sábado, 4 de julho de 2015

ESPÌRITO E ALMA


ESPÍRITO E ALMA

 

 

·        ESPÍRITO

O Espírito creado por Deus é portador da Centelha Divina, logo é Perfeito.  Essa Centelha é idêntica em todos os espíritos já que Deus não faz acepção.  Tal fato, por outro lado, é o que nos caracteriza como irmãos. Segundo C. T. Pastorino, é uma necessidade intrínseca da Centelha, individualizar-se.  Tal individualização é obtida através do exercício  da liberdade de escolha que Deus nos concedeu quando da creação do Espírito.  A afirmação, portanto, de que tal Espírito nunca expressará a total Perfeição porque seria então igual a Deus, é controversa.  Essa abordagem não leva em consideração que nós Espíritos não estamos apartados/separados de Deus - ELE está em nós e nós estamos NELE. Somos emanação do Seu pensamento, todo pensamento permanece no pensador mesmo quando irradiado para o ser pensado, continuamos, portanto, ligados a Ele.  Temos DEUS completo em cada um de nós.  Jesus já afirmava isso quando nos disse que “Eu e o Pai somos Um e as obras que Eu faço não sou Eu que as faz mas o Pai que está em mim”.          

É interessante notar que A. Kardec quando endereçou a pergunta 621 aos Espíritos, provavelmente tinha em mente esclarecer essa questão:

 

“Pergunta 621: Onde está escrita a Lei de Deus?

 

Na Consciência”.

 

 A Lei é Deus, logo, é sinônimo de Perfeição.  A resposta confirma que somos Perfeitos pois a Lei/Perfeição já está em nós. Outro aspecto é que na pergunta e na resposta não existem limitações quanto à extensão da Lei, logo, ela é total.

 

Na resposta à pergunta 115 do LE, os Espíritos nos informaram que O Espírito foi creado por Deus Simples e Ignorante.

Simples é igual aPuro e Perfeito” e Ignorante se traduz como o desconhecimento daquilo que ele não sabe - as imperfeições e negatividades.

 

Pelas abordagens acima, o Espírito - individualização da Centelha Divina - não teria necessidade de encarnar.  Ocorre, porém, que após a sua creação, sua frequência vibratória, que estava na faixa da Divindade, começa a cair e segue nesse ritmo até atingir de 1 a 16 ciclos por segundo quando então estaciona na matéria, no mineral.  Existem especulações a respeito da razão de tal afastamento sendo que já foram apresentadas diversas razões justificando-a. Não especularemos sobre o tema no presente estudo.  O mineral – primeiro estágio de retorno - é “atração” como nos diz Emmanuel na resposta à pergunta 79 do livro “O Consolador”.   Inicia-se, a partir daí, a viagem de retorno do Espírito a sua origem, mediante o esforço de recordar-se de sua perfeição, usando para isso seus erros e acertos. Essa caída na matéria  é a primeira e gigantesca imperfeição  que o Espírito experimenta não por vontade de Deus mas por escolha própria do Espírito. (vide  a Parábola do Filho Pródigo)

 
                              

                                     

No quadro acima a individualização do Espírito ocorre depois de sua passagem pelos reinos mineral, vegetal e animal. C. Pastorino, no entanto, nos diz que a necessidade de se individualizar é uma das características da Centelha Divina; “Ora, quando o Raio Espiritual, dotado de Mente Inteligente – o que é natural, por causa da Fonte de onde proveio que é a Inteligência universal – parte de seu Foco, automaticamente esse Raio baixa suas vibrações e se torna INDIVIDUAL (ESPÍRITO)”  ( “Sabedoria do Evangelho” Vol. 1, página 22 ).

 

 

ALMA

C.Torres Pastorino, no Volume 4, páginas 55 e 56 de seu livro Sabedoria do Evangelho, nos informa que o pneuma (Espírito), quando já no Reino Hominal,  passa a denominar-se  Psychê ou Alma.  “Nesse ponto o pneuma já passa a denominar-se psychê ou ALMA.  Esta pode considerar-se sob dois aspectos primordiais: a diánoia (intelecto) que é o “reflexo” da mente, e a psychê propriamente dita isto é, o CORPO ASTRAL, sede das emoções.”.  Na página 18 do Volume 1, somos também informados que o Intelecto é denominado também de mente concreta porque age no cérebro físico e através dele”.

O quadro a seguir ilustra de maneira clara o posicionamento da ALMA segundo esse entendimento:

 

 
TRÍADE SUPERIOR
Centelha Divina
 
CRISTO INTERNO
 
INDIVIDUALIDADE
Espírito
Mente Espiritual
 
QUATERNÁRIO
INFERIOR
Intelecto
ALMA
 
PERSONALIDADE
Corpo Astral
Duplo Etérico
 
Corpo Físico

 

A Alma, portanto, é o somatório do Intelecto e do Corpo Astral, dois componentes do setenário que constitui, em sua totalidade, o Espírito encarnado.   Nesse contexto poderíamos ponderar que os encarnados que se encontram “mortos” espiritualmente, i. e. não se conscientizaram ainda da sua Tríade Superior, pensam que  a Alma é o Espírito e  como tal acreditam que tudo se acaba ao morrerem ou que a Alma ficará dormindo até o Juizo Final, quando então ressuscitarão.

 

·        “QUEM DOMINA O PEQUENO EGO PELO GRANDE EU, ESSE É AMIGO DE SI MESMO; MAS SE O EGO NÃO ODIAR A SUA PRÓPRIA EGOIDADE, ENTÃO SE TORNA INIMIGO DO EU (DA ALMA) DO HOMEM”.  Livro “Bhagavad Gita” Capítulo 6, subtítulo “Fala Krishna”, item 6, página 60, tradução de Huberto Rohden)

 

O Espírito quando encarnado tem uma série de experiências prazerosas, (que ele próprio comanda e procura), que só são possíveis pela existência, nesse contexto, do corpo físico. Assim, os prazeres de comer, do sexo, da bebida, do fumo, da droga etc., que o Espírito vivencia/sente, são ocorrências que sem a existência do corpo físico não se tornariam possíveis. Evidentemente que as emoções que tais prazeres causam e que são  realizados pelo corpo físico são registradas no arquivo espiritual através do Corpo Espiritual ou Astral.  Segundo Rohden eles partiram do Intelecto (Mente Concreta), “porque a zona do intelecto é a zona da pecabilidade. Onde não há intelecto não há o “conhecimento do bem e do mal”, não há oscilação entre a luz e as trevas, entre o positivo e o negativo. Quando o homem comeu “do fruto da árvore do conhecimento”, quando o homem sensitivo do Éden se tornou o homem intelectivo da serpente, entrou ele na zona da pecabilidade, e pecabilidade quer dizer passibilidade compulsória. (Livro “Porque Sofremos” de Huberto Rohden, pag. 125).

 

Quando o Espírito desencarna, essas experiências, que em muitos casos se tornaram quase que obsessões, continuam presentes e induzem o Espírito a procurar satisfazê-las. Mas como atingir tal objetivo se o corpo físico já não mais existe?  O Espírito procura os encarnados sintonizados com esses mesmos interesses e através do processo de obsessão utiliza o corpo físico desses encarnados para re-experimentar aqueles prazeres.

O “Grande Eu” ou Espírito, do qual fala o Bhagavad Gita é a Centelha Divina, EU profundo ou Cristo Interno.  Sendo Ele o paradigma da Perfeição, fica permanentemente intuindo a Mente Espiritual do Espírito, (desencarnado ou encarnado) a modificar o seu comportamento tornando-se assim, para a Personalidade nesta última condição, um inimigo.  Como a Personalidade é reflexo do estado de consciência do Espírito no seu nível atual de evolução, ou dito de outra forma, a Personalidade é a exteriorização atual do Espírito em seu atual nível evolutivo, em última análise, esse Ser é, na realidade, inimigo da Centelha Divina.  Contrariamente, do ponto de vista do Espírito/Centelha Divina, Ele se apresenta como o melhor amigo da Personalidade porque tem a visão das consequências futuras de tal imperfeito comportamento.

 

Annie Besant em seu livro “Do Recinto Externo ao Santuário Interno” Capítulo II, assim se expressa sobre a Alma:

“Eu defino a Alma como aquilo que individualiza o Espírito Universal, que focaliza a Luz Universal em um ponto isolado, que é, por assim dizer, um receptáculo no qual o Espírito é derramado.  Aquilo que em si é universal, posto naquele receptáculo, aparece como separado, sempre idêntico em sua essência, mas separado em sua manifestação.”

 

Após todas as considerações acima, no que tange ao estabelecimento de diferentes definições para  Espírito e Alma, preferimos a definição que Kardec nos transmitiu através das respostas as perguntas 134, 134ª e 134b do Livro dos Espíritos.

 

A Alma é simplesmente um Espírito encarnado.

 

 
Francisco Fortes

 

 
Ini,  28/05/2010         
Rev. 13/07/2010
Rev. 07/09/2010
Rev. 03/10/2013
Rev. 30/04;2014
Rev. 24/06/2014  

2 comentários:

  1. Belo estudo, Francisco; mostra que as diferentes formas de interpretação, em vez de se contradizerem, complementam-se lindamente.

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  2. Belo estudo, Francisco; mostra que as diferentes formas de interpretação, em vez de se contradizerem, complementam-se lindamente.

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