LEI DE
CAUSA E EFEITO
“À toda ação há sempre uma reação
oposta de igual força e intensidade”.
(IIIª Lei de Newton)
Em
1687 Newton publicou o seu livro (Philosophiea
Naturalis Principia Mathematica) no qual descreve a lei de gravitação
universal e as três leis básicas da física newtoniana, o Princípio da inércia,
o Princípio fundamental da dinâmica e o Princípio da ação e reação. A terceira dessas Leis e suas implicações em
nossa vida são o objeto do presente estudo.
Newton trouxe, então, para a matemática e a física, através do terceiro
princípio, as normas da milenar Lei de talião (do latim lex talionis onde lex: lei
e talio/talis: tal, idêntico) que, na
Mesopotâmia, era aplicada no tratamento de temas cotidianos abrangendo matérias de ordem civil, penal e
administrativa e que se encontrava inserida nos códigos de Ur Nammu, cerca de
2050 a.C., no de Eshnunna, cerca de 1930 a.C.,
no código de Lipit-Ishtar e Isin, cerca de 1870 a.C. e no código de
Hamurabi, cerca de 1700 a.C.. Segundo
entendemos, todas essas leis foram criação do homem, consciente ou
inconscientemente, sem duvida alguma mediante a intuição dos Espíritos superiores.
Se
consultarmos a Bíblia, veremos nela também, a inclusão dos princípios dessa Lei
de talião. Embora seja ela o receptáculo dos dez mandamentos e de inúmeras
revelações de vários profetas, não podemos esquecer que parte dela teve como
autor o próprio Moisés. (Vide Êxodo 28:40-43 onde se trata das Vestimentas
Sacerdotais).
A
Lei de talião prevalecia de forma rígida no relacionamento dos indivíduos. Objetiva e sem recurso, seu acolhimento na
Bíblia, pode ser constatado através das seguintes passagens; “....vida por vida, olho por olho, dente por
dente, pé por pé, queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por
golpe.” (Bíblia, Êxodo 21:23-24). “Se um homem ferir um compatriota,
desfigurando-o, como ele fez, assim se lhe fará: fratura por fratura, olho por
olho, dente por dente. O dano que se causa a alguém, assim também se sofrerá:
quem matar um animal deverá dar compensação por ele, e quem matar um homem deve
morrer”. (Bíblia, Levítico 24:19-21). A razão da aplicação da lei tinha por
objetivo incutir o medo na população segundo o que podemos comprovar em
Deuteronômio 19:19-21: “....Desse modo extirparás o mal de teu meio,
para que o outros ouçam, fiquem com medo, e nunca mais tornem a praticar
semelhante mal no meio de ti” . (grifo nosso)
Em
1857, com o advento da Doutrina Espírita, através da publicação do “O Livro dos Espíritos”, tomamos
conhecimento do princípio de que todo efeito é resultado de uma causa anterior,
ou seja, tudo de bom ou de mal que fizermos disparará um efeito contrário, ou
bom ou mal. Se os agentes responsáveis pela causa se mantiverem inertes na
mesma posição o efeito será inexorável.
No livro “Dicionário de Filosofia Espírita” de L. Palhano Jr. há a
seguinte definição para: “CAUSA E EFEITO
(Lei de). È a lei segundo a qual todas
as ações humanas provocam um efeito correlato; se uma ação é boa os resultados
serão favoráveis ao autor; se é má, o autor auferirá efeitos desfavoráveis e
importunos. Essa lei está diretamente
relacionada com a justiça de Deus que proporciona sempre o que se diz no
axioma: a cada um segundo as suas obras”
Isso é, sem dúvida, o princípio da IIIª Lei de
Newton. Tal resultado só será
inexorável, no entanto, se nos tivermos mantido no mesmo estado de consciência
que ostentávamos por ocasião da geração da causa. Se esse não for o caso, i.
e., se nosso estado de consciência estiver num patamar mais evoluído, estaremos
desconectados daquela causa anterior já que o objetivo
de nos despertar e transformar foi conquistado. Pedro em sua primeira carta
Capítulo 4 versículo 8 nos confirma esse entendimento: “.....o amor cobre uma multidão de pecados.” Tudo em nosso universo é energia. Nossas
ações e pensamentos são energias e se expressam por ondas de diferentes frequências
vibratórias. O que acabamos de
esclarecer é que quando nossas atitudes se expressarem em vibrações de
frequências muito baixas, elas irão ferir ou prejudicar aqueles irmãos a quem
forem direcionadas desde que eles estejam na nossa mesma frequência, e a reação
de retorno estará, também, na mesma frequência vibratória. Por outro lado, se a
frequência vibratória, daqueles que queremos atingir, for superior a nossa não
haverá como nos conectarmos com eles e não serão então, atingidos por nosso
objetivo negativo/maldoso. Se por outro
lado enviarmos vibrações mais elevadas a irmãos que estejam vibrando em faixas
inferiores, tais irmãos as receberão como indutoras de sua transformação.
É
necessário entendermos que o motivo que nos leva a ter que enfrentar as
inúmeras dificuldades em nossas diferentes reencarnações, é a nossa ignorância
relativa quanto à consciência da nossa verdadeira realidade de que somos filhos
de Deus e que nossa criação foi perfeita. Não entendemos o que significa a afirmação de
Jesus: “vós sois luz”. Acreditamos que temos que buscar a
felicidade, o amor e a perfeição fora de nós, quando, na realidade, tudo já
está dentro de nós, na nossa consciência. Quando temos atitudes que ferem alguém,
estamos sendo veículos da aplicação da lei de Deus. Se pensarmos de forma
diferente, estaremos admitindo que Deus não é infinitamente justo e bom, porque
se alguém fosse penalizado por uma nossa atitude quando não o merecia, a lei
não seria justa. Não é por acaso que Jesus afirmou: “ai do mundo por causa dos escândalos! é necessário que haja
escândalos, mas ai do homem pelo qual o escândalo vem! (Mateus 18:7).
A
Lei de Deus, especialmente a de Ação e Reação ou Causa e Efeito, tem por
objetivo nos induzir a observar o nosso comportamento - o “vigiar” conforme o ensinamento de Jesus – para que possamos
identificar se aquela ação ou pensamento, está de acordo com a Lei de Deus que
está em nossa consciência. Quando
através desse processo pudermos sentir que o que pretendemos fazer ou pensar,
não contraria o mandamento do Mestre – Não
faça aos outros o que não quereis que vos façam – podemos prosseguir sem
nos preocuparmos com os efeitos dessa ação ou pensamento. Se, no entanto, nos sentirmos incomodados ou
em dúvida sobre a justeza daquilo que pretendemos realizar devemos nos abster
de prosseguir, sob pena de sermos atingidos pela inexorabilidade da Lei.
Na
maioria das vezes, agimos sem “vigiar”, nos
comportando de uma forma automática em virtude dos hábitos anteriormente
adquiridos e que, muitas vezes nos foram necessários em encarnações
anteriores. Nessa situação iremos,
novamente, enfrentar os rigores da Lei que gerará inúmeras e diferentes
dificuldades em nossa existência. É isso
castigo ? As dificuldades que enfrentamos não são mais
do que desafios e oportunidades nos quais somos colocados
para os observarmos e podermos descobrir quais as causas que nos levaram a ter
esse ou aquele comportamento. Descoberta a causa, se estivermos realmente imbuídos
do desejo de evoluir, nos transformaremos e não haverá, futuramente, a geração
das causas e seus consequentes efeitos.
Fica claro portanto, que somos nós mesmos, os criadores de nossas
dificuldades, sofrimentos e doenças, logo somos nós mesmos, também, que as
podemos eliminar através de ações preventivas de vigia e pela auto
transformação.
NÓS
ESPÍRITOS, SOMOS OS DIRIGENTES RESPONSÁVEIS POR TUDO DE BOM OU DE MAL QUE
ACONTEÇEU E ACONTECE EM NOSSA EXISTÊNCIA, PASSADA, PRESENTE OU FUTURA, NÃO
PODENDO, NENHUM DE NÓS, ATRIBUIR AS CONSEQUÊNCIAS DE TAIS AÇÕES POR NÓS
VIVIDAS, À DEUS, A OUTROS OU A FATORES EXTERNOS. NOSSA ÚNICA SOLUÇÃO É
“VIGIAR
E ORAR”.
Francisco
Fortes
(18-01-2016)