terça-feira, 21 de julho de 2015

FLUIDO VITAL



FLUIDO VITAL

 

 

A crença na existência de uma energia que seria responsável pela vitalização de toda a matéria, é milenar.  Ao longo do tempo, no entanto, tal crença foi objeto de estudos e questionamentos de filósofos, religiosos e cientistas, os quais chegaram a interpretações, as mais diversas, sobre o assunto.  No presente trabalho apresentamos esses vários entendimentos e seus respectivos autores.  Ao final tentaremos fazer uma análise das várias opiniões, apresentando aquela que nos parece mais compatível com os nossos conhecimentos atuais.   

 

No Bhagavad Gita (*) é mencionado o Prana como essa energia vital.  Ela é  definida, no livro referido, pelo tradutor Huberto Rohden, pág. 164, como sendo o “Alento de vida, energia vital.  A vida que impregna todo corpo vivo, do mais insignificante ao mais complexo.  É a porção da vida universal, onipresente, eterna, indestrutível, individualizada ou assimilada a um corpo em particular; quando esse corpo morre, o Prana volta ao oceano da vida cósmica.”

 

(*) O Bhagavad Gita (Canto do Senhor ou Canção Sublime) é o sexto dos 18 livros que compõem o Mahabharata que é o grande poema épico da cultura indiana. O Bhagavad Gita descreve, em forma de diálogo entre Krishna e Arjuna, a inquietação metafísica e a tragicidade da condição humana, na véspera de terrível batalha.  O Mahabharata, por sua vez é comparável ao “Novo Testamento” sendo o Bhagavad Gita, por seu lado, comparado ao “Evangelho”.   O Mahabharata faz parte dos  Vedas escrito, segundo alguns autores, 4.000 A.C  segundo outros 8.000 A.C. e ainda outros 80.000 A. C.

 

Vejamos agora o que nos diz Helena Blavatsky no volume III, pág.119, de seu livro “A Doutrina Secreta”: “O “Pai” do homem físico primitivo, ou do seu corpo, é o Princípio Elétrico Vital que reside no Sol.  A Lua é sua “Mãe”, por causa do misterioso poder que possui e que exerce uma influência tão marcante na gestação e na geração humana, que ela preside, como também no crescimento das plantas e dos animais.  O “vento” ou Éter, que no caso tem o papel de agente transmissor, por intermédio do qual essas influências são transportadas e descem dos dois astros, disseminando-se pela Terra, é mencionado como a “Nutriz” , mas só o “Fogo Espiritual” faz do homem uma entidade divina perfeita.” (grifo nosso).

 

No livro “Arquitetura Cósmica” de Gilson Freire, Capítulo 1 da parte III, pag. 101, sob o título de “A Morte do Vitalismo”, nos é transmitido o seguinte:

 

“Aqueles que acreditam que os seres são regidos pela sorte e pelo acaso, ou que são mantidos juntos por causas meramente corporais, esses estão distantes de Deus e da idéia de unidade.  Plotino (séc. II d.C. – Tratado das Enéadas).

 

Todos os pensadores da antiguidade concebiam a vida como uma diferenciada obra de Deus a qual se mantinha ativa graças à interposição de um especial elemento imaterial, a alma, que a tudo vivifica, pensamento denominado vitalismo.

Grandes pensadores vitalistas deixaram os seus nomes registrados na história, como Hipócrates e Aristóteles na Grécia antiga, Avicena, Venetus, Paracelsus, Santo Agostinho e São Tomás de Aquino na Idade Média e Ernesto Stahl, Leibniz, Joseph Barthez e Hahnneman na era Moderna. Eles admitiam a existência desse ente sutil, a alma ou espírito, (grifo nosso) animando todos os seres viventes.  E facilmente compreendiam tal entidade como algo independente do corpo, com ele formando uma unidade somente enquanto vivia, dele se separando após a morte.”

 

O médico alemão Georges Ernest Stahl, que viveu de 1660 a 1734, também adepto do Vitalismo, batizou-o com o nome de Animismo definindo-o assim: “Aristóteles, S. Tomás de Aquino e a maior parte dos espiritualistas não admitem no homem dois princípios de vida.  Afirmam que além da sua atividade plenamente consciente e propriamente psicológica, a alma inteligente possui também a faculdade de presidir às funções fisiológicas.  De maneira que a alma é o único princípio de toda atividade vital do homem, da sua vida vegetativa e sensitiva, como também da sua vida propriamente espiritual

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O animismo é portanto verdadeiro; e, por conseguinte, devemos admitir que a alma racional é por si mesma o único e imediato princípio da vida do homem.” (Fonte: Manual de Filosofia, Livro Terceiro, Psicologia Racional, O Animismo, Pag. 733 de C. Lahr).


 

Paul Joseph Barthez, médico francês, nascido em Montpellier, viveu de 1734 a 1806, foi um dos adeptos do Vitalismo.  Diferentemente de seus antecessores, no entanto, acreditava, ele e seus seguidores, que os fenômenos da vida eram devidos a um princípio vital distinto das forças psíco-químicas e da alma.

 A alma não podia ser o princípio que comandava as funções fisiológicas, por conseguinte, era necessário que houvesse um princípio vital.  Na defesa dessa idéia, ele se fundamentava em três princípios:

1 – As diferenças profundas que distinguem os fatos fisiológicos dos psicológicos.

2 – A oposição que se nota entre as tendências da vida animal e as aspirações da vida espiritual.

3 – A alma tem consciência dos fenômenos psicológicos e não tem consciência alguma dos fatos fisiológicos. (Fonte: Manual de Filosofia, livro Terceiro, Psicologia Racional, Teoria do Princípio Vital, Pag. 732 de C. Lahr)

 

 

A Doutrina Espírita, no “Livro dos Espíritos” de Allan Kardec, apresenta as perguntas sobre o assunto, que foram assim respondidas pelos Espíritos: 

Perg. 62.  Qual a causa da animalização da matéria? 

Sua união com o princípio vital.

Perg. 63.  O princípio vital reside nalgum agente particular ou é simplesmente uma propriedade da matéria organizada? Numa palavra, é efeito, ou causa? 

Uma e outra coisa.  A vida é efeito devido à ação de um agente sobre a matéria.  Esse agente, sem a matéria, não é vida, do mesmo modo que a matéria não pode viver sem esse agente.  Ele dá a vida a todos os seres que o absorvem e assimilam.

Perg. 67.  A vitalidade é atributo permanente do agente vital, ou se desenvolve tão-só pelo funcionamento dos órgãos?

Ela não se desenvolve senão com o corpo.  Não dissemos que esse agente sem a matéria não é vida?  A união dos dois é necessária para produzir a vida”.

a)     – Poder-se-á dizer que a vitalidade se acha em estado latente, quando o agente vital não está unido ao corpo?

     Sim, é isso.

 

O conjunto dos órgãos constitui uma espécie de mecanismo que recebe impulsão da atividade íntima ou princípio vital que entre eles existe.  O princípio vital é a força motriz dos corpos orgânicos.  Ao mesmo tempo que o agente vital dá impulsão aos órgãos, a ação destes entretém e desenvolve a atividade daquele agente, quase como sucede com o atrito, que desenvolve o calor.

 

Perg. 70.  Que é feito da matéria e do princípio vital dos seres orgânicos, quando estes morrem?

A Matéria inerte se decompõe e vai formar novos organismos.  O princípio vital volta à massa (grifo nosso) donde saiu.

 

A Revista Espírita de Março de 1866, no capítulo V (página 72) do estudo “Introdução ao Estudo dos Fluidos Espirituais” onde é discutida a necessidade da existência ou não do Perispírito, nos  informa o seguinte:

 

“O perispírito é uma dessas engrenagens mais importantes da economia; a ciência o observou em alguns de seus efeitos, e, alternativamente, designou-o sob os nomes de fluido vital, fluido ou influxo nervoso, fluido magnético, eletricidade animal (grifo nosso), sem se dar conta precisa de sua natureza e de suas propriedades, e ainda  menos de sua origem.”

 

Vemos pelas transcrições acima que a palavra Vitalismo era utilizada, desde a mais remota antiguidade, para definir aquilo que dava vida a matéria.  Inicialmente filósofos e estudiosos entenderam que esse agente era gerado pela alma ou espírito. A partir do século XIX começou a ser questionado se tal agente era espiritual ou material. O médico Paul Joseph Barthez deve ter sido um dos primeiros a afirmar que a vida da matéria não podia ter a sua origem na alma ou espírito. A partir daí, a abordagem do assunto passou a ser feita, cada vez mais, a partir do ponto de vista científico.  Assim é que o químico alemão Friederich Wohler, em 1828, conseguiu produzir uréia em laboratório o que até então só era sintetizada pelos seres vivos.  Em 1843 o famoso fisiologista francês, Claude Bernard, concluiu pela inexistência de qualquer força de natureza espiritual atuando no interior do homem, de forma invisível ou imaterial.  Estava provado que todas as energias atuantes na unidade orgânica eram de natureza físico-químicas e poderiam ser conhecidas e copiadas.  Em 1872, Louis Pasteur afirmava que a vida somente podia se reproduzir a partir de outra vida e não por prodigiosa interferência de Deus.  Embora suas descobertas muito tenham contribuído para o crescimento da biologia, elas foram decisivas também para se romper a crença da origem sagrada da vida.  Deus passou a não fazer falta para criar, pois a vida replicava em qualquer lugar que lhe oferecesse condições favoráveis, proibindo-se ao Altíssimo o ato de gerar simplesmente do nada. (Fonte: “Arquitetura Cósmica “ de Gilson Freire, conforme citação anterior, pag.101/102).

 

Quando Kardec recebeu as informações para a publicação do “O Livro dos Espíritos”, a primeira versão em 1857 e a segunda em 1860, as opiniões vigentes sobre o Princípio Vital eram conflitantes. Não é surpresa então que ele tivesse optado por seguir a opinião mais difundida na época e que deve ter sido a ele transmitida  pelos  Espíritos na ocasião, i.e., de que o princípio vital  se encontrava na própria matéria.  Seis anos mais tarde, ou seja, em 1866 vemos que a visão apresentada na Revista Espírita coloca o assunto no seu devido lugar, quando define que o agente de tal fluido é o Perispírito e conseqüentemente o Espírito.  Essa posição é também a de Emmanuel, como veremos a seguir.

 

Em seu livro “Emmanuel” de 1938, psicografado por Francisco Cândido Xavier, Emmanuel nos diz, nos capítulos XXIV e XXV, o seguinte sobre o princípio vital:

“..............., há uma força inerente aos corpos organizados, que mantém coesas as personalidades celulares, sustentando-se dentro das particularidades de cada órgão, presidindo aos fenômenos partenogenéticos de sua evolução, substituindo, através da segmentação, quantas delas se consomem nas secreções glandulares, no trabalho mantenedor da atividade orgânica.


Essa força é o que denominais princípio vital, essência fundamental que regula a existência das células vivas, e no qual elas se banham constantemente, encontrando assim a sua necessária nutrição, força que se encontra esparsa por todos os escaninhos do universo orgânico, combinada às substâncias minerais, azotadas e ternárias, operando os atos nutritivos de todas as moléculas. ......................................................................................................................


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Essa força ativa e regeneradora, de cujo enfraquecimento decorre a ausência de tônus vital, precursor da destruição orgânica, é simplesmente a ação criadora e plasmadora do corpo espiritual sobre os elementos físicos. (grifo nosso)

O corpo espiritual não retém somente a prerrogativa de constituir a fonte (grifo nosso) da misteriosa força plástica da vida, a qual opera a oxidação orgânica; é também ele sede das faculdades, dos sentimentos, da inteligência e, sobretudo, o santuário da memória, em que o ser encontra os elementos comprobatórios da sua identidade, através de todas as mutações e transformações da matéria..........................................................................................................

É, pois, o corpo espiritual a alma fisiológica, assimilando a matéria a seu molde, à sua estrutura, afim de materializar-se no mundo palpável (grifo nosso)......................................

A matéria não organiza, é organizada .(grifo nosso)  E não representa senão uma modalidade de energia esparsa no Universo.  Os seus elementos não fazem outra coisa senão submeter-se às injunções do Espírito; e é a soberana influência deste último que elucida todos os problemas intrincados dos seres e dos destinos.  É ao seu apelo, cedendo aos seus desejos, que todas as matérias brutas se vêm rarefazendo, oferecendo aspectos novos e delicados.” (grifo nosso)

 

No seu livro “A Grande Síntese”, Pietro Ubaldi apresenta, em vários capítulos, o seu ponto de vista sobre a vitalização da matéria.  No capítulo 1 ele nos diz:

“Compreendeis-me?  Nem todos poderão compreender, pois ignoram o grande princípio do amor; ignoram que a matéria é, em todas as suas formas (até as menores) sustentada, guiada, organizada pelo espírito (grifo nosso) que, em diversos graus de manifestação, existe por toda parte”.


 

 No capítulo 51 do mesmo livro, a informação é a seguinte:


 

 “As três fases do vosso universo são g, b, a.  A passagem ocorre da matéria (g), para energia (b) e para o espírito (a).  As formas dinâmicas abrem-se por evolução, não na vida como a entendeis, mas no psiquismo que é a causa dessa vida. (grifo nosso) ..................................................................................


Podemos investigar a gênese científica do princípio espiritual da vida, sem minimizar com isso, de modo algum, a grandeza e a profundidade divina do fenômeno.  A energia é o sopro divino que anima a matéria, (grifo nosso) elevando-a a nível mais alto.  O Pentateuco, no capítulo 2º da Gênese, diz:


 

        “O senhor Deus, então formou o homem da lama da terra, e soprou na face o sopro da vida e o homem foi feito alma vivente”.


 

A lama da terra é a matéria inerte, os materiais químicos do mundo inorgânico.  O grande hálito que move e vivifica a matéria cósmica, isto é: “anemo”, alma, espírito, paixão, turbilhão, não é apenas acrescentada a ela, mas funde-se com ela.  Sabemos que Deus não é potência exterior, mas reside no íntimo das coisas, e no íntimo opera, profundamente, na essência. (grifo nosso) Não atribuais corpo e hálito à Divindade.  Compreendei que naquelas palavras não pode existir mais do que uma humanização simbólica de uma realidade profunda.”

 

No livro “Palingênese, a Grande Lei”, o Dr. Jorge Andréa nas páginas 36, 37, 41, 53 e 54 nos ensina o seguinte:

“....todo ser tem um “Centro-Vital-Irradiante”, de energia unificadora e equilibradora de seu organismo, em harmônica conjugação com os campos núcleo-citoplasmáticos, onde as múltiplas e acentuadas reações tem a sua razão de ser com finalidade precisa.........................................................................................

Assim, a união dos tecidos em órgãos na formação de um organismo, deve obedecer ao “Princípio ou Energia-Vital-Central”.  Quando este centro não existe, embora as células se achem unidas, nada constroem e vivem exclusivamente para si, de modo desordenado, obedecendo aos seus próprios impulsos, como sói acontecer nas culturas celulares “in vitro”.............................................................

.......a célula seria, nada mais, nada menos, do que a condensação das energias espirituais em expansão e a tela ideal de suas manifestações, por onde, também, colheria experiências de todos os matizes para a zona espiritual, representando fator da mais alta expressão no panorama evolutivo.

Os genes para nós, respondem pela porção terminal da Energética Espiritual e início das fontes dinâmicas orientadoras no organismo físico..................................

Formado o corpo humano e ao atingir seu completo desenvolvimento, possuirá, aproximadamente, sessenta trilhões de células que se associam de modo perfeito, cujo mecanismo íntimo ainda escapa aos nossos métodos científicos.  Nestas células processam-se grandiosos fenômenos químico-físicos, expressões de comando energético bem definido nas formas mais sutis e perfeitas que nenhuma técnica, até hoje, conseguiu imitar.  Tudo, resultado das premissas estabelecidas pela Energética Espiritual responsável direta pela morfogênese.

Nas fases acima catalogadas, aqui e ali, presenciam-se verdadeiras recapitulações da evolução filogenética da série animal, avisando-nos de que não é só morfogênese da espécie a meta a ser atingida; além das formas exteriores, existe algo mais que possibilita sulcos e lapidações, na organização física em formação, cuja tradução mais lógica seria a existência, também, da genealogia da energia vital – o Espírito.”

 

No Evangelho de João 6.63 Jesus nos ensina que: “O espírito é que vivifica, a carne para nada serve. As palavras que vos disse são espírito e vida.”

 

COMENTÁRIOS


 

A visão que muitos de nós temos, com base naquilo que geralmente nos foi e é transmitido pelos instrutores da Doutrina Espírita é que quando nascemos recebemos um “estoque” de Fluido Vital.  Tal “estoque” é aquele necessário a duração daquela reencarnação.  Recebemos também a informação de que quando este “estoque” acaba o corpo físico morre e o Espírito então volta ao mundo espiritual mas que, em alguns casos especiais, poderemos receber um “estoque” adicional desse Fluido para que nosso corpo físico possa continuar vivo por mais tempo.

 

Através de varias das transcrições acima, verificamos de forma clara, que o homem, desde eras remotas, já procurava conhecer como a matéria era animada.  Provavelmente se perguntava: O que será aquilo que o animal e o homem possuem que lhes dá o movimento necessário a sua existência no mundo?  O que acontece de diferente quando, de repente, tal movimento cessa e tanto o animal como o homem, não respondem a qualquer estímulo? A conclusão natural a que nossos ancestrais chegaram, foi pensarem que deveria haver algo que animava aqueles seres e que, quando esse “algo” cessava de atuar, os seres ficavam imóveis. Naquele momento descobriram os fenômenos da vida e da morte.

 

No Bhagavad Gita, capítulo 13 podemos constatar a crença na existência de uma força animadora da matéria:

Versículo 20 – Sabe também que tanto a matéria como o espírito são sem princípio (grifo nosso) e que os atributos da Natureza têm origem na própria Natureza.

Versículo 21 – Atua a matéria em virtude do seu poder interno, construindo formas mutáveis; o espírito que nela habita e a fecunda (grifo nosso) faz com que ela experimente prazer ou sofrimento.

 

Os Teosofistas, segundo Helena Blavatsky e os Vitalistas acreditam também, nessa força vitalizante

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O médico alemão Dr. Stahl, aparentemente foi um dos primeiros cientistas a atribuir à alma a tarefa de animar a matéria.

 

No Livro dos Espíritos voltamos a ver a crença na existência de uma força, independente da alma, - o Princípio Vital – sendo responsável pela animação da matéria.

 

Com o passar dos anos e a evolução do pensamento Espírita,  Emmanuel nos instrui de uma forma muito clara sobre “a ação criadora e plasmadora do corpo espiritual sobre os elementos físicos.”  Sabemos que o Corpo Espiritual (Perispírito) é plasmado pelo Corpo Mental que é segundo André Luiz, o envoltório sutil da mente e sede do Espírito, logo, é o Espírito o Grande Maestro de todo o processo.

 

Nos dois livros, “A Grande Síntese” e “Palingênese, A Grande Lei”, a instrução de Emmanuel é esclarecida sobejamente pelos autores.

 

Esclarecido, sem sombra de dúvida, de que é o Espírito o Grande Maestro da vida e que o Princípio Vital nada mais é do que sua força “animista”, a lógica nos leva a concluir que, quando o corpo físico morre é porque o Espírito o abandonou ou deixou de atuar sobre ele. (A resposta à pergunta 68 do Livro dos Espíritos nos dá uma visão diferente.) Logo, o corpo físico morre porque a matéria não tem vida própria.  O que é, então, que acontece com a matéria abandonada por esse Espírito?  Sabemos que cada átomo e cada célula possuem seu próprio Princípio Inteligente.  A matéria, portanto, na realidade não morre, ela continua animada pelo seu próprio Princípio Inteligente vivendo de uma forma isolada e continuando num processo de destruição/transformação evolutiva.  Mas como evolutiva?  Sabemos que na Lei não há retroação, logo, aqueles átomos ou células só poderão caminhar para frente na sua destinação de tomar consciência de sua perfeição.

O abandono do corpo físico por parte do Espírito também não é acidental.  A época de tal abandono faz parte do planejamento reencarnatório que tal Espírito negociou com a Espiritualidade Maior.  Desse planejamento, onde o nascimento está perfeitamente estabelecido em termos de momento, pais etc. e, baseando-nos no que nos ensina Emmanuel no sentido de que é o Espírito que vivifica a matéria, o raciocínio lógico nos diz que quando ele, Espírito, decide, consciente ou inconscientemente, não mais vivificar seu corpo físico o mesmo morre.  Dentro também desse raciocínio, esse momento poderá ser estendido ou antecipado dependendo do cuidado que o Espírito tenha com o referido corpo físico e o aprendizado conseguido naquela reencarnação.

 

De uma forma análoga, podemos descrever todo o processo acima como o funcionamento de uma grande orquestra Sinfônica.  Os músicos são auto suficientes em relação aos instrumentos que tocam.  Se, cada um deles fosse tocar seu instrumento de uma forma individual, o caos estaria instalado na orquestra. Aliás, isto é o que vemos quando os músicos afinam seus instrumentos antes do início do espetáculo.  Assim, é necessária a presença do maestro para que o conjunto funcione de uma forma harmônica, porque ele, o maestro, dita o que orquestra vai tocar e dita, também, como cada instrumento vai se comportar.  No momento em que o maestro decide ir embora, toda a harmonia orquestral deixa de existir e cada músico volta a ter sua função individual própria.

 

Somos de opinião, portanto, que o Espírito é o responsável pela vitalização da matéria, através de seus Perispíritos. O corpo humano é constituído de elementos individuais, cada um deles, - átomos, células, órgãos – são possuidores de seus próprios Princípios Inteligentes, mas que obedecem ao comando daquela inteligência maior que é o Espírito.  Esses princípios Inteligentes atuam juntos obedecendo as leis de Sociedade e principalmente a do Amor.

Finalmente, nossa crença é que sendo o Espírito o regente de sua caminhada de retorno à Deus, estão sob sua regência, os fenômenos de Nascimento e Morte do Corpo Físico.

 

 

 

Grupo de Estudos Joanna de Angelis

A/C: Francisco Fortes

FLUIDO CÓSMICO UNIVERSAL


FLUIDO CÓSMICO UNIVERSAL




INTRODUÇÃO


A crença na existência do Fluido Cósmico Universal já era uma realidade entre os hindus há cerca de 10.000 anos.  A doutrina hinduísta já então estabelecia que do Deus Brahman derivam dois princípios; o Purusha, princípio espiritual (princípio inteligente – Espírito) e Prakriti, substância cósmica primordial (fluido cósmico universal – Matéria).  Prakriti, vista como a substância cósmica primordial de que evolui o Universo, não se compõe, em seu estado inicial, de partículas (átomos), mas somente depois que se assimila a Purusha (princípio inteligente, Espírito). Com este influxo ordenador do Espírito, passa assim a representar Prakriti a Criação, a natureza, os seres.” (O Livro dos Fluidos, pág. 73, pelos Espíritos de Eurípedes Barsanulfo, Ismael Alonso e Miguel de Alcântara, psicofonia de João Berbel).


No Tibete vemos o FCU, em suas várias manifestações, sendo utilizado pelas mentes altamente desenvolvidas dos Lamas para comunicação com a Espiritualidade Superior e para arte de curar.


Na escola de Menfis no Egito, Ptah era também, nos primórdios do Egito, chamado Senhor dos novos Espíritos manifestantes e totalidade do fluido primordial. Ptah era assim como aquilo que hoje se chama fluido cósmico universal, a sua origem ou força criadora.  Mas também era a consciência ou força que cria o duplo universo.” (Obra citada, pág. 101/102)


Na Grécia, o filósofo Aristóteles falava do éter como sendo matéria cósmica. 


“Em 1678 o físico holandês Christian Huygens (1629-1695) usou pela primeira vez na Física a palavra éter para nomear o espaço em que se movem as ondulações da luz, .......” (Obra citada, pág.34).


“Há muito feneceu na Ciência a época empírica dos fluidos etéreos. A linguagem agora é outra: elétrons, átomos, correntes, radiações.  Pode-se dizer, porém, que é um sentido só aparentemente contrário aos primitivos ensaios da ciência, que emergira de idéias sintéticas, macroscópicas, de um mundo fluídico sutil, e que agora, por outras vias e na ordem analítica e microcósmica, acaba por alcançar a mesma e cada vez mais evidente sutileza que houvera descartado em nome da objetividade na abordagem da matéria.” (Obra citada, pág. 47).


Em seu livro “Tao da Física”, na página 67, Fritjof Capra nos dá a visão mais atual da  ciência a respeito daquilo que chamamos matéria.  “Todas as partículas podem ser transmutadas em outras partículas; elas podem ser criadas da energia e podem desfazer-se em energia.  Nesse mundo, conceitos clássicos como “partículas elementares”, “substância material” ou “objeto isolado” perderam qualquer significado.  A totalidade do universo aparece-nos como uma tela dinâmica de padrões inseparáveis de energia”. 


Pelos comentários e transcrições acima fica claro que a idéia da existência de um veículo através do qual a Divindade exerce a sua força criadora no Universo é fato inquestionável, muito embora a ciência não tenha ainda podido comprovar a sua existência, mas isto é apenas uma questão de tempo.  Podemos, no entanto encontrar afirmações como a do físico alemão Max Planck, idealizador da Física Quântica, que nos diz o seguinte:  “Como físico e ainda homem que dedicou toda sua vida à ciência objetiva para perquirição sobre a matéria, posso sem dúvida não temer que me considerem um fanático.  Por isso posso livremente afirmar, após meus longos estudos sobre o átomo, que não existe nenhuma matéria em si mesma.  Toda a matéria tem origem e existe somente numa força, a qual faz oscilar as partículas atômicas e as mantém unidas ao microscópico sistema solar do átomo.  Já que, no entanto, no inteiro universo não se encontra nenhuma força inteligente, nem eterna, tal força jamais a humanidade a alcançou, ela cansativamente desejou descobrir o perpetuum móbile (moto perpétuo).  Assim, devemos admitir que por detrás dessa força existe um espírito consciente e inteligente.  Este espírito é preexistente à matéria.  Não é a matéria visível que forma a realidade, o verdadeiro, o concreto, mas sim é o espírito universal e imortal a verdadeira realidade.  A origem última de todas as coisas encontra-se no mundo parafísico.”  (Obra citada, pág.54).


Vejamos agora o que nos informa a Doutrina Espírita a respeito do Fluido Cósmico Universal:


LIVRO DOS ESPÍRITOS

Perg. 27.  Há dois elementos gerais do Universo: a matéria e o Espírito?

Sim e acima de tudo Deus, o criador, o pai de todas as coisas. Deus , espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe, a trindade universal. .......... Se o fluido universal fosse positivamente matéria, razão não haveria para que também o Espírito não o fosse. ........... Esse fluido universal, ou primitivo, ou elementar, sendo o agente de que o Espírito se utiliza, é o princípio sem o qual a matéria estaria em perpétuo estado de divisão e nunca adquiriria as qualidades que a gravidade lhe dá.” (grifo nosso)


Perg. 27 a).  Esse fluido será o que designamos pelo nome de eletricidade?  “Dissemos que ele é suscetível de inúmeras combinações. O que chamais fluido elétrico, fluido magnético, são modificações do fluido universal, que não é, propriamente falando, senão matéria mais perfeita, mais sutil e que se pode considerar independente.” (grifo nosso)


Perg. 28.  Pois que o Espírito é, em si, alguma coisa, não seria mais exato e menos sujeito a confusão dar aos dois elementos gerais designações de –  matéria inerte e matéria inteligente?

 “As palavras pouco nos importam. ........................ “


 Um fato patente domina as hipóteses: vemos matéria destituída de inteligência e vemos um princípio inteligente que independe da matéria.  A origem e a conexão destas duas coisas nos são desconhecidas.  Se promanam ou não de uma só fonte; se há pontos de contacto entre ambas; se a inteligência tem existência própria, ou se é uma propriedade, um efeito; se é mesmo, conforme a opinião de alguns, uma emanação da Divindade, ignoramos. (grifo nosso)  Elas se nos mostram como sendo distintas; daí o considerarmo-las formando os princípios constitutivos do Universo.  Vemos acima de tudo isso uma inteligência que domina todas as outras, que as governa, que se distingue delas por atributos essenciais.  A essa inteligência suprema é que chamamos Deus.


Perg. 79.  Pois que há dois elementos gerais no Universo: o elemento inteligente e o elemento material (grifo nosso), poder-se-á dizer que os Espíritos são formados do elemento inteligente, como os corpos inertes o são do elemento material?  “Evidentemente. Os Espíritos são a individualização do princípio inteligente, como os corpos são a individualização do princípio material.  A época e o modo por que essa formação se operou é que são desconhecidos.”



A GÊNESE


Capítulo XI, item 6.  O princípio espiritual teria a sua origem no elemento cósmico universal?  Seria ele apenas uma transformação, um modo de existência desse elemento, como a luz, a eletricidade, o calor, etc?

Se fosse assim, o princípio espiritual sofreria as vicissitudes da matéria, ele se extinguiria pela desagregação, como o princípio vital; o ser inteligente teria apenas uma existência momentânea como a do corpo, e, ao morrer, retornaria ao nada, ou, o que é equivalente, ao todo universal; isto seria, em uma palavra, a sanção das doutrinas materialistas.


As propriedades sui generis que se reconhecem no princípio espiritual provam que ele tem existência própria, independente, uma vez que, se a sua origem estivesse na matéria, ele não teria essas propriedades.  Desde que a inteligência e o pensamento não podem ser atributos da matéria, chega-se a conclusão, partindo dos efeitos às causas, de que o elemento material e o elemento espiritual (grifo nosso) são os dois princípios que constituem o Universo.  O elemento espiritual individualizado constitui os seres chamados espíritos, assim como o elemento material individualizado constitui os diversos corpos, orgânicos e inorgânicos, da natureza.


Capítulo XI, item 7.  Admitindo-se o ser espiritual, e não podendo ele proceder da matéria, qual é a sua origem, o seu ponto de partida?

Aqui, os meios de investigação são absolutamente inexistentes, assim como em tudo o que diz respeito à origem das coisas.  O homem pode comprovar apenas o que existe, acerca de tudo o mais, ele só pode formular hipóteses; e, seja porque esse conhecimento ultrapasse o alcance da sua inteligência atual (grifo nosso), seja porque, para ele, presentemente, é inútil ou inconveniente possuí-lo, Deus não lho deu nem mesmo através da revelação.


Capítulo XIV, item 2.  Como já foi demonstrado, o fluido cósmico universal é a  matéria (grifo nosso) elementar primitiva, cujas modificações e transformações constituem a inumerável variedade dos corpos da natureza.


Capítulo XIV, item 5.  O ponto de partida do fluido universal é o grau de pureza absoluta, do qual nada pode nos dar idéia.  O ponto oposto é sua transformação em matéria tangível.  Entre esses dois extremos ocorrem inúmeras transformações, que se aproximam mais ou menos de um extremo ou do outro.  Os fluidos mais próximos da materialidade, por conseqüência os menos puros, compõem o que se pode chamar de atmosfera espiritual terrestre. .......................

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A classificação de fluidos espirituais não é rigorosamente exata, uma vez que, definitivamente, eles são sempre matéria mais ou menos quintessenciada.  De espiritual, realmente, só a alma ou princípio inteligente.



EVOLUÇÃO EM DOIS MUNDOS


Primeira Parte, Capítulo I, Fluido Cósmico

PLASMA DIVINO – O fluido cósmico é o plasma divino, hausto do Criador ou força nervosa do Todo-Sábio. (grifo nosso)

Nesse elemento primordial, vibram e vivem constelações e sóis, mundos e seres, como peixes no oceano.


CO-CRIAÇÃO EM PLANO MAIOR – Nessa substância original, ao influxo do próprio Senhor Supremo, operam as Inteligências Divinas a Ele agregadas, em processo de comunhão indescritível, (grifo nosso) os grandes Devas da teologia hindu ou os Arcanjos da interpretação de variados templos religiosos, extraindo desse hálito espiritual (grifo nosso) os celeiros da energia com que constroem os sistemas da Imensidade, em serviço de Co-Criação em plano maior, de conformidade com os desígnios do Todo-Misericordioso, que faz deles agentes orientadores da criação Excelsa.


EMMANUEL


Capítulo XXXIII – ESPÍRITO E MATÉRIA.  Pergunta - Será lícito considerar-se espírito e matéria como dois estados alotrópicos(*) de um só elemento primordial, de maneira a obter-se a conciliação das duas escolas perpetuamente em luta, dualista e monista,  chegando-se a uma concepção unitária do Universo?


Resposta – É licito considerar-se espírito e matéria como estados diversos de uma essência imutável (grifo nosso), chegando-se dessa forma a estabelecer a unidade substancial do Universo.  Dentro, porém, desse monismo físico- psíquico,(grifo nosso) perfeitamente conciliável com a doutrina dualista, faz-se preciso considerar a matéria como estado negativo e o espírito como estado positivo dessa substância (grifo nosso).  O ponto de integração dos dois elementos estreitamente unidos em todos os planos de nosso relativo conhecimento, ainda não o encontramos.


A ciência terrena, no estudo das vibrações, chegará a conceber a unidade de todas as forças físicas e psíquicas do Universo (grifo nosso).  O homem, porém, terá sempre um limite nas suas investigações sobre a matéria e o movimento.  Esse limite é determinado por leis sábias e justas, mas, cientificamente poderemos classificar esse estado inibitório como oriundo da estrutura do seu olho e da insuficiência das suas faculdades sensoriais.



(*) alotrópico – Propriedade em virtude da qual um corpo simples pode apresentar-se em estados diversos, a cada um dos quais correspondem, propriedades químicas diferentes. (Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa de Caldas Aulete).



COMENTÁRIOS



Vimos pelas transcrições efetuadas na introdução, que o Fluido Cósmico Universal, já tinha a sua existência reconhecida em eras bem remotas de nossa civilização sendo que os dois princípios, espiritual e material, nele se entrelaçavam.   Vimos também que a ciência sem ainda comprovar a sua existência, caminha nessa direção.  Afirmações de cientistas como Max Planck comprovam essa nossa afirmativa.


Olhando o assunto sob o ponto de vista da Doutrina Espírita verificamos que no Livro dos Espíritos e na Gênese, o Fluido é apresentado de uma forma a levar a grande maioria dos estudiosos a qualificá-lo, exclusivamente, como de natureza material.


No Livro Evolução em Dois Mundos, André Luiz quando de sua definição do Fluido Cósmico Universal nos mostra, tal Fluido, como sendo material (plasma) e espiritual (hausto e força nervosa).


Já no Livro Emmanuel, Emmanuel é claro quando nos diz que “é lícito considerar-se espírito e matéria como estados diversos de uma essência imutável,.....” .  Com o passar do tempo, portanto, houve um melhor entendimento sobre o assunto.

 

 A ciência, no entanto, dentro de seu princípio de necessidade de experimentação e conseqüente comprovação dos vários fenômenos, continua no seu trabalho de identificação da matéria elementar.  A partir do século XIX, concentrou esforços de pesquisas sobre o assunto. Intensificou o estudo do átomo, do elétron e do núcleo.  Descobriu que o núcleo se dividia em dois outros elementos, o nêutron e o próton.  Indo mais adiante constatou que o próton ainda se dividia em quarks que por sua vez eram formados por preons e richons.  Descobriu que matéria é energia embora energia não seja só matéria.  Descobriu a teoria da relatividade e a quarta dimensão. Estabeleceu que a Física de Newton não se aplicava ao mundo microcósmico.  Nasceu a Física Quântica sem as certezas características da Física Newtoniana.  A Física Quântica não afirma, taxativamente, que determinado elemento estará em um determinado lugar num determinado momento.  Ela constata que, determinados fenômenos tem a probabilidade de acontecer, mas que podem, também, não acontecer.  O interessante é que existem fenômenos que não são palpáveis nem sequer visíveis.  Na maioria das vezes são os resultados de equações matemáticas, extremamente complexas.  Os resultados dessas equações são comprovados pelo resultado final que os elementos, sob análise, executam e pela energia que liberam.   Essa energia é cada vez mais forte na medida em que a matéria vai cada vez mais se rarefazendo.  A ciência está, portanto, caminhando do geral para o particular e tempo virá em que vai conseguir comprovar a existência dessa força que abraça todo o Universo.  Nesse momento descobrirá o espírito.  Sem dúvida, estará ela, então, constatando que essa mesma força transcende à nossa dimensão extrapolando-se a todas aquelas que existem e que ainda fogem ao nosso entendimento.


Mas que força ou elemento é esse? Ele é fluido, força, energia e quando sai de Deus é de uma pureza, potencialidade, complexidade e, ao mesmo tempo, simplicidade que não nos é possível aquilatar. Na medida em que vai sendo transformado pelas “Inteligências Divinas a Ele agregadas” (Evolução em Dois Mundos) vai tomando as diversas formas e condensações necessárias à criação Divina.  Portanto, o Fluido Cósmico Universal, se confunde com Deus, por ser criação de Seu pensamento e por estar Ele ínsito em todas as suas manifestações.



Grupo de Estudos Joanna de Angelis


A/c: Francisco Fortes

sábado, 4 de julho de 2015

ESPÌRITO E ALMA


ESPÍRITO E ALMA

 

 

·        ESPÍRITO

O Espírito creado por Deus é portador da Centelha Divina, logo é Perfeito.  Essa Centelha é idêntica em todos os espíritos já que Deus não faz acepção.  Tal fato, por outro lado, é o que nos caracteriza como irmãos. Segundo C. T. Pastorino, é uma necessidade intrínseca da Centelha, individualizar-se.  Tal individualização é obtida através do exercício  da liberdade de escolha que Deus nos concedeu quando da creação do Espírito.  A afirmação, portanto, de que tal Espírito nunca expressará a total Perfeição porque seria então igual a Deus, é controversa.  Essa abordagem não leva em consideração que nós Espíritos não estamos apartados/separados de Deus - ELE está em nós e nós estamos NELE. Somos emanação do Seu pensamento, todo pensamento permanece no pensador mesmo quando irradiado para o ser pensado, continuamos, portanto, ligados a Ele.  Temos DEUS completo em cada um de nós.  Jesus já afirmava isso quando nos disse que “Eu e o Pai somos Um e as obras que Eu faço não sou Eu que as faz mas o Pai que está em mim”.          

É interessante notar que A. Kardec quando endereçou a pergunta 621 aos Espíritos, provavelmente tinha em mente esclarecer essa questão:

 

“Pergunta 621: Onde está escrita a Lei de Deus?

 

Na Consciência”.

 

 A Lei é Deus, logo, é sinônimo de Perfeição.  A resposta confirma que somos Perfeitos pois a Lei/Perfeição já está em nós. Outro aspecto é que na pergunta e na resposta não existem limitações quanto à extensão da Lei, logo, ela é total.

 

Na resposta à pergunta 115 do LE, os Espíritos nos informaram que O Espírito foi creado por Deus Simples e Ignorante.

Simples é igual aPuro e Perfeito” e Ignorante se traduz como o desconhecimento daquilo que ele não sabe - as imperfeições e negatividades.

 

Pelas abordagens acima, o Espírito - individualização da Centelha Divina - não teria necessidade de encarnar.  Ocorre, porém, que após a sua creação, sua frequência vibratória, que estava na faixa da Divindade, começa a cair e segue nesse ritmo até atingir de 1 a 16 ciclos por segundo quando então estaciona na matéria, no mineral.  Existem especulações a respeito da razão de tal afastamento sendo que já foram apresentadas diversas razões justificando-a. Não especularemos sobre o tema no presente estudo.  O mineral – primeiro estágio de retorno - é “atração” como nos diz Emmanuel na resposta à pergunta 79 do livro “O Consolador”.   Inicia-se, a partir daí, a viagem de retorno do Espírito a sua origem, mediante o esforço de recordar-se de sua perfeição, usando para isso seus erros e acertos. Essa caída na matéria  é a primeira e gigantesca imperfeição  que o Espírito experimenta não por vontade de Deus mas por escolha própria do Espírito. (vide  a Parábola do Filho Pródigo)

 
                              

                                     

No quadro acima a individualização do Espírito ocorre depois de sua passagem pelos reinos mineral, vegetal e animal. C. Pastorino, no entanto, nos diz que a necessidade de se individualizar é uma das características da Centelha Divina; “Ora, quando o Raio Espiritual, dotado de Mente Inteligente – o que é natural, por causa da Fonte de onde proveio que é a Inteligência universal – parte de seu Foco, automaticamente esse Raio baixa suas vibrações e se torna INDIVIDUAL (ESPÍRITO)”  ( “Sabedoria do Evangelho” Vol. 1, página 22 ).

 

 

ALMA

C.Torres Pastorino, no Volume 4, páginas 55 e 56 de seu livro Sabedoria do Evangelho, nos informa que o pneuma (Espírito), quando já no Reino Hominal,  passa a denominar-se  Psychê ou Alma.  “Nesse ponto o pneuma já passa a denominar-se psychê ou ALMA.  Esta pode considerar-se sob dois aspectos primordiais: a diánoia (intelecto) que é o “reflexo” da mente, e a psychê propriamente dita isto é, o CORPO ASTRAL, sede das emoções.”.  Na página 18 do Volume 1, somos também informados que o Intelecto é denominado também de mente concreta porque age no cérebro físico e através dele”.

O quadro a seguir ilustra de maneira clara o posicionamento da ALMA segundo esse entendimento:

 

 
TRÍADE SUPERIOR
Centelha Divina
 
CRISTO INTERNO
 
INDIVIDUALIDADE
Espírito
Mente Espiritual
 
QUATERNÁRIO
INFERIOR
Intelecto
ALMA
 
PERSONALIDADE
Corpo Astral
Duplo Etérico
 
Corpo Físico

 

A Alma, portanto, é o somatório do Intelecto e do Corpo Astral, dois componentes do setenário que constitui, em sua totalidade, o Espírito encarnado.   Nesse contexto poderíamos ponderar que os encarnados que se encontram “mortos” espiritualmente, i. e. não se conscientizaram ainda da sua Tríade Superior, pensam que  a Alma é o Espírito e  como tal acreditam que tudo se acaba ao morrerem ou que a Alma ficará dormindo até o Juizo Final, quando então ressuscitarão.

 

·        “QUEM DOMINA O PEQUENO EGO PELO GRANDE EU, ESSE É AMIGO DE SI MESMO; MAS SE O EGO NÃO ODIAR A SUA PRÓPRIA EGOIDADE, ENTÃO SE TORNA INIMIGO DO EU (DA ALMA) DO HOMEM”.  Livro “Bhagavad Gita” Capítulo 6, subtítulo “Fala Krishna”, item 6, página 60, tradução de Huberto Rohden)

 

O Espírito quando encarnado tem uma série de experiências prazerosas, (que ele próprio comanda e procura), que só são possíveis pela existência, nesse contexto, do corpo físico. Assim, os prazeres de comer, do sexo, da bebida, do fumo, da droga etc., que o Espírito vivencia/sente, são ocorrências que sem a existência do corpo físico não se tornariam possíveis. Evidentemente que as emoções que tais prazeres causam e que são  realizados pelo corpo físico são registradas no arquivo espiritual através do Corpo Espiritual ou Astral.  Segundo Rohden eles partiram do Intelecto (Mente Concreta), “porque a zona do intelecto é a zona da pecabilidade. Onde não há intelecto não há o “conhecimento do bem e do mal”, não há oscilação entre a luz e as trevas, entre o positivo e o negativo. Quando o homem comeu “do fruto da árvore do conhecimento”, quando o homem sensitivo do Éden se tornou o homem intelectivo da serpente, entrou ele na zona da pecabilidade, e pecabilidade quer dizer passibilidade compulsória. (Livro “Porque Sofremos” de Huberto Rohden, pag. 125).

 

Quando o Espírito desencarna, essas experiências, que em muitos casos se tornaram quase que obsessões, continuam presentes e induzem o Espírito a procurar satisfazê-las. Mas como atingir tal objetivo se o corpo físico já não mais existe?  O Espírito procura os encarnados sintonizados com esses mesmos interesses e através do processo de obsessão utiliza o corpo físico desses encarnados para re-experimentar aqueles prazeres.

O “Grande Eu” ou Espírito, do qual fala o Bhagavad Gita é a Centelha Divina, EU profundo ou Cristo Interno.  Sendo Ele o paradigma da Perfeição, fica permanentemente intuindo a Mente Espiritual do Espírito, (desencarnado ou encarnado) a modificar o seu comportamento tornando-se assim, para a Personalidade nesta última condição, um inimigo.  Como a Personalidade é reflexo do estado de consciência do Espírito no seu nível atual de evolução, ou dito de outra forma, a Personalidade é a exteriorização atual do Espírito em seu atual nível evolutivo, em última análise, esse Ser é, na realidade, inimigo da Centelha Divina.  Contrariamente, do ponto de vista do Espírito/Centelha Divina, Ele se apresenta como o melhor amigo da Personalidade porque tem a visão das consequências futuras de tal imperfeito comportamento.

 

Annie Besant em seu livro “Do Recinto Externo ao Santuário Interno” Capítulo II, assim se expressa sobre a Alma:

“Eu defino a Alma como aquilo que individualiza o Espírito Universal, que focaliza a Luz Universal em um ponto isolado, que é, por assim dizer, um receptáculo no qual o Espírito é derramado.  Aquilo que em si é universal, posto naquele receptáculo, aparece como separado, sempre idêntico em sua essência, mas separado em sua manifestação.”

 

Após todas as considerações acima, no que tange ao estabelecimento de diferentes definições para  Espírito e Alma, preferimos a definição que Kardec nos transmitiu através das respostas as perguntas 134, 134ª e 134b do Livro dos Espíritos.

 

A Alma é simplesmente um Espírito encarnado.

 

 
Francisco Fortes

 

 
Ini,  28/05/2010         
Rev. 13/07/2010
Rev. 07/09/2010
Rev. 03/10/2013
Rev. 30/04;2014
Rev. 24/06/2014