quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

LEI DE CAUSA E EFEITO


LEI  DE  CAUSA  E  EFEITO

              “À toda ação há sempre uma reação

   oposta de igual força e intensidade”.

                                                              (IIIª Lei de Newton)



Em 1687 Newton publicou o seu livro (Philosophiea Naturalis Principia Mathematica) no qual descreve a lei de gravitação universal e as três leis básicas da física newtoniana, o Princípio da inércia, o Princípio fundamental da dinâmica e o Princípio da ação e reação.  A terceira dessas Leis e suas implicações em nossa vida são o objeto do presente estudo.  Newton trouxe, então, para a matemática e a física, através do terceiro princípio, as normas da milenar Lei de talião (do latim lex talionis onde lex: lei e talio/talis: tal, idêntico) que, na Mesopotâmia, era aplicada no tratamento de temas cotidianos  abrangendo matérias de ordem civil, penal e administrativa e que se encontrava inserida nos códigos de Ur Nammu, cerca de 2050 a.C., no de Eshnunna, cerca de 1930 a.C.,  no código de Lipit-Ishtar e Isin, cerca de 1870 a.C. e no código de Hamurabi, cerca de 1700 a.C..  Segundo entendemos, todas essas leis foram criação do homem, consciente ou inconscientemente, sem duvida alguma mediante a intuição dos Espíritos superiores.



Se consultarmos a Bíblia, veremos nela também, a inclusão dos princípios dessa Lei de talião. Embora seja ela o receptáculo dos dez mandamentos e de inúmeras revelações de vários profetas, não podemos esquecer que parte dela teve como autor o próprio Moisés. (Vide Êxodo 28:40-43 onde se trata das Vestimentas Sacerdotais).



A Lei de talião prevalecia de forma rígida no relacionamento dos indivíduos.  Objetiva e sem recurso, seu acolhimento na Bíblia, pode ser constatado através das seguintes passagens; “....vida por vida, olho por olho, dente por dente, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe.”  (Bíblia, Êxodo 21:23-24). “Se um homem ferir um compatriota, desfigurando-o, como ele fez, assim se lhe fará: fratura por fratura, olho por olho, dente por dente. O dano que se causa a alguém, assim também se sofrerá: quem matar um animal deverá dar compensação por ele, e quem matar um homem deve morrer”. (Bíblia, Levítico 24:19-21).  A razão da aplicação da lei tinha por objetivo incutir o medo na população segundo o que podemos comprovar em Deuteronômio 19:19-21: “....Desse modo extirparás o mal de teu meio, para que o outros ouçam, fiquem com medo, e nunca mais tornem a praticar semelhante mal no meio de ti” . (grifo nosso)



Em 1857, com o advento da Doutrina Espírita, através da publicação do “O Livro dos Espíritos”, tomamos conhecimento do princípio de que todo efeito é resultado de uma causa anterior, ou seja, tudo de bom ou de mal que fizermos disparará um efeito contrário, ou bom ou mal. Se os agentes responsáveis pela causa se mantiverem inertes na mesma posição o efeito será inexorável.  No livro “Dicionário de Filosofia Espírita” de L. Palhano Jr. há a seguinte definição para: “CAUSA E EFEITO (Lei de).  È a lei segundo a qual todas as ações humanas provocam um efeito correlato; se uma ação é boa os resultados serão favoráveis ao autor; se é má, o autor auferirá efeitos desfavoráveis e importunos.  Essa lei está diretamente relacionada com a justiça de Deus que proporciona sempre o que se diz no axioma: a cada um segundo as suas obras”    Isso é, sem dúvida, o princípio da IIIª Lei de Newton.  Tal resultado só será inexorável, no entanto, se nos tivermos mantido no mesmo estado de consciência que ostentávamos por ocasião da geração da causa. Se esse não for o caso, i. e., se nosso estado de consciência estiver num patamar mais evoluído, estaremos desconectados daquela causa anterior já que  o  objetivo de nos despertar e transformar foi conquistado. Pedro em sua primeira carta Capítulo 4 versículo 8 nos confirma esse entendimento: “.....o amor cobre uma multidão de pecados.”  Tudo em nosso universo é energia. Nossas ações e pensamentos são energias e se expressam por ondas de diferentes frequências vibratórias.  O que acabamos de esclarecer é que quando nossas atitudes se expressarem em vibrações de frequências muito baixas, elas irão ferir ou prejudicar aqueles irmãos a quem forem direcionadas desde que eles estejam na nossa mesma frequência, e a reação de retorno estará, também, na mesma frequência vibratória. Por outro lado, se a frequência vibratória, daqueles que queremos atingir, for superior a nossa não haverá como nos conectarmos com eles e não serão então, atingidos por nosso objetivo negativo/maldoso.  Se por outro lado enviarmos vibrações mais elevadas a irmãos que estejam vibrando em faixas inferiores, tais irmãos as receberão como indutoras de sua transformação. 

          

É necessário entendermos que o motivo que nos leva a ter que enfrentar as inúmeras dificuldades em nossas diferentes reencarnações, é a nossa ignorância relativa quanto à consciência da nossa verdadeira realidade de que somos filhos de Deus e que nossa criação foi perfeita.  Não entendemos o que significa a afirmação de Jesus: “vós sois luz”.  Acreditamos que temos que buscar a felicidade, o amor e a perfeição fora de nós, quando, na realidade, tudo já está dentro de nós, na nossa consciência. Quando temos atitudes que ferem alguém, estamos sendo veículos da aplicação da lei de Deus. Se pensarmos de forma diferente, estaremos admitindo que Deus não é infinitamente justo e bom, porque se alguém fosse penalizado por uma nossa atitude quando não o merecia, a lei não seria justa. Não é por acaso que Jesus afirmou: “ai do mundo por causa dos escândalos! é necessário que haja escândalos, mas ai do homem pelo qual o escândalo vem! (Mateus 18:7).



A Lei de Deus, especialmente a de Ação e Reação ou Causa e Efeito, tem por objetivo nos induzir a observar o nosso comportamento - o “vigiar” conforme o ensinamento de Jesus – para que possamos identificar se aquela ação ou pensamento, está de acordo com a Lei de Deus que está em nossa consciência.  Quando através desse processo pudermos sentir que o que pretendemos fazer ou pensar, não contraria o mandamento do Mestre – Não faça aos outros o que não quereis que vos façam – podemos prosseguir sem nos preocuparmos com os efeitos dessa ação ou pensamento.  Se, no entanto, nos sentirmos incomodados ou em dúvida sobre a justeza daquilo que pretendemos realizar devemos nos abster de prosseguir, sob pena de sermos atingidos pela inexorabilidade da Lei.



Na maioria das vezes, agimos sem “vigiar”, nos comportando de uma forma automática em virtude dos hábitos anteriormente adquiridos e que, muitas vezes nos foram necessários em encarnações anteriores.  Nessa situação iremos, novamente, enfrentar os rigores da Lei que gerará inúmeras e diferentes dificuldades em nossa existência.  É isso castigo ?  As dificuldades que enfrentamos não são mais do que desafios e oportunidades nos quais somos colocados para os observarmos e podermos descobrir quais as causas que nos levaram a ter esse ou aquele comportamento. Descoberta a causa, se estivermos realmente imbuídos do desejo de evoluir, nos transformaremos e não haverá, futuramente, a geração das causas e seus consequentes efeitos.  Fica claro portanto, que somos nós mesmos, os criadores de nossas dificuldades, sofrimentos e doenças, logo somos nós mesmos, também, que as podemos eliminar através de ações preventivas de vigia e pela auto transformação.



NÓS ESPÍRITOS, SOMOS OS DIRIGENTES RESPONSÁVEIS POR TUDO DE BOM OU DE MAL QUE ACONTEÇEU E ACONTECE EM NOSSA EXISTÊNCIA, PASSADA, PRESENTE OU FUTURA, NÃO PODENDO, NENHUM DE NÓS, ATRIBUIR AS CONSEQUÊNCIAS DE TAIS AÇÕES POR NÓS VIVIDAS, À DEUS, A OUTROS OU A FATORES EXTERNOS.  NOSSA ÚNICA SOLUÇÃO É

“VIGIAR E ORAR”.



Francisco Fortes

 (18-01-2016)