode dizer com certeza que a sua derradeira hora chegou.  A Ciência nunca se enganou em suas previsões?
Sei muito bem que há casos que se podem considerar, com razão, como desesperadores, mas, se não há nenhuma esperança fundada de um retorno definitivo à vida e a saúde, existem inumeráveis exemplos em que, no momento de exalar o último suspiro, o doente se reanima e recobra suas faculdades por alguns instantes.  Pois bem, esses momentos de auxílio divino que lhe são concedidos podem ser para ele da maior importância, visto que ignorais as reflexões que seu espírito pode fazer durante as convulsões da agonia, e quantos tormentos um minuto de arrependimento pode lhe poupar.
O materialista que só considera o corpo e não leva em conta a alma, não pode compreender essas coisas; mas o espírita, que sabe o que se passa além, do túmulo, conhece o quanto vale o último pensamento.  Amenizai os últimos sofrimentos o quanto puderdes, mas livrai-vos de abreviar a vida, nem que seja por um minuto, porque esse minuto pode evitar muitas lágrimas no futuro. (São Luiz. Paris, 1860).”
Se considerarmos que o momento da morte faz parte, sem dúvida, do planejamento reencarnatório do Espírito, a interferência de terceiros, nesse processo, é inaceitável. A remoção de órgãos para transplante quando o coração ainda funciona é, simplesmente, um assassinato. A remoção, por outro lado, daqueles órgãos que podem ser ainda usados para transplante, após a cessação de funcionamento do coração e dos pulmões, seria perfeitamente aceitável.  
   Acreditamos, no entanto, que a ciência irá desenvolver métodos que permitirão a recuperação de órgãos lesados sem a necessidade de transplantes.  A engenharia genética e a tecnologia de implantação de células tronco, são o caminho que já começa a ser usado para se atingir tal objetivo.

Francisco Fortes

Outubro 2005
Rev. Março 2015  

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

A PARÁBOLA DO FILHO PRÓDIGO


PARÁBOLA DO FILHO PRÓDIGO



Uma visão interpretativa mais profunda da parábola,

visando nos ajudar a esclarecer o seu real

 significado espiritual.



 “Prosseguiu (Jesus) dizendo: Um Homem tinha dois filhos. Disse o mais novo deles ao pai: Pai dá-me o quinhão dos bens que me toca. Ao que ele lhes repartiu os bens.

Passados poucos dias, o filho mais moço juntou tudo e partiu para uma terra longínqua.  Aí esbanjou a sua fortuna numa vida dissoluta.  Depois de tudo dissipado, sobreveio uma grande fome àquele país; e ele começou a sofrer necessidade.  Retirou-se então e pôs-se ao serviço de um dos cidadãos daquela terra.  Este o mandou para os seus campos guardar os porcos.  Ansiava ele por encher o estômago com as vagens que os porcos comiam, mas ninguém lhas dava.

Então entrou em si e disse: Quantos trabalhadores, em casa de meu pai, têm pão em abundância, e eu aqui morro de fome.  Levantar-me-ei e irei ter com meu pai, e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me tão somente como um dos teus trabalhadores.

Levantou-se, pois, e foi em busca de seu Pai.

O pai avistou-o de longe, e, movido de compaixão, correu-lhe ao encontro, lançou-se-lhe ao pescoço e beijou-o.  Disse-lhe o filho: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho. O pai, porém, ordenou a seus servos: Depressa, trazei a melhor veste e vesti-lha; ponde-lhe um anel no dedo e calçado nos pés. Buscai também o novilho gordo e carneai-o.  Comamos e celebremos um festim; porque este meu filho estava morto, e ressuscitou; andava perdido, e foi encontrado.

E começaram a celebrar o festim.

Entrementes, estava o filho mais velho no campo.  Quando voltou e se aproximou da casa, ouviu música e danças.  Chamou um dos criados e perguntou-lhe o que era aquilo.  Respondeu-lhe ele: Chegou teu irmão, e teu pai mandou carnear o novilho gordo; porque o recebeu são e salvo.  Indignou-se ele e não quis entrar.  Saiu então o pai e procurou persuadi-lo.  Ele, porém, respondeu ao pai:  Há tantos anos que te sirvo, e nunca transgredi nenhum mandamento teu; e nunca me deste um cabrito para eu me banquetear com os meus amigos.  Mas, logo que chegou esse teu filho, que dissipou os teus bens com meretrizes, lhe mandaste carnear o novilho gordo.

Meu filho, – tornou-lhe o pai - tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu.  Mas não podíamos deixar de celebrar um festim e alegrar-nos; porque este teu irmão estava morto e reviveu; andava perdido e foi encontrado”.

(Lc 15, 11-32 – Livro “Sabedoria das Parábolas” de Huberto Rodhen, páginas 21/27)

A parábola “O Filho Pródigo” é a nosso ver, a mais completa, instrutiva e a mais maravilhosa parábola que Jesus nos deixou.  Seu texto, lido e interpretado de forma literal, nos descreve uma situação trivial, que poderia nos levar, até a pensar, não ter sido ela transmitida por Jesus.  Se quando lida, no entanto, não só com os olhos físicos, mas com a mente espiritual, como o Filho pródigo o fez quando decidiu voltar à casa do Pai após ter avaliado a sua situação com os olhos espirituais, logo, de uma forma mais profunda e verdadeira, i. e., quando – Então, entrou em si - , a percepção que teremos da Parábola, nos trará um maior entendimento e por isso, uma significação muito mais abrangente e rica de seus ensinamentos.  Começamos, então, a intuir as respostas aos questionamentos de; qual é a nossa morada original? Porque de lá saímos? Para onde fomos e o que lá fizemos? Porque resolvemos voltar? Qual o caminho de volta?  Como será a nossa chegada ao lugar donde partimos e finalmente qual a influência do Tempo em todo este processo?.

 Clemente de Alexandria, um dos mais cultos padres que se dedicaram à interpretação dos ensinamentos de Jesus, nos ensina o seguinte:  “Sabendo que o Salvador não ensina nada de uma maneira meramente humana, não devemos ouvir seus pronunciamentos de forma carnal; mas com a devida investigação e inteligência , devemos buscar e aprender o significado deles” . (“Os ensinamentos de Jesus e a tradição esotérica cristã”, de Raul Branco , página 41).

Estamos aqui, portanto, num esforço para entender, com profundidade, as palavras e as razões que levaram o Filho pródigo a sair da Casa do Pai, qual o motivo das experiências por ele vividas e, mais tarde, o retorno à casa do Pai.  Vamos, então, preliminarmente, procurar entender quem realmente são os protagonistas da Parábola.



 O Homem/Pai é Deus, inteligência suprema, causa primária de todas as coisas e que é apresentado por Jesus como Pai.  Uma das maiores mensagens que Jesus nos trouxe, juntamente com a do Reino dos Céus, foi a apresentação de Deus, não mais como aquele da Bíblia, o senhor da guerra, ciumento, vingativo etc., mas, sim, como o Deus Amor, infinitamente bom e justo.  Nesse momento, Deus Espírito (João 4: 24), se apresenta como Pai.  “O pai representa aquele Genitor eterno e infinito do qual nascem o temporário e o finito. Ele é a Existência sem limite, sempre incognoscível e desconhecida, o inalterável, infinito, Todo-Eterno, Causa Sem-Causa, auto existente, o germe na raiz. Essa única Realidade Absoluta antecede toda existência manifestada; ela é a raiz Sem-raiz de tudo o que era, é e sempre será.”  (“A Sabedoria Oculta da Bíblia Sagrada” de Geoffrey Hodson, pag.130).



Os dois filhos. Sendo Deus o Criador e a essência de Tudo o que existe, os Espíritos são Sua criação. Foram todos criados à Sua imagem e Semelhança.  A sintonia dos dois filhos com o Pai, é perfeita.  Neste momento eles eram  um com o Pai no Reino dos Céus.



O Filho mais velho representa aquele filho que permaneceu sempre com o Pai ostentando o seu estado de perfeição original, pois nunca perdeu a consciência de sua unidade com a Divindade.  Os sentimentos negativos que lhe são atribuídos, “pode-se afirmar que a sugestão de ciúme na parábola, relativamente ao filho novo, não deve ser considerada seriamente.  Ela é provavelmente uma proteção ou véu que envolve as profundas ideias reveladas na alegoria ou mesmo uma determinação deliberada de afastar a mente para longe de tais seres e do poder conferido àqueles que estão capacitados a entrar  em contato com eles e a invocá-los para propósitos taumatúrgicos.” (“A Sabedoria Oculta da Bíblia Sagrada” de Geoffrey Hodson, pag.131/132).

  

O Filho mais novo, embora portador da perfeição original, perdeu  consciência de sua unidade com a Divindade ao afastar-se do Pai.  Tal distanciamento, acarretou a redução contínua e drástica de sua frequência vibratória e seu afastamento da Divindade, não do ponto de vista espacial mas vibracional. Esse afastamento implicou simultaneamente, no gradual esquecimento da perfeição que lhe era inerente e, adicionalmente, a sua saída do Reino de Deus e a sua entrada no universo finito, criado exclusivamente para atender a necessidade do tempo que esse viajor  necessitava. Na medida em que o afastamento vibratório ia se processando, o filho mais novo, ia esquecendo os atributos dos quais era portador inerentes a cada uma dessas faixas vibratórias. O afastamento não se processou, no entanto, de uma só vez.  O filho pródigo estacionou por algum tempo em cada uma dessas faixas e, enquanto nelas, estava consciente das perfeições inerentes a cada uma delas, exercitando-as consequentemente.  Esse processo se realizou em todas as diferentes faixas até que ele entrou na vibração da última faixa, a mais baixa, representada pelo reino mineral. A partir daí, tem início a viagem de volta através da reconquista gradativa de sua perfeição no universo finito criado por Jesus com as dimensões necessárias a essa trajetória ascensional.



A Herança.  A parte da herança que o Filho pródigo pediu ao Pai já lhe tinha sido dada originalmente, através da Centelha Divina que nos caracteriza como criação de Deus.  Perante o Pai todos somos iguais por sermos portadores da mesma Centelha Divina.



O Retorno.  No momento em que o Filho pródigo chegou ao reino mineral, a sua perfeição original estava totalmente esquecida.  Seu livre arbítrio inoperante. A Lei de Deus, no entanto, estabelece que é necessário fazer o caminho de volta, recuperando a consciência de tudo aquilo que tinha sido esquecido.  Para isso seu estágio no reino mineral é o início de  retorno  do Filho Pródigo à Casa do Pai.  Através da permanência nos três Reinos da Natureza (Mineral, Vegetal, Animal) e o Elemental, ele recupera parte significativa de sua memória da perfeição e se habilita a entrar no Reino Humano através do pleno exercício de seu Livro Arbítrio.  A partir, desse momento, a sua capacidade de escolher estará sempre presente ditando a presteza ou lerdeza do retorno á Casa do Pai. 



Conclusão. A Parábola “O Filho Pródigo” é a exemplificação, que Jesus nos deixou, do que vem a ser a nossa vilegiatura nesse nosso universo finito.  Ele define claramente, a nossa origem e o nosso destino estabelecendo, de uma forma cristalina, os meios pelos quais poderemos encurtar ou delongar nossa trajetória entre esses dois pontos.  A Lei de Deus é a Lei do equilíbrio perfeito que rege todos os universos.  Quando criamos o desequilíbrio a própria Lei já contém os códigos que disparam os mecanismos que nos induzem a restabelecer esse  equilíbrio,  através  dos  dois  caminhos que estão a nossa disposição e que podemos escolher, o  amor ou a dor. A escolha é, portanto, de cada um de nós.  Deus não tem pressa, pois, não está num Universo finito cuja característica maior é o tempo, mas sim  no Reino Eterno onde tudo É.





Francisco Fortes

Dezembro de 2016     

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017


 

Fé = Fide (lat.) = Fidelidade, Fiel a uma Crença, Confiança.



 Muitas das religiões, no mundo, baseiam-se nos fundamentos dos Velho e Novo Testamento. Quando tratam da interpretação do que seja Fé, recorrem, especialmente ao Evangelho de Mateus, Capítulo 17: 14-20 referenciando-se especialmente ao versículo 20, a seguir:

 Jesus respondeu-lhes: Por causa da fraqueza de vossa fé, pois em verdade vos digo; se tiverdes como um grão de mostarda, direis a esta montanha; transporta-te daqui para lá, e ela se transportará, e nada vos será impossível”. 

A a que Jesus se refere não é a incompleta e muitas vezes passageira e conveniente, que aparentamos ter quando atingidos por alguma dificuldade. A a que Ele se refere é aquela verdadeira - a fidelidade aos seus ensinamentos - através de sua prática no dia a dia.  É a fidelidade também, imprescindível a nossa transformação interior, caminho para a  eliminação da causa geradora do efeito.

A crença em milagres que muitos aceitam, é que, tendo-se fé, é possível conquistar os tais chamados milagres bastando para isso, pedir,  orar e aguardar o atendimento do solicitado. 

Pretendemos, através do presente estudo, questionar tal interpretação, alinhando para isso, nossos argumentos a respeito.  Como a nossa é raciocinada, listamos a seguir as crenças que fundamentam o nosso pensamento.

1 – (“Não penseis que vim abolir a Lei e os Profetas.  Não vim revoga-los, mas dar-lhes pleno cumprimento, porque em verdade vos digo que, até que passem o céu e a terra , não será omitido nem um só i, uma só vírgula da Lei, sem que tudo seja realizado.” Mateus, Capítulo V, Versículos 17-18.)  

2 – Somos Luz, Espíritos criados no Reino de Deus à sua imagem e semelhança, consequentemente – perfeitos. (‘’Creia que você é luz de Deus, criatura dotada de todos os recursos necessários a uma vida feliz e saudável”. (O Médico Jesus, Capítulo, “Quando a doença chegar” de José Carlos de Lucca.)

3 – Somos portadores da Centelha Divina que se encontra na Consciência do Espírito. (Vide a resposta a pergunta 621 do “O Livro dos Espíritos”) .

4 – Nosso périplo pelo universo em que habitamos, é consequência da escolha que fizemos pela dualidade, quando ainda no Reino de Deus.  “Somos seres eternos jornadeando em um mundo finito”.  (Huberto Rodhen).

5 – “Deus é soberanamente justo e bom” (parte da resposta à pergunta 13 do “o Livro dos Espíritos).    

6 – A Lei de Ação e Reação é integrante da Lei de Deus. (“A toda ação há sempre uma reação oposta de igual intensidade”. Terceira Lei de Newton).

7 – Como corolário dessa Lei, todas as situações de desventuras pelas quais passamos, durante a nossa jornada por esse universo de três dimensões, são criações nossas, são consequências das nossas ações e pensamentos, gerando automaticamente seus efeitos.

8 – De acordo com o que Jesus nos transmitiu através do Evangelista Mateus (“não será omitido nem um só i, uma só vírgula da Lei, sem que tudo seja realizado”. Item 1 acima.), para que possamos eliminar as consequências de nossos pensamentos e ações negativos, temos que, obrigatoriamente, transformá-los em positivos.  Para que isso possa ser feito é necessária a identificação da causa, para que ela possa ser aceita como real geradora do efeito, nos possibilitando, assim, perseverar em sua transformação. A meditação i.e., olhar para dentro de si mesmo, é o caminho para se atingir tal objetivo.   (“Não trate apenas dos sintomas, tentando eliminá-los sem que a causa da enfermidade seja também extinta.  A cura real somente acontece do interior para o exterior, do cerne para a forma transitória”. (O Médico Jesus, Capítulo Cura Real de José Carlos De Lucca)

9 - Dirão alguns:

“Eu conheço um caso em que o paciente foi a um lugar e, após um tratamento espiritual, foi curado, pelos dirigente daquela lugar”.  Isso é verdade. O beneficiado, no entanto, sem dúvida alguma, teve que cumprir a Lei i.e., identificou a causa geradora do problema e se transformou.

Dirão outros: 

“Eu conheço um caso  em que o paciente foi a um lugar e após inúmeras visitas e tratamentos espirituais, não ficou curado.”

Isso também é verdade.  O que ocorre é que o paciente não fez a sua parte, ou seja, não identificou a causa e não se transformou não tendo, assim, se habilitando a se curar. Outra situação, que pode ocorrer, é o paciente ter se curado espiritualmente mas o corpo físico estar tão debilitado que não há tempo para que a cura física se processe.

. É importante ficar claro que a cura física não é a mais importante mais sim a do corpo espiritual ou períspirito.  Poderá haver, assim:

a – cura do corpo espiritual com a cura do corpo físico.

b – cura do corpo espiritual sem cura do corpo físico atual, mas sim dos futuros corpos físicos.

c - falta de cura do corpo espiritual acarretando, automaticamente, a falta de cura do atual e dos futuros corpos físicos.



Francisco Fortes

Julho 2016  

DEUS É ETERNO


DEUS é ETERNO

·         DEUS é ETERNO. Ele não foi e não será. Ele É.



·         O Seu Reino, por consequência é ETERNO. Não há, nele, Espaço nem Tempo.



·         A organização e as normas (Lei) do Reino de Deus existem de toda a ETERNIDADE Tudo o que acontece nos universos onde o Espaço e Tempo são componentes a eles intrínsecos, são manifestações das possibilidades que já estão  identificadas e inseridas na Lei.



·         Como a Lei está na consciência do Espírito, TUDO o que cada Espírito vivencia sequencialmente, já está nele como possibilidade.



·         A “realidade” que ocorre em universos com Espaço e Tempo ocorre em momentos diversos e é a exteriorização de algo que já existia “oculto” na consciência de cada um dos Espíritos que neles estão encarnados. São necessários inúmeros AGORAS, sucessivos e progressivos, para que esses Espíritos se conscientizem que tais AGORAS já estavam em sua consciência como parte da Lei de Deus.



·         Como Deus é onisciente, a possibilidade de Espíritos por Ele criados na Eternidade, desejarem experenciar a Lei de Deus (que já existe em cada um), tal possibilidade já estava catalogada na própria Lei.



·         A reencarnação do Espírito no presente universo ou nos demais, tem por finalidade não só Ele se conscientizar de que a perfeição já está latente em si, como também tem a finalidade de fazê-lo transitar pelos diferentes caminhos que o levarão a tornar essa perfeição sua verdadeira realidade, possibilitando-o retornar a seu Reino de origem, já agora, novamente, um Ser Perfeito.



·         O processo de conscientização, pelo Espírito encarnado, funciona como um programa de computador.  Tal programa contém inúmeras variáveis que expressando o nosso comportamento definem consequentemente o resultado final do processo.  Cada vez que mudamos uma dessas variáveis estamos alterando o resultado final e fazendo com que esse novo resultado vá se aproximando, cada vez mais, do resultado final da equação da Perfeição. 



          21/08/2015

          26/02/2016

         Intermediário: Francisco Fortes. 

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

AS SETE ESFERAS DA TERRA


“AS SETE ESFERAS DA TERRA”













Se pararmos para pensar sobre o equilíbrio que encontramos no planeta Terra e no Universo, teremos que concordar que ele é o resultado de complexo sistema de infinitas equações matemáticas nos levando a juntar a nossa voz à do filósofo alemão Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716) quando disse que “Deus é o Geômetra onipotente para quem o mundo é imenso problema matemático”. No “O Livro dos Fluidos” (psicofonia de João Berbel) Eurípedes Barsanulfo, Ismael Alonso e Miguel de Alcântara nos dizem: “Ora, a sabedoria desse Deus matemático obviamente colocou tudo em leis, do mínimo fenômeno material ao mais grandioso ato humano, ambos com expressões matemáticas num gigante computador divino a que não temos acesso global, mas fragmentário”. Todos os  acontecimentos, se analisados cuidadosamente, nos demonstram essa verdade.







Vemos nos livros sagrados de todas as religiões, referências numéricas.  Alguns números, no entanto, são mencionados repetidamente em muitas delas.  O número 7 é um desses exemplos.  Assim vejamos:







·         Na Bíblia:

·         O sétimo dia no qual Deus descansou após o termino de sua obr

·         Aquele que matasse Caim seria vingado sete vezes.

·         Noé separou sete pares de animais vivos.

·         Por amor a Raquel, Jacó serviu sete anos a Labão e depois mais sete.

·         Os sonhos do Faraó egípcio incluíam sete vacas gordas, sete vacas magras,  sete espigas boas, sete espigas mirradas.



·         Na literatura judaica:

·         A viagem de Enoc ao sétimo céu.

·         Os sete céus.

·         Os sete olhos do Senhor percorrem a Terra.

·         Os sete meses, sete degraus, sete dias.



·         Em Atenas:

·         Sólon escreveu: Sete anos depois do primeiro sopro, o menino muda todos os dentes; fortificado por igual período, mostra os primeiros sinais viris.  Em um terceiro, seus membros crescem, a barba surge em seu rosto incerto.  Depois de um quarto período,  sua força e seu vigor alcançam o apogeu.(...) Quando Deus lhe concede dez vezes sete, o homem idoso se prepara para o céu.





·         No Evangelho:

·         Pedro: Quantas vezes devo perdoar a meu irmão? Até sete vezes?

·         Jesus: Setenta vezes sete.



·         No Apocalipse:

·         As sete Igrejas.

·         Os sete candelabros.

·         As sete estrelas.

·         Os sete selos.



·         No nosso dia/dia:

·         As sete maravilhas do mundo.



·         Os sete dias da semana.

·         As sete notas musicais.

·         A sétima arte.



No capítulo 4 do livro Sepher Yetzirah (Livro da Formação). Antiguíssima obra cabalística atribuída ao patriarca Abraham, se “esclarece a criação do Universo por analogia com as 22 letras do alfabeto hebraico” segundo o Glosário Teosófico de Helena Blavatsky.

No alfabeto judeu, as sete letras duplas, beit, guimel, daleth, caph, phei, reish, e tav, com uma duplicidade de pronúncia, aspiradas (com um ponto no centro) e não aspiradas (sem o ponto no centro), a saber, beit guimel, daleth, caph, phel, reish, e tav, servem como modelo de maciez e dureza, força e fraqueza” conforme a seguir:


“Pelas sete consoantes duplas, foram também designados sete mundos (...), sete céus, sete terras (provavelmente climas), sete mares (provavelmente em torno da Palestina), sete rios, sete desertos, sete dias da semana, sete semanas a contar da Páscoa até Pentecostes, há um ciclo de sete anos, sendo o sétimo o ano da libertação, e após sete anos de libertação vêm o jubileu.  Portanto, Deus ama o número sete sob todo o céu. (em toda a natureza). (Tradução comentada [Kalish, Kaplan, Lipner, Wynn Wescott] – site na Internet www.eon.com.br).





Vimos acima uma série de situações onde o número sete está presente.  Mas qual será a razão para essa preferência tão marcante.  Helena Blavatsky em seu “Glosário Teosófico” definindo o “Setenário”, nos esclarece o seguinte:

“É a base da ordem da natureza para o nosso universo.  Assim, há sete globos que constituem a Cadeia planetária (Lua, Marte, Sol, Vênus, Mercúrio, Saturno e Júpiter); sete Princípios que integram o homem (Espírito, Alma Espiritual, Mente ou Alma humana, Alma animal sede dos instintos, desejos e paixões, Prana (Vida), Corpo Astral  e o Corpo físico); sete Raças (Raça dos Deuses, Andróginos latentes, Lemuriana, Atlântica, Aria (atual) e as duas futuras que habitarão, a 6ª, na região que hoje é a América do Norte sendo sua conquista a clarividência astral e a 7ª na América do Sul com a aquisição do sétimo sentido, a clarividência mental.) sete sentidos (os dois últimos só serão adquiridos pelas duas próximas raças) (...)a ciência ocidental reconhece sete cores, sete sons (...) .



No livro “Cidade do Além” psicografia de Francisco C. Xavier, pelos Espíritos de André Luiz e Lucius, e no livro “As Sete Esferas da Terra” de Mario Frigéri, somos informados que é “o campo magnético da Terra dividido em sete esferas, seguindo a tradicional concepção dos sete céus(...)” (CA/68) conforme a seguir:

1ª Esfera – Crosta Terrestre.  Mundo de Provas e Expiações, por nós, sobejamente conhecido.

2ª Esfera – Umbral Grosso.

“(...) mais materializado, de regiões purgatoriais mais dolorosas (...)“  das quais informam ter poucas notícias. (CA/68)

3ª Esfera – Umbral Médio.

(...), onde os Espíritos do Bem localizam, com mais amplitude, sua assistência, e onde estão situadas as “Moradias”.” (CA/68)

4ª Esfera – Umbral.

Área  “de transição , abriga Espíritos necessitados de reencarnação.” (CA/69)  É onde se situa a cidade Nosso Lar.

5ª Esfera – Arte, Cultura e Ciência.

(...) um dos inúmeros ateneus do Universo, onde os espíritos libertos das últimas imperfeições, acendrados (purificados) pelos sofrimentos, remidos pelo escrupuloso cumprimento de deveres sociais e divinos, vêm retemperar as forças combalidas por prolongadas liças morais (...). É aqui, finalmente, que eles iniciam o estágio para desempenho de graves e meritórias missões – as de mensageiros celestiais.” (SET/61/62)

6ª Esfera – Amor Fraterno Universal.

“É, desse plano verdadeiramente sobreceleste que, sem dúvida, desceu o Mensageiro Asclépios, (...).  Pertence Asclépios (...) a comunidades redimidas do Plano dos Imortais, nas regiões mais elevadas da zona espiritual da Terra.  Vive muito acima de nossas noções de forma, em condições inapreciáveis à nossa atual conceituação da vida.  Já perdeu todo contato direto com a Crosta Terrestre e só poderia fazer-se sentir, por lá, através de enviados e missionários de grande poder.” (SET/64)

7ª Esfera – Diretrizes do Planeta.

“(...) é, certamente, onde o Cristo está entronizado, no seio de uma Humanidade cuja altitude evolutiva é por ora inconcebível  para nós.  E desse fulgente sólio (assento real, trono) de luz, governa esse maravilhoso Organismo de Esferas chamado Planeta Terra, que Ele mesmo criou, por determinação de Deus.” (SET/68)



Chamamos atenção para o fato de que as transcrições acima foram feitas dos dois livros mencionados.  A razão é que no livro “Cidade do Além” só constam esclarecimentos sobre as Esferas 2, 3 e 4. As Esferas 1, 5, 6 e 7 só são comentadas no livro “As Sete Esferas da Terra”. Da mesma forma a listagem das sete Esferas no livro “Cidade do Além” é diferente daquela listada no livro “As Sete Esferas da Terra”.  Nesse último as esferas Umbral Grosso e Umbral Médio são substituídas pelas esferas Abismo e Trevas, com a diferença fundamental que tais esferas se situam no interior da terra.  A nova relação  passa assim a ser a seguinte:



1ª Esfera – Abismo

2ª Esfera – Trevas

3ª Esfera – Crosta Terrestre

4ª Esfera – Umbral

5ª Esfera – Arte, Cultura e Ciência

6ª Esfera – Amor Fraterno Universal

7ª Esfera – Diretrizes do Planeta



A nova classificação tem por base o comentário que o Espírito Lísias fez a André Luiz  conforme transcrito no livro “Nosso Lar”:  “Naturalmente, como aconteceu a nós outros, você situou como região de existência, além da morte do corpo, apenas os círculos a se iniciarem da superfície do globo para cima, esquecido do nível para baixo.  A vida contudo, palpita na profundeza dos mares e no âmago da terra.  Além disso, há princípios de gravitação para o espírito, como se dá com os corpos materiais.”   Lísias comenta então o que vem a ser essas duas esferas:

Abismo e Trevas – “Qual acontece a nós outros, que trazemos em nosso íntimo o superior e o inferior, também o planeta traz em si expressões altas e baixas, com que corrige o culpado e dá passagem ao triunfador para vida eterna. (...) Quem estime viver exclusivamente nas sombras, embotará o sentido divino da direção.  Não será demais, portanto , que se precipite nas Trevas, porque o abismo atrai o abismo e cada um de nós chegará ao local para onde esteja dirigindo os próprios passos.” (NL/244/246)



È necessário entender algumas particularidades do mundo das Esferas:

·            As esferas são apresentadas à semelhança de globos que envolvem uns aos outros, os maiores englobando os menores – como se fossem bolas de pequenas proporções dentro de outras mais amplas.  E todos se interpenetrando segundo uma linha ascendente de evolução que tem origem no interior (ponto de menor evolução) e se projeta para a periferia (ponto de maior evolução).  Comparação bem singela seria com uma cebola: cada casca que a envolve representaria uma esfera.” CA/24)


·   “Cada divisão se subdivide em várias outras.” (NL). 



      Oswaldo Polidoro no seu estudo “Diagrama Celeste” afirma que as sete                  divisões principais se subdividem,  “de sete em sete, numa maravilhosa distribuição de moradas vibracionais, vai para cima de trinta mil....”

·         “As esferas espirituais se distinguem por vibrações distintas, que se apuram à medida que se afastam do núcleo”. (NL)

·         “(...) onde o Espírito estiver situado pela identidade vibratória, seja onde for neste vasto espaço magnético, sob seus pés terá terra firme e sobre sua cabeça céu aberto, já que seus sentidos não estarão aptos para perceberem as esferas que lhe estão acima.” (NL)

·         (...) os Espíritos que estão acima podem transitar pelas esferas que lhes estão abaixo, mas os Espíritos que estão nas esferas inferiores não podem, sozinhos, passar para esferas superiores.” (NL)

·         Católicos, protestantes e outros religiosos após a morte, não se tornam espíritas ou conhecedores da realidade ultra-tumular, ao revés, dão curso aos seus credos, reunindo-se em grupos e igrejas afins. (TE – baseado no livro “Loucuras e Obsessão” de Manoel Philomeno de Miranda)

·         Incapacitados de prosseguir, além túmulo, a caminho do Céu que não souberam conquistar, os filhos do desespero organizam-se em vastas colônias de ódio e miséria moral, disputando entre si a dominação da Terra. (TE – baseado no livro “Libertação” de André Luiz)





O corolário dos ensinamentos que acabamos de estudar é de que cada uma das inumeráveis esferas está situada em diferentes dimensões o que nos explica porque Espíritos de uma esfera não podem ver ou se comunicar com outros Espíritos situados em esferas superiores.





Francisco Fortes

13/junho/2005








O ESPÍRITO DE JESUS X A EVOLUÇÃO DE NOSSOS ESPÍRITOS



O ESPÍRITO DE JESUS X A EVOLUÇÃO DE NOSSOS ESPÍRITOS



Pergunta: “Será que o Espírito de Jesus percorreu a mesma trajetória evolutiva que  nós, Espíritos, estamos percorrendo, ou será que Jesus já era a exteriorização em Sua plenitude do Cristo Cósmico (3ª “pessoa” da Trindade) sem ter feito essa nossa trajetória?



Vejamos o que os estudiosos sobre as questões espirituais nos informam:



No Volume 1, página 11 e seguintes do livro “Sabedoria do Evangelho”, temos a transcrição do Capítulo primeiro do Evangelho de João:



  1. No princípio era o Verbo e o Verbo estava em Deus e o Verbo era Deus
  2. Ele(Verbo) estava no princípio em Deus.
  3. Todas as coisas foram feitas por ele(Verbo), e sem ele(Verbo) nada foi feito.
  4. O que foi feito nele (por ele)(Verbo) era a Vida e a Vida era a Luz dos homens;
  5. e a Luz resplandece nas trevas e as trevas não prevaleceram contra ela.

9. Havia a Luz Verdadeira que ilumina a todo o  homem  que vem ao

    mundo.

  10. Ele (Filho Unigênito) estava no mundo, e  o mundo  foi feito por

       ele (Filho Unigênito)  e o mundo não o conheceu.             

  11  Veio (Filho Unigênito) entre os seus, e os seus não o receberam.

  12. Mas deu o poder de tornar-se filhos de  Deus  a  todos  os  que  o

       receberam, aos que acreditaram em seu nome,

  13. que não nasceram nem no sangue, nem da vontade da carne, nem

       da vontade do Homem, mas de Deus.

  14. E o Verbo se fez carne e construiu seu tabernáculo  dentro de nós,

       cheio de graça e  Verdade, e nós contemplamos   sua glória, glória

       igual à do Filho Unigênito do Pai.



Na página 12 do mesmo livro encontramos o seguinte:



– “No princípio (e poderíamos dizer, desde o princípio sem princípio)........ Então, a primeira manifestação da DIVINDADE é a PALAVRA (em grego Logos , em latim Verbo),, ou seja, o PODER CRIADOR, o PAI.  Mas, toda palavra produz seu efeito,  toda criação produz o ser no qual o criador se transforma. (grifo nosso)  E isto está dito no versículo 14: ‘o Verbo se tornou carne’, isto é, produziu seu efeito, e apareceu o FILHO...................

“DEUS, o Absoluto, junto ao qual e no qual se encontrava a própria manifestação que é sua PALAVRA, e logo a seguir o efeito dessa palavra, o FILHO. Daí a concepção da Trindade como DEUS ou ESPÌRITO – o Verbo ou PAI – o FILHO ou CRISTO.”



Para facilitar a evolução do nosso raciocínio sobre o tema, é necessário termos em consta o registrado  no “Evangelho de João”, Capítulo 4:24:



“DEUS É ESPÍRITO, e em espírito e verdade é que o devem adorar os que o adoram”. (grifo nosso)



De uma forma esquemática podemos entender os ensinamentos do evangelista João da seguinte forma:



Absoluto/Essência/Divindade/Espírito = Deus

Deus = Inteligência Suprema/Divina

Inteligência Suprema/Divina à Pensamento

Pensamento à Verbo/Palavra/Som

Verbo/Palavra/Som = Pai

Pai à Creação Divina

Creação Divina à O Filho Unigênito

O Filho Unigênito = Cristo Cósmico  

Cristo Cósmico à Yaohshua (Jesus) (1) / YHWH (2)



...e no Volume 7, página 48:



“Voltando, porém, ao verdadeiro conceito da Trindade considerada em Seus três ASPECTOS (não três “pessoas” – embora nos primeiros tempos, a palavra “pessoa” em latim e “prósôpon” em grego, significassem realmente “aspectos”, “aparências”), e colocando a seqüência na ordem certa: (1) Espírito Santo; (2) Palavra Criadora, Som; (3) Cristo (Filho Unigênito), como representação de tudo o que existe espiritual e material (efeito do SOM que é a causa, e resultado da condensação da LUZ e do SOM incriados) – tudo se esclarece e explica com lógica irrespondível, de acordo com a verdade, isto é, com a verdade que pode ser atingida por nós atualmente.......



...e no Volume 4, página 50;



“O Cristo era o verdadeiro Eu Profundo de Jesus (como de todos nós) e o Cristo, com a renúncia e negação do eu de Jesus, pôde expandir-se e assumir totalmente o comando da personagem humana de Jesus (grifo nosso), sendo, às vezes, difícil distinguir quando falava e agia “Jesus” e quando agia e falava “o Cristo”. Por isso em vez de Jesus, temos nele O CRISTO (grifo nosso), e a história o reconhece como “Jesus”, O CRISTO, considerando-o como homem (Jesus) e Deus (Cristo).” 



No seu livro “Que vos Parece do Cristo”, Huberto Rohden no capítulo, “O que Paulo de Tarso Pensava do Cristo”, (pag.32) nos diz: “.... o Cristo cósmico, que estava na glória de Deus, ... não julgou dever aferrar-se a essa divina igualdade, mas esvaziou-se dos esplendores divinos e revestiu-se da natureza humana, tornando-se homem, servo, vítima, crucificado. (grifo nosso)



Nesse mesmo livro, à página 136 há a seguinte afirmação:

“A encarnação do Verbo, do Cristo cósmico, não foi um ato compulsório de reencarnação, mas uma decisão livre de avatar.  Quando alguém reencarna, obedece a uma lei de necessidade; quando o Cristo encarnou em Jesus, fê-lo por amor, na culminância da liberdade. (grifo nosso)



A seguir na página seguinte (137) Rohden afirma:

“Quando Jesus diz ‘ninguém vai ao Pai a não ser por mim’, refere-se ele ao Cristo cósmico, e não a seu Jesus humano.  O Cristo cósmico é único, pode ter-se homificado muitas vezes – talvez em Moisés, em Buda, em Krishna, em Gandhi, e em muitos outros seres humanos.”



(1)        No site:




Diz a mensagem de Yaohukhánan (corrompido como “João”) em seus primeiros versos: “No princípio era o Verbo. E o Verbo estava com ULHIM,  o Verbo era ULHIM”. (ULHIM=Ser Eterno Criador).

YAOHUSHUA (IAORRÚSHUA) é aqui apresentado de uma forma única, como o Verbo, e também apresentado como ULHIM (Ser Eterno Criador).  Note que as palavras corrompidas que introduziram ídolos mitológicos nas traduções foram aqui excluídas, para trazer de volta a verdade do texto original.  Então percebemos que YAOHUSHUA (IAORRÚSHUA), o Verbo, não só “estava com” ULHIM, mas que também era ULHIM.  Esta é uma das mais fortes evidências acerca de YAOHUSHUA (IAORRÚSHUA) ser Eterno, sem princípio e sem fim de dias, contudo há outras que apresentaremos.

Há alguns que interpretam a existência do Messias YAOHUSHUA (IAORRÚSHUA) como “semi-eterno”, se é que essa expressão possa fazer sentido.  Os argumentos em favor dessa teoria são de que YAOHUSHUA (IAORRÚSHUA) seria o Filho Unigênito de YAOHUM UL (IÁORRU UL), e que, assim sendo, ele teria início de dias, mesmo que não tenha fim de dias.  Esta teoria defende um início de existência do Messias, onde ele seria então “semi-eterno”, e não totalmente eterno como o Criador Pai.  Esta teoria é falha em um ponto bem relevante, qual seja:



  • “Todas as coisas foram feitas por meio dele, e sem ele, nada do que foi feito se fez”



As escrituras afirmam de forma inequívoca que nada foi criado sem que tenha sido por YAOHUSHUA (IAORRÚSHUA).  Se o Criador Pai, YAOHUM (IÀORRU), tivesse em algum momento “criado” YAOHUSHUA (IAORRÚSHUA), então certamente haveria algo que teria sido criado sem YAOHUSHUA (IAORRÚSHUA), e isso contraria frontalmente a palavra que diz que “sem ele NADA do que foi feito se fez”.  Todavia as coisas foram feitas por meio dele, e portanto, ele é anterior a qualquer criação, não sendo ele um ser criado, tendo existido no Pai eternamente, de eternidade a eternidade (grifo nosso).  YAOHUM UL (IÁORRU UL) não criou nada sem que fosse por intermédio de YAOHUSHUA (IAORRÚSHUA), sendo assim o Filho igualmente eterno como o Pai.  Se nada foi criado sem YAOHUSHUA ( IAORRÚSHUA), então ele não poderia ser um ser criado, pois nesse caso teria havido algo criado sem a participação de YAOHSHUA (IAORRÚSHUA).  Sem ele, nada do que foi feito se fez.”





(2)        No Vol. 5, página 61 do livro “Sabedoria do Evangelho” de C.T. Pastorino.



“Como fecho sublime do intróito, a frase lapidar: “ninguém jamais viu a Deus: O Filho Unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou.”  Na realidade, Deus, O Pensamento ou Mente Universal, é invisível: é uma Força, é a Vida, é o Amor, a Substância e a Essência de todas as coisas que existem.  Ninguém pode vê-lo no sentido do verbo grego oráo(...), ou seja, “contemplar com os olhos”.

O Filho Unigênito é o CRISTO, o terceiro aspecto da Divindade, o “produto do pensamento divino, que se encontra em todas as coisas”.  O evangelista (João) esclarece: “que está no seio do Pai”, o que é lógico: assim como o Pai (o Verbo) está com Deus, está em Deus e é Deus (João, vers.1, Capítulo 1), assim também o Filho (Cristo) está com o Pai, está no Pai, e é o Pai (cfr.: “eu e o Pai SOMOS UM”, João 10:30; e “Eu estou NO Pai e o Pai está EM mim”, João 14:11).  São apenas ASPECTOS (não “pessoas”) de UM SÒ DEUS, de UMA SÓ FORÇA CÓSMICA.”



No livro de Annie Besant, página 20, “A Sabedoria dos Upanixades” (Terceiro livro dos Vedas, que segundo o “Glosario Teosófico”, ‘destroe a ignorância produzindo assim a iluminação’) temos a seguinte explicação sobre o mantra AUM:



(A) ...o Brahman indiviso, ou o Tudo; depois (U) a manifestação mais sublime, que na verdade é o Brahman manifestando-se com atributos, o Saguna, o Isvara Supremo; em terceiro lugar (M), os Jivãtman, espalhados em todos os mundos em que existe consciência – e tudo é consciência – e depois o quarto, a manifestação que chamei de Prãnãtman, o eu vital, a consciência desperta comum do homem, das feras, das plantas, das pedras, na rocha, na roda dos nascimentos e das mortes, de tudo que existe.  Tudo isso é manifestação do Um e esta resumido no Um.......Esses três, resumidos em Um – o A, o U e o M, pronunciados como uma sílaba – são Brahman (grifo nosso).



Em seu livro “Cristo”, Capítulo 1, página 21, Pietro Ubaldi nos informa o  seguinte:

 “Pode-se, agora, compreender porque afirmamos aqui ser o Cristo realmente filho de Deus. Ele, como criatura do S, (Sistema), derivara da do Pai, era da mesma substância de Deus.  É assim que podemos dizer que Ele era a 3ª pessoa, pois era o 3º momento da Trindade. É deste modo admissível que Ele seja Deus, uno com o Pai, que é o Verbo criador, ao qual o Filho, como cada ser, deve a sua gênese.” 



Conclusão



A idéia de que Jesus exteriorizava O CRISTO, ou seja, o terceiro aspecto da Divindade, não pode ser, discutida. O que pode ser discutido é:  

a)     essa exteriorização do CRISTO era resultado de um processo evolutivo através do processo reencarnatório (não sendo relevante, no caso, em que lugares isso teria ocorrido) sendo tal processo igual ao nosso e que tem como resultado que, em um determinado momento, sejamos também nós, a exteriorização desse CRISTO, uma vez que TODOS temos a Centelha Divina - um dos três elementos integrantes de nossa individualidade?.

b)     ou se essa exteriorização, em Jesus, do CRISTO, era a encarnação naquele corpo físico do 3º aspecto da divindade, i.e., CRISTO?.



Para que possamos raciocinar a respeito desse tema é preciso que levemos em consideração que Deus é  eternidade.  Não podemos, portanto, trazê-Lo nem Sua creação para o nosso Mundo finito onde  espaço e  tempo são condições que condicionam todo o nosso pensamento e raciocínio.



Analisemos. Quando o PAI cria espíritos (princípios inteligentes) ELE o faz na Eternidade. Esses espíritos, dos quais faz parte integrante a Centelha Divina, em determinado momento perderam a consciência dessa realidade. Pela perda de sua vibração original, em conseqüência do afastamento de Deus, não espacial mas vibratório, mergulharam esses Seres eternos na matéria. Aí tem início o caminho de volta ao seio de Deus, conforme tão bem descrito na parábola do Filho Pródigo.



Esse mergulho na matéria implica na saída da eternidade para entrada em nosso mundo de quatro dimensões muito bem explicada por Pietro Ubaldi no Sistema e Anti-Sistema.  Aí podemos entender o processo evolutivo sendo realizado numa situação em que o tempo é ingrediente fundamental para retomada da consciência da realidade do Espírito.



Já verificamos, pelos ensinamentos do Evangelista João que, o terceiro aspecto da Divindade é o FILHO UNIGÊNITO ou o CRISTO CÓSMICO, ser eterno e indiviso de Deus.



Os processos de criação do planeta Terra (quiçá do nosso universo) e do envio da Luz que o iluminaria já estavam programadas, por Deus, desde toda a eternidade.  O executor dessas tarefas foi o CRISTO CÒSMICO.



Após a criação do planeta, o CRISTO CÒSMICO encarnou duas vezes na Atlântida sob os nomes de NUMU e JUNO e posteriormente na Índia como KRISHNA e BUDA e na Palestina como JESUS, conforme nos informa Edgard Armond em seu livro “Os Exilados de Capela”, Capítulo XV.  Em seu livro “O Problema do Ser, do Destino e da Dor”, Léon Denis, na página 285, (27ª Edição da FEB) afirma que “torna-se a encontrar Krishna no Cristo. C.T. Pastorino quando comenta, no Vol. 5 do livro “Sabedoria do Evangelho”, páginas 76 e 80, o versículo 5, do Capítulo 9 do Evangelho de João que nos diz; “cada vez que eu esteja no mundo, sou a luz do mundo” expressa o seu ponto de vista da seguinte forma; “Isso faz-nos perceber, irrecusavelmente, que aquela vez, narrada nos Evangelhos, não foi a única vez que Jesus esteve encarnado neste planeta.” O esclarecimento de Huberto Rohden anterioremnte citado neste trabalho, também afirma que Jesus foi a encarnação do Cristo Cósmico. Vemos assim que o CRISTO CÓSMICO, um ser eterno, encarnou no nosso mundo de quatro dimensões, diversas vezes,  quando isso foi necessário à evolução do orbe.

    

Outra pergunta a ser feita, dentro dessa linha de raciocínio, é:  Seria lógico pensarmos que a criação da Terra e a vinda a ela de um Espírito iluminado, pudessem ter ficado dependentes da criação de um Espírito e de sua respectiva evolução, evolução essa que estaria sujeita ao exercício do livre arbítrio desse Espírito, o que como conseqüência, ditaria  a época em que esses eventos aconteceriam?  A resposta é que realmente não seria lógico.



Por outro lado se admitimos que, foi através do Big-Ban, que se criou o nosso universo de quatro dimensões, antes desse evento só existia a eternidade.  Só um Espírito já existente nesse Reino de Deus teria condições de gerir todo esse processo de criação desse universo.



Vemos que o mais lógico é considerarmos que o Criador de nosso planeta foi o CRISTO CÒSMICO, FILHO UNIGÊNITO e terceiro aspecto da Divindade.  Esse raciocínio está de acordo com o que nos informa André Luiz no Capítulo I da Primeira Parte do livro “Evolução em Dois Mundos” quando abordando a “Co-Criação em Plano Maior” nos diz:  “Nessa substância original (Fluido Cósmico), ao influxo do próprio Senhor Supremo, operam as Inteligências Divinas a Ele agregadas, (grifo nosso) em processo de comunhão indescritível, os grandes Devas da teologia hindu ou os Arcanjos da interpretação de variados templos religiosos, extraindo desse hálito espiritual os celeiros da energia com que constroem os sistemas da Imensidade.......”.



Jesus é, portanto, a personagem na qual o CRISTO CÒSMICO encarnou, tanto que o nome de Jesus vem acompanhado do, O Cristo, para deixar claro essa realidade.



Essa abordagem não é original.  No Concílio de Calcedônia, no ano de 451DC, foi discutida e aprovada a União Hipostática do Cristo, conforme esclarecido abaixo:                

União Hipostática

Significa dizer, a perfeição na união das duas naturezas em uma só pessoa. A segunda pessoa da Trindade, o Cristo pré-encarnado tomou Ele mesmo a natureza humana ficando eterna e verdadeiramente a divindade e a humanidade unida em uma só pessoa.
Essas duas naturezas de Cristo são inseparavelmente unidas sem confundir ou requerer identidades separadas, tornando-se eternamente o Deus-homem. Completamente Deus e completamente homem. Duas naturezas distintas em uma só pessoa para sempre.
O termo hipostasia deriva de hipostasis que significa “o modo de ser pelo qual qualquer existência substancial recebe uma individualidade independente e distinta”. A expressão hipostasia é puramente teológica e se aplica apenas a Cristo em quem existe a união de duas naturezas. A história não registra nenhum outro exemplo de qualquer ser igual a Cristo. Ele é a incomparável pessoa teantrópica. Essa pessoa única com duas naturezas, sendo a revelação de Deus aos homens é a manifestação da humanidade ideal e perfeita.

Confirmando essa interpretação, Huberto Rohden, em seu livro “A Mensagem Viva do Cristo” na página 277, “Notas explicativas” ao Capítulo I do Evangelho de João, afirma:

“João não inicia o seu Evangelho com o nascimento da pessoa humana de Jesus, mas fala primeiro do Cristo cósmico, que em grego se chama Logos, em latim, Verbo.

O Cristo cósmico, o Logos, o Verbo, é a primeira e mais perfeita emanação individual da Divindade Universal.  É o Creador do Universo, o Deus imanante no mundo, antes da sua encarnação na pessoa humana de Jesus de Nazaré. (grifo nosso)

Este mesmo Cristo habita em cada homem, como diz o mesmo Evangelho: “Fez habitação em nós”.

Jesus chegou à perfeita conscientização do seu Cristo, cristificou-se a ponto de poder dizer: “Está consumado”.

Uma das objeções a aceitação dessa interpretação é a alegação de que se o Cristo Cósmico encarnou em Jesus, haveria necessidade que existissem muitos outros Cristos Cósmicos para encarnarem, nos vários espíritos criados por Deus.  Na realidade o Cristo que encarnou em Jesus e em todos nós, é uma emanação de Deus, manifestação de seu pensamento (O PAI). 

Adepto do mesmo entendimento, nosso companheiro de estudos do grupo GEJA, Milton Pinho, assim se expressou:

O Espírito de Jesus não percorreu a mesma trajetória evolutiva que nós espíritos estamos percorrendo. Porque? O mau entendimento está na confusão de 2 elementos distintos: Jesus e o Cristo.

Eis o que nos diz Rohden, no livro “Assim dizia o Mestre”, páginas 14 a 16:

“O Divino Logos”, ou Verbo, se uniu inseparavelmente ao humano Jesus, mas essa união não aniquilou a distinção entre os 2 elementos, divino e humano, o eterno Logos, depois de se unir a Jesus, filho de Maria, chama-se o UNGIDO, ou em grego, o CRISTÓS.

Nenhum homem que não receba essa mesma unção (“chrisma”) do Espírito de DEUS pode ir ao Pai.  Ninguém vai a Deus a não ser através da unção do Espírito de Deus.

A nossa natureza humana deve ser tão penetrada e permeada do espírito de Deus que possamos dizer com Jesus Cristo: EU E O PAI SOMOS UM.

Em Jesus de Nazaré encontrou o Divino Logos a mais perfeita expressão até hoje conhecida aqui na Terra, e por isso nós cultuamos o Cristo em Jesus como o apogeu das revelações da Divindade.

“Ninguém vem ao Pai a não ser por mim”

Abraão, Moisés, David e muitos outros foram ao Pai por meio do Cristo, muito antes que esse Cristo se tivesse revelado em Jesus.

A redenção vem do Cristo.  “Eu sei que meu redentor vive! – exclamou Jô, no meio dos seus sofrimentos, professando a fé no Cristo Redentor, milênios antes do nascimento de Jesus”.

No vol. 4, página 50, (Sabedoria do Evangelho), apesar da difícil distinção: quando falava e agia “JESUS”, e quando agia e falava “O Cristo”, ao reunir mais de cinco mil pessoas, era o Cristo que falava ao expandir-se e assumir totalmente o comando da personagem humana de Jesus. Não havia microfone e nem auto falante, e não consta que Jesus possuísse um “vozeirão” para que todos o escutassem...)

Para encerrar a presente opinião; está no volume 7, página 48, sobre o verdadeiro conceito da Trindade, considerada em seus 3 aspectos (não 3 pessoas), fica claro que estando o Cristo – filho unigênito – inserido na mesma Trindade e não diferenciado dos demais aspetos, seria ilógico que o Espírito de Jesus – Cristo Cósmico – teria percorrido a mesma trajetória evolutiva dos demais espíritos.

Tudo isso de acordo com a verdade que pode ser alcançada por nós atualmente ....(vamos ficar dentro do nosso universo de que tão pouco conhecemos).

Para finalizar, acreditamos que estamos, todos nós, necessitados de mais FÉ, como nos conclamava o Divino Mestre – livro “Assim dizia o Mestre”, paginas 203 a 206:

“Quem tem fé em mim, ainda que tenha morrido, viverá para sempre”.

Esse ter FÉ deve ser algo imensamente poderoso, uma vez que CREA vida eterna, para além de todas as vidas, mortes e sobrevivências temporárias.

Ter FÉ, na linguagem de Jesus, não é crer, é ter experiência vital de DEUS, é conhecer e compreender a Deus por meio de uma atitude de intuição ou vivência íntima, divina.

Viver eternamente, ser imortal, é, pois uma permanente atitude de conhecimento intuitivo, espiritual, na visão direta da suprema realidade.

Sendo que DEUS é imortal por sua íntima essência, o homem só terá imortalidade se se unir intimamente à “Imortalidade Universal de DEUS”.

“Unir” quer dizer tornar uno, ter a consciência vital de que nosso íntimo ser coincide com o Ser da divindade – “EU E O PAI SOMOS UM” – embora o nosso externo existir seja diferente de DEUS – “mas o PAI é maior que eu”.

Isso é ter fé no Cristo – saber que “já não sou eu que vivo, mas o Cristo que vive em mim.”



No ano 325 DC, realizou-se na cidade de Nicéia um grande Concílio. O objetivo do mesmo era definir qual a relação de Cristo com Deus.  Depois de inúmeras discussões o imperador Constantino conseguiu que fosse aprovado o “Credo de Nicéia”, pela maioria dos presentes com votos contrários de apenas três assistentes. Prevaleceu “a tese de que Jesus não era um homem que se elevou a Deus, mas um Deus que se fez homem.  Essa idéia dominante no Concílio de Nicéia permanece até os nossos dias sem nenhuma modificação.

Credo de Nicéia

“Cremos em um só Deus, Pai todo-poderoso, criador de todas as coisas visíveis e invisíveis.

E em um só Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, unigênito do Pai, isto é, da substância do Pai, Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado não criado, consubstancial (homoousios) ao Pai, por quem todas as coisas vieram à existência, tanto no Céu como na Terra, o qual, por nós homens e para nossa salvação, desceu do Céu e encarnou, fez-se homem, padeceu e ressurgiu de novo no terceiro dia, subiu ao Céu e virá julgar os vivos e os mortos. E no Espírito Santo.  Mas aqueles que dizem: ‘Houve um tempo em que ele não existia’ e ‘antes de nascer, ele não existia’ e que ele veio a existir a partir do nada, que afirmam que o Filho de Deus é uma realidade ou substância diferente (anomoios) ou que está sujeito a alteração ou mudança – esses são anatematizados pela Igreja Católica e Apostólica. (Livro “Christos” de José Carlos Leal, 1ª edição, página 320).



Francisco Fortes



13/06/2009

Rev. 22/06/2009

Rev. 06/07/2009

Rev. 23/09/2009

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