FLUIDO VITAL
A crença na existência de
uma energia que seria responsável pela vitalização de toda a matéria, é
milenar. Ao longo do tempo, no entanto,
tal crença foi objeto de estudos e questionamentos de filósofos, religiosos e
cientistas, os quais chegaram a interpretações, as mais diversas, sobre o
assunto. No presente trabalho
apresentamos esses vários entendimentos e seus respectivos autores. Ao final tentaremos fazer uma análise das
várias opiniões, apresentando aquela que nos parece mais compatível com os
nossos conhecimentos atuais.
No
Bhagavad Gita (*) é mencionado o Prana como essa energia vital. Ela é
definida, no livro referido, pelo tradutor Huberto Rohden, pág. 164,
como sendo o “Alento de vida, energia vital.
A vida que impregna todo corpo vivo, do mais insignificante ao mais
complexo. É a porção da vida universal,
onipresente, eterna, indestrutível, individualizada ou assimilada a um corpo em
particular; quando esse corpo morre, o Prana volta ao oceano da vida cósmica.”
(*) O Bhagavad
Gita (Canto do Senhor ou Canção Sublime) é o sexto dos 18 livros que
compõem o Mahabharata que é o grande poema épico da cultura indiana. O Bhagavad
Gita descreve, em forma de diálogo entre Krishna e Arjuna, a inquietação
metafísica e a tragicidade da condição humana, na véspera de terrível
batalha. O Mahabharata, por sua
vez é comparável ao “Novo Testamento” sendo o Bhagavad Gita, por seu
lado, comparado ao “Evangelho”. O Mahabharata
faz parte dos Vedas escrito,
segundo alguns autores, 4.000
A .C segundo
outros 8.000 A .C.
e ainda outros 80.000 A .
C.
Vejamos
agora o que nos diz Helena Blavatsky no volume III, pág.119, de seu livro “A
Doutrina Secreta”: “O “Pai” do homem físico primitivo, ou do seu corpo, é o
Princípio Elétrico Vital que reside no Sol.
A Lua é sua “Mãe”, por causa do misterioso poder que possui e que exerce
uma influência tão marcante na gestação e na geração humana, que ela preside,
como também no crescimento das plantas e dos animais. O “vento” ou Éter, que no caso tem o papel de
agente transmissor, por intermédio do qual essas influências são transportadas
e descem dos dois astros, disseminando-se pela Terra, é mencionado como a
“Nutriz” , mas só o “Fogo Espiritual”
faz do homem uma entidade divina perfeita.” (grifo nosso).
No livro “Arquitetura Cósmica” de Gilson Freire,
Capítulo 1 da parte III, pag. 101, sob o título de “A Morte do Vitalismo”, nos é transmitido o
seguinte:
“Aqueles
que acreditam que os seres são regidos pela sorte e pelo acaso, ou que são
mantidos juntos por causas meramente corporais, esses estão distantes de Deus e
da idéia de unidade. Plotino (séc. II d.C. – Tratado das
Enéadas).
Todos
os pensadores da antiguidade concebiam a vida como uma diferenciada obra de Deus
a qual se mantinha ativa graças à interposição de um especial elemento
imaterial, a alma, que a tudo
vivifica, pensamento denominado vitalismo.
Grandes
pensadores vitalistas deixaram os seus nomes registrados na história, como Hipócrates
e Aristóteles na Grécia antiga, Avicena, Venetus, Paracelsus, Santo Agostinho e
São Tomás de Aquino na Idade Média e Ernesto Stahl, Leibniz, Joseph Barthez e
Hahnneman na era Moderna. Eles admitiam a existência desse ente sutil, a alma ou espírito, (grifo
nosso) animando todos os seres viventes.
E facilmente compreendiam tal entidade como algo independente do corpo,
com ele formando uma unidade somente enquanto vivia, dele se separando após a
morte.”
O
médico alemão Georges Ernest Stahl, que viveu de 1660 a 1734, também adepto
do Vitalismo, batizou-o com o nome de Animismo
definindo-o assim: “Aristóteles, S. Tomás de Aquino e a maior parte dos
espiritualistas não admitem no homem dois princípios de vida. Afirmam que além da sua atividade plenamente
consciente e propriamente psicológica, a alma inteligente possui também a
faculdade de presidir às funções fisiológicas.
De maneira que a alma é o único princípio de toda atividade vital do
homem, da sua vida vegetativa e sensitiva, como também da sua vida propriamente
espiritual
.........................................................................................................................
O animismo é portanto verdadeiro; e, por
conseguinte, devemos admitir que a alma racional é por si mesma o único e imediato
princípio da vida do homem.” (Fonte:
Manual de Filosofia, Livro Terceiro, Psicologia Racional, O Animismo, Pag. 733 de
C. Lahr).
Paul
Joseph Barthez, médico francês, nascido em Montpellier, viveu de 1734 a 1806, foi um dos adeptos
do Vitalismo. Diferentemente de seus antecessores, no
entanto, acreditava, ele e seus seguidores, que os fenômenos da vida
eram devidos a um princípio vital distinto das forças psíco-químicas e da alma.
A alma não podia ser o princípio que comandava
as funções fisiológicas, por conseguinte, era necessário que houvesse um
princípio vital. Na defesa dessa idéia,
ele se fundamentava em três princípios:
1
– As diferenças profundas que distinguem
os fatos fisiológicos dos psicológicos.
2
– A oposição que se nota entre as tendências
da vida animal e as aspirações da vida espiritual.
3
– A alma tem consciência dos fenômenos
psicológicos e não tem consciência alguma dos fatos fisiológicos. (Fonte:
Manual de Filosofia, livro Terceiro, Psicologia Racional, Teoria do Princípio
Vital, Pag. 732 de C. Lahr)
A
Doutrina Espírita, no “Livro dos Espíritos” de Allan Kardec, apresenta
as perguntas sobre o assunto, que foram assim respondidas pelos Espíritos:
Perg.
62. Qual a causa da animalização da
matéria?
Sua
união com o princípio vital.
Perg. 63. O princípio vital reside
nalgum agente particular ou é simplesmente uma propriedade da matéria
organizada? Numa palavra, é efeito, ou causa?
Uma e outra coisa.
A vida é efeito devido à ação de um agente sobre a matéria. Esse agente, sem a matéria, não é vida, do
mesmo modo que a matéria não pode viver sem esse agente. Ele dá a vida a todos os seres que o absorvem
e assimilam.
Perg. 67. A vitalidade é atributo permanente do agente
vital, ou se desenvolve tão-só pelo funcionamento dos órgãos?
Ela não se desenvolve senão com o corpo. Não dissemos que esse agente sem a matéria
não é vida? A união dos dois é
necessária para produzir a vida”.
a) –
Poder-se-á dizer que a vitalidade se acha em estado latente, quando o agente
vital não está unido ao corpo?
Sim, é isso.
O
conjunto dos órgãos constitui uma espécie de mecanismo que recebe impulsão da
atividade íntima ou princípio vital que entre eles existe. O princípio vital é a força motriz dos corpos
orgânicos. Ao mesmo tempo que o agente vital
dá impulsão aos órgãos, a ação destes entretém e desenvolve a atividade daquele
agente, quase como sucede com o atrito, que desenvolve o calor.
Perg. 70. Que é feito da matéria e do princípio vital
dos seres orgânicos, quando estes morrem?
A Matéria inerte se decompõe e vai formar novos
organismos. O princípio vital volta à massa
(grifo nosso) donde saiu.
A Revista Espírita de
Março de 1866, no capítulo V (página 72) do estudo “Introdução ao Estudo dos
Fluidos Espirituais” onde é discutida a necessidade da existência ou não do
Perispírito, nos informa o seguinte:
“O perispírito é uma dessas engrenagens mais
importantes da economia; a ciência o observou em alguns de seus efeitos, e,
alternativamente, designou-o sob os nomes de fluido vital, fluido
ou influxo nervoso, fluido magnético, eletricidade animal
(grifo nosso), sem se dar conta precisa de sua natureza e de suas
propriedades, e ainda menos de sua
origem.”
Vemos
pelas transcrições acima que a palavra Vitalismo
era utilizada, desde a mais remota antiguidade, para definir aquilo que dava
vida a matéria. Inicialmente filósofos e
estudiosos entenderam que esse agente era gerado pela alma ou espírito. A
partir do século XIX começou a ser questionado se tal agente era espiritual ou
material. O médico Paul Joseph Barthez deve ter sido um dos primeiros a afirmar
que a vida da matéria não podia ter a sua origem na alma ou espírito. A partir
daí, a abordagem do assunto passou a ser feita, cada vez mais, a partir do
ponto de vista científico. Assim é que o químico alemão Friederich
Wohler, em 1828, conseguiu produzir uréia em laboratório o que até então só era
sintetizada pelos seres vivos. Em 1843 o
famoso fisiologista francês, Claude Bernard, concluiu pela inexistência de
qualquer força de natureza espiritual atuando no interior do homem, de forma
invisível ou imaterial. Estava provado
que todas as energias atuantes na unidade orgânica eram de natureza físico-químicas
e poderiam ser conhecidas e copiadas. Em
1872, Louis Pasteur afirmava que a vida somente podia se reproduzir a partir de
outra vida e não por prodigiosa interferência de Deus. Embora suas descobertas muito tenham
contribuído para o crescimento da biologia, elas foram decisivas também para se
romper a crença da origem sagrada da vida.
Deus passou a não fazer falta para criar, pois a vida replicava em
qualquer lugar que lhe oferecesse condições favoráveis, proibindo-se ao
Altíssimo o ato de gerar simplesmente do nada. (Fonte: “Arquitetura Cósmica
“ de Gilson Freire, conforme citação anterior, pag.101/102).
Quando
Kardec recebeu as informações para a publicação do “O Livro dos Espíritos”, a
primeira versão em 1857 e a segunda em 1860, as opiniões vigentes sobre o
Princípio Vital eram conflitantes. Não é surpresa então que ele tivesse optado
por seguir a opinião mais difundida na época e que deve ter sido a ele
transmitida pelos Espíritos na ocasião, i.e., de que o princípio
vital se encontrava na própria
matéria. Seis anos mais tarde, ou seja,
em 1866 vemos que a visão apresentada na Revista Espírita coloca o assunto no
seu devido lugar, quando define que o agente de tal fluido é o Perispírito e
conseqüentemente o Espírito. Essa
posição é também a de Emmanuel, como veremos a seguir.
Em
seu livro “Emmanuel” de 1938, psicografado por Francisco Cândido Xavier, Emmanuel nos diz,
nos capítulos XXIV e XXV, o seguinte sobre o princípio vital:
“..............., há uma força inerente aos
corpos organizados, que mantém coesas as personalidades celulares,
sustentando-se dentro das particularidades de cada órgão, presidindo aos
fenômenos partenogenéticos de sua evolução, substituindo, através da
segmentação, quantas delas se consomem nas secreções glandulares, no trabalho
mantenedor da atividade orgânica.
Essa força é o que denominais princípio vital,
essência fundamental que regula a existência das células vivas, e no qual elas
se banham constantemente, encontrando assim a sua necessária nutrição, força
que se encontra esparsa por todos os escaninhos do universo orgânico, combinada
às substâncias minerais, azotadas e ternárias, operando os atos nutritivos de
todas as moléculas. ......................................................................................................................
...................................................................................................................................................
Essa força ativa e regeneradora, de cujo enfraquecimento decorre a
ausência de tônus vital, precursor da destruição orgânica, é simplesmente a ação
criadora e plasmadora do corpo espiritual sobre os elementos físicos. (grifo nosso)
O corpo espiritual não retém somente a prerrogativa de constituir a fonte (grifo nosso) da
misteriosa força plástica da vida, a qual opera a oxidação orgânica; é também
ele sede das faculdades, dos sentimentos, da inteligência e, sobretudo, o
santuário da memória, em que o ser encontra os elementos comprobatórios da sua
identidade, através de todas as mutações e transformações da
matéria..........................................................................................................
É, pois, o corpo espiritual a
alma fisiológica, assimilando a matéria a seu molde, à sua estrutura, afim de materializar-se no mundo palpável (grifo nosso)......................................
A matéria não organiza, é organizada .(grifo nosso) E não representa senão uma modalidade de
energia esparsa no Universo. Os seus
elementos não fazem outra coisa senão submeter-se às injunções do Espírito;
e é a soberana influência deste último
que elucida todos os problemas intrincados dos seres e dos destinos. É ao
seu apelo, cedendo aos seus desejos, que todas as matérias brutas se vêm
rarefazendo, oferecendo aspectos novos e delicados.” (grifo nosso)
No seu livro “A Grande Síntese”, Pietro Ubaldi
apresenta, em vários capítulos, o seu ponto de vista sobre a vitalização da
matéria. No capítulo 1 ele nos diz:
“Compreendeis-me? Nem todos
poderão compreender, pois ignoram o grande princípio do amor; ignoram que a matéria é, em todas as suas formas (até
as menores) sustentada, guiada, organizada pelo espírito (grifo nosso) que,
em diversos graus de manifestação, existe por toda parte”.
No capítulo 51 do mesmo livro, a informação é a
seguinte:
“As três fases do vosso universo são g, b, a. A passagem ocorre da matéria (g), para energia (b) e para o espírito (a). As formas
dinâmicas abrem-se por evolução, não na vida como a entendeis, mas no psiquismo
que é a causa dessa vida. (grifo
nosso) ..................................................................................
Podemos investigar a gênese científica do
princípio espiritual da vida, sem minimizar com isso, de modo algum, a grandeza
e a profundidade divina do fenômeno. A energia é o sopro divino que anima a
matéria, (grifo
nosso) elevando-a a nível mais alto.
O Pentateuco, no capítulo 2º da Gênese, diz:
“O senhor Deus, então formou o homem da lama da terra, e soprou na face
o sopro da vida e o homem foi feito alma vivente”.
A
lama da terra é a matéria inerte, os materiais químicos do mundo
inorgânico. O grande hálito que move e
vivifica a matéria cósmica, isto é: “anemo”, alma, espírito, paixão, turbilhão,
não é apenas acrescentada a ela, mas funde-se com ela. Sabemos que Deus não é
potência exterior, mas reside no
íntimo das coisas, e no íntimo opera, profundamente, na essência. (grifo nosso) Não
atribuais corpo e hálito à Divindade. Compreendei que naquelas palavras não pode
existir mais do que uma humanização simbólica de uma realidade profunda.”
No
livro “Palingênese, a Grande Lei”, o Dr. Jorge Andréa nas páginas 36,
37, 41, 53 e 54 nos ensina o seguinte:
“....todo
ser tem um “Centro-Vital-Irradiante”, de energia unificadora e equilibradora de
seu organismo, em harmônica conjugação com os campos núcleo-citoplasmáticos,
onde as múltiplas e acentuadas reações tem a sua razão de ser com finalidade
precisa.........................................................................................
Assim,
a união dos tecidos em órgãos na formação de um organismo, deve obedecer ao
“Princípio ou Energia-Vital-Central”.
Quando este centro não existe, embora as células se achem unidas, nada
constroem e vivem exclusivamente para si, de modo desordenado, obedecendo aos
seus próprios impulsos, como sói acontecer nas culturas celulares “in
vitro”.............................................................
.......a
célula seria, nada mais, nada menos, do que a condensação das energias
espirituais em expansão e a tela ideal de suas manifestações, por onde, também,
colheria experiências de todos os matizes para a zona espiritual, representando
fator da mais alta expressão no panorama evolutivo.
Os
genes para nós, respondem pela porção terminal da Energética Espiritual e
início das fontes dinâmicas orientadoras no organismo
físico..................................
Formado
o corpo humano e ao atingir seu completo desenvolvimento, possuirá,
aproximadamente, sessenta trilhões de células que se associam de modo perfeito,
cujo mecanismo íntimo ainda escapa aos nossos métodos científicos. Nestas células processam-se grandiosos
fenômenos químico-físicos, expressões de comando energético bem definido nas
formas mais sutis e perfeitas que nenhuma técnica, até hoje, conseguiu
imitar. Tudo, resultado das premissas
estabelecidas pela Energética Espiritual responsável direta pela morfogênese.
Nas
fases acima catalogadas, aqui e ali, presenciam-se verdadeiras recapitulações
da evolução filogenética da série animal, avisando-nos de que não é só
morfogênese da espécie a meta a ser atingida; além das formas exteriores, existe
algo mais que possibilita sulcos e lapidações, na organização física em
formação, cuja tradução mais lógica seria a existência, também, da genealogia
da energia vital – o Espírito.”
No
Evangelho de João 6.63 Jesus nos ensina que: “O espírito é que vivifica, a
carne para nada serve. As palavras que vos disse são espírito e vida.”
COMENTÁRIOS
A
visão que muitos de nós temos, com base naquilo que geralmente nos foi e é
transmitido pelos instrutores da Doutrina Espírita é que quando nascemos
recebemos um “estoque” de Fluido Vital.
Tal “estoque” é aquele necessário a duração daquela reencarnação. Recebemos também a informação de que quando
este “estoque” acaba o corpo físico morre e o Espírito então volta ao mundo
espiritual mas que, em alguns casos especiais, poderemos receber um “estoque”
adicional desse Fluido para que nosso corpo físico possa continuar vivo por
mais tempo.
Através
de varias das transcrições acima, verificamos de forma clara, que o homem,
desde eras remotas, já procurava conhecer como a matéria era animada. Provavelmente se perguntava: O que será
aquilo que o animal e o homem possuem que lhes dá o movimento necessário a sua
existência no mundo? O que acontece de
diferente quando, de repente, tal movimento cessa e tanto o animal como o
homem, não respondem a qualquer estímulo? A conclusão natural a que nossos
ancestrais chegaram, foi pensarem que deveria haver algo que animava aqueles
seres e que, quando esse “algo” cessava de atuar, os seres ficavam imóveis.
Naquele momento descobriram os fenômenos da vida e da morte.
No
Bhagavad Gita, capítulo 13 podemos constatar a crença na existência de uma força
animadora da matéria:
Versículo
20 – Sabe também que tanto a matéria
como o espírito são sem princípio (grifo nosso) e que os atributos da
Natureza têm origem na própria Natureza.
Versículo
21 – Atua a matéria em virtude do seu poder interno, construindo formas
mutáveis; o espírito que nela habita e a
fecunda (grifo nosso) faz com que ela experimente prazer ou sofrimento.
Os
Teosofistas, segundo Helena Blavatsky e os Vitalistas acreditam também, nessa
força vitalizante
.
O
médico alemão Dr. Stahl, aparentemente foi um dos primeiros cientistas a
atribuir à alma a tarefa de animar a matéria.
No
Livro dos Espíritos voltamos a ver a crença na existência de uma força,
independente da alma, - o Princípio Vital – sendo responsável pela animação da
matéria.
Com
o passar dos anos e a evolução do pensamento Espírita, Emmanuel nos instrui de uma forma muito clara
sobre “a ação criadora e plasmadora do corpo espiritual sobre os elementos
físicos.” Sabemos que o Corpo
Espiritual (Perispírito) é plasmado pelo Corpo Mental que é segundo André Luiz,
o envoltório sutil da mente e sede do Espírito, logo, é o Espírito o Grande
Maestro de todo o processo.
Nos
dois livros, “A Grande Síntese” e “Palingênese, A Grande Lei”, a instrução de
Emmanuel é esclarecida sobejamente pelos autores.
Esclarecido,
sem sombra de dúvida, de que é o Espírito o Grande Maestro da vida e que o
Princípio Vital nada mais é do que sua força “animista”, a lógica nos leva a
concluir que, quando o corpo físico morre é porque o Espírito o abandonou ou
deixou de atuar sobre ele. (A resposta à pergunta 68 do Livro dos Espíritos nos
dá uma visão diferente.) Logo, o corpo físico morre porque a matéria não tem vida própria. O que é, então, que acontece com a matéria
abandonada por esse Espírito? Sabemos
que cada átomo e cada célula possuem seu próprio Princípio Inteligente. A matéria, portanto, na realidade não morre,
ela continua animada pelo seu próprio Princípio Inteligente vivendo de uma
forma isolada e continuando num processo de destruição/transformação
evolutiva. Mas como evolutiva? Sabemos que na Lei não há retroação, logo,
aqueles átomos ou células só poderão caminhar para frente na sua destinação de
tomar consciência de sua perfeição.
O
abandono do corpo físico por parte do Espírito também não é acidental. A época de tal abandono faz parte do
planejamento reencarnatório que tal Espírito negociou com a Espiritualidade
Maior. Desse planejamento, onde o
nascimento está perfeitamente estabelecido em termos de momento, pais etc. e,
baseando-nos no que nos ensina Emmanuel no sentido de que é o Espírito que
vivifica a matéria, o raciocínio lógico nos diz que quando ele, Espírito, decide,
consciente ou inconscientemente, não mais vivificar seu corpo físico o mesmo
morre. Dentro também desse raciocínio,
esse momento poderá ser estendido ou antecipado dependendo do cuidado que o
Espírito tenha com o referido corpo físico e o aprendizado conseguido naquela reencarnação.
De
uma forma análoga, podemos descrever todo o processo acima como o funcionamento
de uma grande orquestra Sinfônica. Os
músicos são auto suficientes em relação aos instrumentos que tocam. Se, cada um deles fosse tocar seu instrumento
de uma forma individual, o caos estaria instalado na orquestra. Aliás, isto é o
que vemos quando os músicos afinam seus instrumentos antes do início do
espetáculo. Assim, é necessária a
presença do maestro para que o conjunto funcione de uma forma harmônica, porque
ele, o maestro, dita o que orquestra vai tocar e dita, também, como cada
instrumento vai se comportar. No momento
em que o maestro decide ir embora, toda a harmonia orquestral deixa de existir
e cada músico volta a ter sua função individual própria.
Somos
de opinião, portanto, que o Espírito é o responsável pela vitalização da
matéria, através de seus Perispíritos. O corpo humano é constituído de
elementos individuais, cada um deles, - átomos, células, órgãos – são
possuidores de seus próprios Princípios Inteligentes, mas que obedecem ao
comando daquela inteligência maior que é o Espírito. Esses princípios Inteligentes atuam juntos
obedecendo as leis de Sociedade e principalmente a do Amor.
Finalmente,
nossa crença é que sendo o Espírito o regente de sua caminhada de retorno à
Deus, estão sob sua regência, os fenômenos de Nascimento e Morte do Corpo
Físico.
