quinta-feira, 25 de junho de 2015

EVOLUÇÃO DA DOUTRINA ESPÍRITA


EVOLUÇÃO  DA  DOUTRINA  ESPÍRITA


                                  “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.” (Lavoisier)

                                

                                  “Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrarem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificará nesse ponto.  Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará.” (A Gênese, cap. I, item 55)


Antes de entrarmos no tema do presente estudo, é importante que entendamos o que vem a ser “Doutrina”.  Canuto Abreu em seu livro “O Evangelho por fora” Capítulo XI, item 2, nos informa o seguinte:

“Do Latim ‘doctrina’ (de ‘docere’, ensinar), significa, no sentido primitivo, ensino ou ensinamento, isto é: ‘Aquilo que é ensinado como hipótese, princípio, regra ou axioma’. (grifo nosso) É, pois, aquilo que se afirma ser verdadeiro ou falso em matéria científica, filosófica ou religiosa.

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Em tal acepção ocorre ‘Doutrina dos Espíritos’ no # I da Introdução em ‘O Livro dos Espíritos’: “Diremos, portanto, que a doutrina espírita tem por fundamento as relações do Mundo Material com os Espíritos”. Aqui, ‘doutrina’, equivale a ‘hipótese’ ou ‘crença’. (grifo nosso)  Foi empregada em oposição a outras ‘doutrinas’ ou ‘teorias’ que pretendem explicar, natural ou sobrenaturalmente, as manifestações espíritas desde Hydesville até nosso tempo”.


A dúvida sobre ser a Doutrina Espírita evolutiva ou não é, portanto, uma questão que preocupa a todos os estudiosos e praticantes da referida doutrina.  Alguns de nós, ortodoxos, somos de opinião de que a Doutrina é perfeita, está totalmente definida no Pentateuco e que nada é necessário ser mudado ou acrescentado.  Outros de nós, no entanto, acreditam que o que foi e é criado em nosso universo transitório – as nossas “verdades” – são mutáveis.  Lavoisier nos deixou esse princípio fático no enunciado transcrito no preâmbulo desse estudo. Isso é, também, confirmado pelas próprias características desse universo no qual vivemos de quatro dimensões, onde um de seus componentes – o tempo – o torna  extremamente mutável.  Veremos, mais adiante, que o próprio codificador, Alan Kardec, acreditava que a doutrina nunca estaria terminada conforme trecho da Gênese acima transcrito.


Outra visão que alguns de nós também temos é que, antes da divulgação da Doutrina Espírita nada existia que lhe pudesse ser comparado. No entanto, Léon Denis em seu livro “Depois da Morte”, Parte Primeira, Capítulo I, nos esclarece a respeito da Doutrina Secreta:


Se, do domínio dos fatos, passarmos ao dos princípios, teremos de esboçar desde logo as grandes linhas da doutrina secreta. (grifo nosso) Ao ver desta, a vida não é mais que a evolução, no tempo e no espaço, do Espírito, única realidade permanente.  A matéria é sua expressão inferior, sua forma variável.  O Ser por excelência, fonte de todos os seres, é Deus, simultaneamente triplo e uno – essência, substância e vida – em que se resume todo o Universo.  Daí o deísmo trinitário que, da Índia e do Egito, passou, desfigurando-se, para a doutrina cristã..........A alma humana, parcela da grande alma, é imortal. Progride e sobe para o seu autor através de existências numerosas, alternativamente terrestres e espirituais, por um aperfeiçoamento contínuo.  Em suas encarnações, constitui ela o homem, cuja natureza ternária – o corpo, o períspirito e a alma -, centros correspondentes da sensação, sentimento e conhecimento, torna-se um microcosmo ou pequeno mundo, imagem reduzida do macrocosmo ou Grande-Todo.  Eis por que podemos encontrar Deus no mais profundo do nosso ser, interrogando a nós mesmos na solidão, estudando e desenvolvendo as nossas faculdades latentes, a nossa razão e consciência.  Tem duas faces a vida universal: a involução ou descida do Espírito à matéria para a criação individual, e a evolução ou ascensão gradual, na cadeia das existências, para a Unidade divina.”


Há algo no acima que seja diferente dos princípios da Doutrina Espírita?  Claro que não.  Por isso é que Léon Denis no mesmo livro no Capítulo VIII nos informa:


“Na filosofia dos Espíritos encontramos a doutrina oculta que abrange todas as idades.  Ela faz reviver esta doutrina debaixo das maiores e das mais puras formas.” (Grifo nosso).


Para melhor ilustrar o fato de que a Doutrina Espírita reflete ensinamentos milenares que nos foram transmitidos por porta-vozes de Deus, desde o início da existência de nosso universo, estamos apresentando abaixo relação que contêm os nomes de alguns desses porta-vozes e os princípios que defendiam, à época em que viveram.














 As modificações a que a Doutrina Espírita poderia estar  sujeita são reconhecidas pelo próprio Allan Kardec, nas passagens que se seguem:

“O Espiritismo está longe de ter dito a última palavra, quanto às suas consequências, mas é inabalável em sua base, porque esta base se assenta sobre fatos.” (Revista Espírita, Fevereiro de 1865, “Da Perpetuidade do Espiritismo”.)


“O Livro dos Espíritos não é um tratado completo do Espiritismo; não faz senão colocar-lhe as bases e os pontos fundamentais, que devem se desenvolver sucessivamente pelo estudo e observação.” (Revista Espírita, Julho de 1866, “Visão retrospectiva das existências dos Espíritos”).


“Longe estamos de considerar como absoluta e como sendo a última palavra a teoria que apresentamos.  Novos estudos sem dúvida a complementarão, ou retificarão mais tarde, entretanto por mais incompleta ou imperfeita que seja ainda hoje, sempre pode auxiliar o estudioso a reconhecer a possibilidade dos fatos.  (“Livro dos Médiuns, Capítulo VI, item 110).


“Nenhuma ciência existe que haja saído prontinha do cérebro de um homem.  Todas, sem exceção de nenhuma, são fruto de observações sucessivas, apoiadas em observações precedentes, como em um ponto conhecido para chegar a um desconhecido.  Foi assim que os Espíritos procederam com relação ao Espiritismo.  Daí o ser gradativo o ensino que ministram.  Eles não enfrentam as questões, senão à medida que os princípios sobre que hajam de apoiar-se estejam suficientemente elaborados e amadurecidos bastante a opinião para os assimilar. (“A Gênese”, Capítulo I, item 54).


“Preocupado em não deixar de dar orientação segura, visto que se preocupava com os problemas aqui citados, Kardec também faz judiciosas considerações, quando da sua proposta de Constituição Transitória do Espiritismo, na qual sugere a criação de uma Comissão Central para coordenar a Doutrina.  Relaciona, inclusive, as atribuições da Comissão, entre as quais destacamos, estes dois itens que grifamos:

2º Estudo dos princípios novos, suscetíveis de entrarem no corpo da Doutrina.

7º O exame e a interpretação das obras, artigos de jornais, e todo escrito interessando à Doutrina.  A refutação de ataques, se tiverem lugar. (http://www.aeradoespirito.net.com.br).


Dentro dessa linha de raciocínio, o próprio “O Livro dos Espíritos” nos comprova a necessidade que a Doutrina tem de modificações e adições.  A primeira versão do LE foi publicada em 18 de Abril de 1857 com 501 perguntas.  Três anos após, em 16 de Março de 1860 foi lançada a segunda versão com 1019 perguntas, inalterada até hoje.

Em 1859 foi publicada a “A Origem das Espécies” de Charles Darwin, que sem dúvida alguma,  influiu na edição revisada de 1860 do LE, na parte em que Kardec  trata dos Três Reinos.

Se analisarmos os livros de André Luiz e Emmanuel, encontraremos inúmeros ensinamentos que nos ajudam a entender melhor a grandeza desse Espírito – que somos nós -  criado por Deus.  Estando a Lei de Deus na nossa consciência, conforme os Espíritos afirmaram a Kardec na resposta à pergunta 621 do LE, a percepção dessa realidade é gradativa.  Cada um de nós, com o tempo, tem consciência maior ou menor dessa Lei, portanto o diálogo entre nós é, as vezes, muito difícil porque o nível de consciência de cada um é individual. Em muitas ocasiões é como se estivéssemos falando com o outro usando línguas diferentes.  É necessário, em tal situação, a presença da tolerância, do respeito ao pensamento do outro, qualquer que ele seja, e a predisposição para examinar e raciocinar sobre uma nova visão de determinado assunto.


É por isso que Ermance Dufaux no livro “Unidos pelo Amor”, (Capítulo 20, “Legenda Cristã para as Casas Espíritas” nos diz:


“Debate – o dogma é reflexo inevitável das mentes primárias nos valores da fé.  Serviu e ainda serve a expressiva parcela da humanidade como âncora de segurança, nos domínios da crença.  O Espiritismo, porém, é convite à lucidez em direção à verdade. (Grifo nosso)

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Debate não é somente um círculo de reuniões onde se filosofa e estuda, mas um hábito mental de superar crendices sem fundamento, eximindo-nos do “fanatismo pacífico” de cada dia, libertando-nos das cadeias dos raciocínios comuns e aprendendo a construir uma sequência de ideias afinadas com a lógica de Deus, (grifo nosso) uma visão que escapa até mesmo de alguns padrões já dogmatizados dentro do seio do próprio movimento espírita.”


Conclusão


Nada neste nosso universo, espiritual ou físico, está imóvel.  Tudo evolui. Pela sua própria natureza ele é mutável e devemos agradecer à Deus tal característica porque é através dela que conseguimos a evolução transformadora que nos levará de volta à Casa do Pai.  Aquilo que chamamos de “verdades” nada mais são do que “versões dessa verdade”.


Para fechar este pequeno estudo está transcrito abaixo a opinião de Max Planck, Prêmio Nobel e uma das glórias da ciência moderna que nos declara:


 “Como físico e ainda homem que dedicou toda sua vida à ciência objetiva para perquirição sobre a matéria, posso sem dúvida não temer que me considerem um fanático.  Por isso posso livremente afirmar, após meus longos estudos sobre o átomo, que não existe nenhuma matéria em si mesma.  Toda a matéria tem origem e existe somente numa força, a qual faz oscilar as partículas atômicas e as mantém unidas ao microscópico sistema solar do átomo.  Já que, no entanto, no inteiro universo não se encontra nenhuma força inteligente, nem eterna, tal força jamais a humanidade a alcançou, ela cansativamente desejou descobrir o perpetuum móbile (moto perpétuo).  Assim, devemos admitir que por detrás dessa força existe um espírito consciente e inteligente.  Este espírito é preexistente à matéria.  Não é a matéria visível que forma a realidade, o verdadeiro, o concreto, mas sim é o espírito universal e imortal a verdadeira realidade.  A origem última de todas as coisas encontra-se no mundo parafísico.”  (grifos nossos) (“O Livro dos Fluidos” de autoria dos Espíritos Eurípedes Barsanulfo, Ismael Alonso e Miguel de Alcântara, psicofonia de João Berbel, pág.54).


Essa realidade que Max Planck nos descreve, ocorre pela separação que hoje existe entre Religião e Ciência.  Se olharmos bem mais para trás, constataremos que Religião e Ciência eram conhecimentos que andavam juntos e se complementavam. Não era necessária a comprovação de  assertivas científicas.  A fé cega era a justificativa para tudo. Com o advento de Decartes (1596-1650) foi proposto a “realidade dualista”, ou seja, a existência de dois mundos separados “o reino de extensão material, de caráter essencialmente geométrico e mecânico” e o “reino da substância do pensamento, que não possui extensão”.  A partir daí a separação se tornou cada vez mais nítida até os dias de hoje e a grande falha foi não se ter construído pontes de acesso entre as duas.  Na falta dessas pontes vemos a ciência chegando a um momento em que  seus processos investigativos, cada vez mais profundos, encontram uma barreira que não conseguem ultrapassar porque a continuidade do processo já se insere pelo mundo imponderável da espiritualidade.


A singela definição, transformista, de Lavoisier aplicável ao nosso universo de quatro dimensões, nos leva, em contrapartida, a pensar que no Universo de Deus – onde nós Espíritos fomos criados – tal lei não se aplica, justamente porque, nesse Universo, não existem, tempo e espaço.  A geração do nosso universo ocorreu, portanto,  após a nossa criação Espiritual não importando, no caso, a interpretação que dermos, porventura, a  resposta a pergunta 115 do LE.     




Francisco Fortes

28 de Novembro de 2013

terça-feira, 2 de junho de 2015

A ALMA DORME NA PEDRA ..........


“A ALMA DORME NA PEDRA, SONHA NO VEGETAL, AGITA-SE NO ANIMAL E ACORDA NO HOMEM.”

 

 

 

A citação acima é atribuída à Léon Denis, embora não se tenha identificado o nome da obra na qual a mesma teria sido registrada.  O estudioso espírita Francisco Aranda Gabilan, em um artigo publicado no site www.infoespirito.com.br, após minuciosa pesquisa, nos informa que Denis, provavelmente, incluiu a frase, em uma de suas muitas palestras, baseando-se, para isso, nos versos - segundo o “site” acima citado - de autoria de “Maulâna Djlai ad-Din Rûmi, nascido no século 13 (Setembro de 1207), considerado um dos maiores poetas de todos os tempos, comparado pelos críticos à Dante e Shakespeare; filósofo e místico do Islã, deixou uma obra monumental (3229 odes e 34.662 dísticos; um conjunto de 26 mil versos de poemas espirituais), estudada e até seguida por Hegel e Goethe, dentre outros.

Quanto ao estilo e escola, era sufista, ou seja, representa a parte interior e mística do Islã, que acredita que o espírito humano é emanação do divino e que toda a aventura do homem é um só esforço ruidoso desse espírito para se reintegrar a Deus (grifo nosso). Esse movimento – sufismo – data do século VIII e se desenvolveu, sobretudo na Pérsia,  o sufi mantém a ideia islâmica da unidade divina, mas percebe que Deus engloba tudo, penetra tudo, e descobre Deus no fundo de si próprio. (grifo nosso)..... No livro “Poemas Místicos-Divan de Shams de Tabriz” (tradução e seleção de José Jorge de Carvalho) lá está na página 66, o poema “A Evolução da Forma”.  E parte dos esplendorosos (e espíritas) versos, assim:

 

Desde que chegastes ao mundo do ser,

uma escada foi posta diante de ti, para que escapasses.

Primeiro foste mineral;

Depois, te tornaste planta,

E mais tarde, animal.

Como pode ser isto segredo para ti?”.

(transcrição parcial do poema e do artigo acima referido).

 

No livro “Antologia dos Imortais”, 1ª edição FEB 1963, na página 33, através da psicografia de Francisco Cândido Xavier encontramos o poema de Adelino da Fontoura Chaves que aborda o mesmo assunto:

 

 

Fui átomo, entre as forças do Espaço,

Devorando amplidões, em longa e ansiosa espera ...

Partícula,  pousei ... Encarcerado, eu era

Infusório do mar em montões de sargaço.

 

Por séculos fui planta em movimento escasso,

Sofri no inverno rude e amei na primavera;

Depois, fui animal, e no instinto da fera

Achei a inteligência e avancei passo a passo ...

 

Guardei por muito tempo a expressão dos gorilas,

Pondo mais fé nas mãos e mais luz nas pupilas,

A lutar e chorar para, então, compreendê-las! ...

 

Agora, homem que sou, pelo Foro Divino,

Vivo de corpo em corpo a forjar o destino

Que me leve a traspor o clarão das estrelas! ...

 

Assim a afirmação, feita de uma forma poética por Din Rûmi, no século 13, foi, provavelmente, usada por Léon Denis em suas palestras nos séculos 19 e 20.

 

Emmanuel em seu livro de mesmo nome, de 1938, no Capítulo XXV, quando abordando “A Materia” confirma, de forma conexa, a interpretação de Rûmi e de Leon Denis, ou seja, que a trajetória do Espirito pelos reinos Mineral, Vegetal e Animal faz parte de sua caminhada de retorno à casa do Pai:

 

A matéria não organiza, é organizada. (grifo nosso) E não representa senão uma modalidade da energia esparsa no Universo. Os seus elementos não fazem senão submeter-se às injunções do Espírito; e é a soberana influência deste último que elucida todos os problemas intrincados dos seres e dos destinos. É a seu apelo, cedendo aos seus desejos, que todas as matérias brutas se vêm rarefazendo, oferecendo aspectos novos e delicados.”

 

Hermínio C. Miranda em seu livro “Alquimia da Mente”, em sintonia com Annie Besant, em “Um Estudo sobre a Consciência”, nos transmite o seguinte:

“.... toda criação está, mais do que ligada, contida no âmbito da consciência divina, dado que há uma impossibilidade filosófica de existir alguma coisa que não tenha sido criada pela Inteligência Suprema e que nela exista (grifo nosso) e se movimente, como intuiu Paulo de Tarso. André Luiz compara a humanidade a ‘peixes num oceano’ de energia cósmica luminosa.  Isso nos leva à conclusão de que a conscientização progressiva (grifo nosso) de que esses autores nos falam vai ampliando gradativamente em cada um de nós a capacidade de acessar e expressar a realidade cósmica. Acesso à consciência global todos têm, mas varia ao infinito a capacidade de cada um manifestá-la do lado de cá da vida, precisamente porque também diferem os níveis de compatibilidade da instrumentação física de que cada um  é dotado.  Ou seja, em cada fase ou etapa evolutiva estamos limitados, na expressão da realidade maior, pela flexibilidade da instrumentação biológica que tenhamos conseguido desenvolver até aquele ponto.”  Na realidade Hermínio está falando do Espírito.  André Luiz no Livro “Evolução em dois Mundos”, Capítulo II, nos informa que o corpo físico reflete o corpo espiritual que, por sua vez, retrata em si o corpo mental que em última análise é o Espírito.   

 

Fica claro pelas duas transcrições acima, que a matéria não tem vida própria. A vida que ela aparenta ser dela é resultante da ação do Espírito que nela existe. Entendendo que o Espírito é criação de Deus e portador da Centelha Divina, fica confirmado que Deus está em cada um de nós e, todos nós, estamos Nele, diferentemente, pois, do que muitos de nós pensamos. Quando observarmos qualquer matéria, ela não é  “um corpo material” nem “um corpo material que tem um Espírito,” mas sim “ um Espírito que se apresenta com um corpo material”.  Essa mudança no nosso modo de olhar a matéria é fundamental em nosso processo evolutivo.  Quando, por exemplo, olhamos um transeunte na rua, normalmente, o vemos como um estranho, de origem desconhecida e que não tem nada a ver conosco, concluindo a partir daí que não temos nenhuma relação em comum e não temos que nos preocupar com ele.  Se mudarmos o nosso pensamento e passarmos a olhá-lo como um Espírito que está revestido da matéria, (que ele escolheu como necessária a sua caminhada), o entendimento que teremos é que ele é nosso irmão por sermos todos filhos do mesmo Pai. Com essa mudança, ficaremos em condições de começar a pensar no amar o próximo como a si mesmo. Enquanto não mudarmos o nosso pensamento e o nosso modo de olhar, não poderemos nos considerar seguidores dos ensinamentos de Jesus, já que não estamos ainda seguindo a Sua recomendação de que devemos ter; Olhos de ver e ouvidos de ouvir.

 

As informações acima nos confirmam que toda a matéria, sem exceção, tem vida porque é o Espírito, que nela existe, que a dá. Outra consideração é que a ausência aparente de movimento na matéria, não significa ausência de vida, existindo, portanto, matéria com movimento e matéria aparentemente sem movimento. O aspecto de ser orgânica ou inorgânica é irrelevante porque nela sempre estará presente e a comandando, um Espirito.  Passamos a entender, também, que nosso Universo – onde o Tempo é a sua principal característica - foi criado pelo Cristo, com o objetivo de dar a todos nós, Espíritos, a oportunidade de evoluir e retornar à Casa do Pai.  Os diferentes estados da matéria são aqueles que são necessários à evolução dos Espíritos que as habitam e dirigem, em cada momento.  O destino dessa matéria é, repetindo, dar ao Espírito a oportunidade de evoluir, ao mesmo tempo em que lhe dá, também, a oportunidade de cumprir a sua função de auxiliar de Deus no processo criativo de nosso Universo, conforme informações fornecidas por André Luiz em seu livro “Evolução em dois Mundos”. Indispensável é que se compreenda como uma verdade insofismável, o fato de que Deus está em tudo e que tudo está em Deus.  Essa é uma afirmação milenar que nos foi trazida por Hermes Trismegisto, que viveu no antigo Egito, 2700 anos antes de Cristo. Como somos os seres inteligentes da criação e somos deuses, como nos disse Jesus, essa presença de Deus em tudo, pode ser facilmente aceita, entendida e comprovada quando damos a ela a interpretação de que essa presença se manifesta através da nossa inteligência (Os Espíritos são os seres inteligentes da Criação. LE 76).  Como tudo o que existe está impregnado de inteligência, e como ela é oriunda de Deus, Deus esta em tudo, tanto nos mundos, que chamamos Espiritual e Material. Um entendimento mais transcendental desse assunto nos leva a compreender que o Reino de Deus (ou do Céu) é o universo eterno. O universo no qual vivemos é finito e circunscrito a si mesmo e está inserido no universo eterno como se fosse uma bolha. As características típicas desse universo/bolha (tempo e espaço) são necessárias para que o Espirito possa retornar a ter consciência de sua realidade e reúna as condições para retornar ao universo de origem. Esse universo eterno não é físico, nele a matéria não existe, sua existência é mental já que foi criado e é mantido pela mente de Deus. Nada está fora dele porque o “fora” não existe já que TUDO foi criado por Deus.  

Vejamos então agora, algumas das experiências que o Espírito vivencia na matéria, nesse universo/bolha, em seu processo de despertamento da consciência, em cada um dos Reinos; Mineral, Vegetal e Animal referenciados por Rûmi e por Léon Denis na famosa frase.

 

Reino Mineral: (Dorme)

Os minerais como vimos, não são ausentes de vida e movimento em razão de sua verdadeira natureza. Em nenhum momento pensamos que estamos manipulando matéria espiritualizada.  Aquele ser, nesta fase, não tem iniciativa própria, está na situação de um observador que ali se encontra para se recordar e compreender os processos básicos, de atração, aglutinação, organização e transformação.  O destino dos minerais é servir, são usados juntamente, ou não, com outras matérias para a constituição de outras mais complexas.  Minerais são o resultado da agregação de átomos. Átomos tem inteligência, logo o mineral é inteligente porque tais átomos estão, por sua vez, comandados pela inteligência de um ser espiritual que lhes é superior e que coordena todas as suas ações. O exercício dessa inteligência, no entanto é limitada já que o Mineral não pode ainda exercer seu livre-arbítrio. Possuem, no entanto Mente Espiritual onde todas as suas experiências são arquivadas.

 

Reino Vegetal: (Sonha)

Tem movimento e demonstram, através de seu comportamento, a ação do Espírito que os dirige. Já aqui vemos neles o exercício aparente de sua inteligência na preservação de sua vida (ex: a procura da luz, o afastamento de outros vegetais com os quais não se afinizam etc.). Neles surge a capacidade de reprodução, de transformação de outros componentes do mundo físico e são, de uma maneira geral, fonte de alimento a outros componentes da criação. O registro de suas experiências continua a ser feita na sua Mente Espiritual.

 

Reino Animal: (Agita-se)

O veículo físico já se encontra num estado de complexidade e desenvolvimento muito maiores, consequência da condição mais avançada do Espírito. Sua ferramenta física é mais complexa, tendo absorvido dos reinos Mineral e Vegetal, conhecimentos e informações que lhe ajudam nesta nova fase. Já tendo adquirido a compreensão dos processos de atração, aglutinação, organização, transformação e sensibilidade, demonstra nesta fase o desenvolvimento dos instintos e de um raciocínio não contínuo. O registro dessas experiências continua a ser realizado pela sua Mente Espiritual.

 

Reino Hominal: (Acorda)

Chega o Espírito, a esta fase, com o desenvolvimento completo da capacidade de exercer o seu livre arbítrio.  Suas capacidades de pensar, olhar, comunicar, sentir, avaliar e decidir já estão plenamente desenvolvidas.  Nada lhe é imposto a não ser as consequências de suas próprias ações.  A capacidade de captar influências espirituais, boas ou más, está também presente.  O desafio do Espírito encarnado no Reino Hominal é tomar consciência de quem ele realmente é.  Nas fases anteriores a Lei o colocou em condições de rememoração compulsória de parte de sua realidade espiritual. O Espirito arquivou, todas as experiências passadas, na Mente Espiritual para que pudesse, quando chegado à fase de Homem, contar com todas as ferramentas necessárias à sua conscientização, através do Livre Arbítrio, de que é filho de Deus.

 

Resumo:

Se entendermos que:

- Deus é a inteligência suprema e causa primária de todas as coisas,

- Que Deus é Onisciente e Perfeito,

- Que toda criação de Deus só pode ser Perfeita,

- Que o Espírito criado por Deus é Perfeito,

- Que a palavra Perfeição é sinônima de “Centelha Divina”, e é parte integrante do Espírito quando de sua criação por Deus.

- Que o Espírito que transita pelo nosso mundo, através de diferentes vestimentas físicas, é Perfeito, embora tenha perdido a consciência plena dessa Perfeição. Sua permanência nesse mundo de três dimensões tem por objetivo fazê-lo recordar dessa realidade espiritual.

- Não há nada que o Espírito possa encontrar fora de si mesmo. Tudo já está em si, contido na Centelha divina. Por isso, seu objetivo é descobrir esse tesouro através do autoconhecimento.

Com o entendimento acima a frase:

 “A ALMA DORME NA PEDRA, SONHA NO VEGETAL, AGITA-SE NO ANIMAL E ACORDA NO HOMEM.”

é facilmente compreendida.

 

 

Francisco Fortes

25/07/2014