ESPÍRITO E ALMA
·
ESPÍRITO
O
Espírito creado por Deus é portador da Centelha Divina, logo é Perfeito. Essa Centelha é idêntica em todos os espíritos
já que Deus não faz acepção. Tal fato,
por outro lado, é o que nos caracteriza como irmãos. Segundo C. T. Pastorino, é
uma necessidade intrínseca da Centelha, individualizar-se. Tal individualização é obtida através do
exercício da liberdade de escolha que
Deus nos concedeu quando da creação do Espírito. A afirmação, portanto, de que tal Espírito
nunca expressará a total Perfeição porque seria então igual a Deus, é
controversa. Essa abordagem não leva em
consideração que nós Espíritos não estamos apartados/separados de Deus - ELE
está em nós e nós estamos NELE. Somos emanação do Seu pensamento, todo
pensamento permanece no pensador mesmo quando irradiado para o ser pensado,
continuamos, portanto, ligados a Ele.
Temos DEUS completo em cada um de nós.
Jesus já afirmava isso quando nos disse que “Eu e o Pai somos Um e as obras que Eu faço não sou Eu que as faz mas o
Pai que está em mim”.
É
interessante notar que A. Kardec quando endereçou a pergunta 621 aos Espíritos,
provavelmente tinha em mente esclarecer essa questão:
“Pergunta
621: Onde está escrita a Lei de Deus?
Na
Consciência”.
A Lei é Deus, logo, é sinônimo de
Perfeição. A resposta confirma que somos
Perfeitos pois a Lei/Perfeição já está em nós. Outro aspecto é que na pergunta
e na resposta não existem limitações quanto à extensão da Lei, logo, ela é
total.
Na
resposta à pergunta 115 do LE, os Espíritos nos informaram que O Espírito foi
creado por Deus Simples e Ignorante.
Simples é
igual a “Puro e Perfeito” e Ignorante se traduz como o
desconhecimento daquilo que ele não sabe - as imperfeições e negatividades.
Pelas
abordagens acima, o Espírito - individualização da Centelha Divina - não teria
necessidade de encarnar. Ocorre, porém,
que após a sua creação, sua frequência vibratória, que estava na faixa da
Divindade, começa a cair e segue nesse ritmo até atingir de 1 a 16 ciclos por segundo
quando então estaciona na matéria, no mineral. Existem especulações a respeito da razão
de tal afastamento sendo que já foram apresentadas diversas razões
justificando-a. Não especularemos sobre o tema no presente estudo. O
mineral – primeiro estágio de retorno - é “atração” como nos diz Emmanuel na
resposta à pergunta 79 do livro “O Consolador”. Inicia-se, a partir daí, a
viagem de retorno do Espírito a sua origem, mediante o esforço de recordar-se
de sua perfeição, usando para isso seus erros e acertos. Essa caída na matéria é a
primeira e gigantesca imperfeição que o
Espírito experimenta não por vontade de Deus mas por escolha própria do
Espírito. (vide a Parábola do Filho
Pródigo)
No quadro acima a
individualização do Espírito ocorre depois de sua passagem pelos reinos
mineral, vegetal e animal. C. Pastorino, no entanto, nos diz que a necessidade
de se individualizar é uma das características da Centelha Divina; “Ora, quando o Raio Espiritual, dotado de
Mente Inteligente – o que é natural, por causa da Fonte de onde proveio que é a
Inteligência universal – parte de seu Foco, automaticamente esse Raio baixa
suas vibrações e se torna INDIVIDUAL (ESPÍRITO)” ( “Sabedoria do Evangelho” Vol. 1, página 22 ).
ALMA
C.Torres Pastorino, no
Volume 4, páginas 55 e 56 de seu livro Sabedoria
do Evangelho, nos informa que o pneuma
(Espírito), quando já no Reino
Hominal, passa a denominar-se Psychê ou
Alma. “Nesse ponto o pneuma já passa a denominar-se psychê ou ALMA. Esta pode considerar-se sob dois aspectos
primordiais: a diánoia (intelecto) que é o “reflexo” da mente, e a psychê
propriamente dita isto é, o CORPO ASTRAL, sede das emoções.”. Na página 18 do Volume 1, somos também
informados que o Intelecto é denominado também de mente concreta porque age no
cérebro físico e através dele”.
O
quadro a seguir ilustra de maneira clara o posicionamento da ALMA segundo esse entendimento:
TRÍADE SUPERIOR
|
Centelha Divina
|
CRISTO INTERNO
|
INDIVIDUALIDADE
|
Espírito
| |||
Mente Espiritual
|
|||
QUATERNÁRIO
INFERIOR
|
Intelecto
|
ALMA
|
PERSONALIDADE
|
Corpo Astral
|
|||
Duplo Etérico
| |||
Corpo Físico
|
A Alma,
portanto, é o somatório do Intelecto e do Corpo Astral, dois componentes do
setenário que constitui, em sua totalidade, o Espírito encarnado. Nesse contexto poderíamos ponderar que os
encarnados que se encontram “mortos” espiritualmente, i. e. não se
conscientizaram ainda da sua Tríade Superior, pensam que a Alma é o Espírito e como tal acreditam que tudo se acaba ao
morrerem ou que a Alma ficará
dormindo até o Juizo Final, quando então ressuscitarão.
·
“QUEM
DOMINA O PEQUENO EGO PELO GRANDE EU, ESSE É AMIGO DE SI MESMO; MAS SE O EGO NÃO
ODIAR A SUA PRÓPRIA EGOIDADE, ENTÃO SE TORNA INIMIGO DO EU (DA ALMA) DO HOMEM”. Livro “Bhagavad Gita” Capítulo 6, subtítulo
“Fala Krishna”, item 6, página 60, tradução de Huberto Rohden)
O
Espírito quando encarnado tem uma série de experiências prazerosas, (que ele
próprio comanda e procura), que só são possíveis pela existência, nesse contexto,
do corpo físico. Assim, os prazeres de comer, do sexo, da bebida, do fumo, da
droga etc., que o Espírito vivencia/sente, são ocorrências que sem a existência do corpo físico não se
tornariam possíveis. Evidentemente que as emoções que tais prazeres causam e
que são realizados pelo corpo físico são
registradas no arquivo espiritual através do Corpo Espiritual ou Astral. Segundo Rohden eles partiram do Intelecto (Mente Concreta), “porque a zona do intelecto é a zona da
pecabilidade. Onde não há intelecto não há o “conhecimento do bem e do mal”,
não há oscilação entre a luz e as trevas, entre o positivo e o negativo. Quando
o homem comeu “do fruto da árvore do conhecimento”, quando o homem sensitivo do
Éden se tornou o homem intelectivo da serpente, entrou ele na zona da
pecabilidade, e pecabilidade quer dizer passibilidade compulsória. (Livro
“Porque Sofremos” de Huberto Rohden, pag. 125).
Quando
o Espírito desencarna, essas experiências, que em muitos casos se tornaram
quase que obsessões, continuam presentes e induzem o Espírito a procurar
satisfazê-las. Mas como atingir tal objetivo se o corpo físico já não mais
existe? O Espírito procura os encarnados
sintonizados com esses mesmos interesses e através do processo de obsessão utiliza
o corpo físico desses encarnados para re-experimentar aqueles prazeres.
O “Grande Eu” ou Espírito, do qual fala o
Bhagavad Gita é a Centelha Divina, EU profundo ou Cristo Interno. Sendo Ele o paradigma da Perfeição, fica
permanentemente intuindo a Mente Espiritual do Espírito, (desencarnado ou
encarnado) a modificar o seu comportamento tornando-se assim, para a
Personalidade nesta última condição, um inimigo. Como a Personalidade é reflexo do estado de
consciência do Espírito no seu nível atual de evolução, ou dito de outra forma,
a Personalidade é a exteriorização atual
do Espírito em seu atual nível evolutivo, em última análise, esse Ser é, na
realidade, inimigo da Centelha Divina.
Contrariamente, do ponto de vista do Espírito/Centelha Divina, Ele se
apresenta como o melhor amigo da Personalidade porque tem a visão das consequências
futuras de tal imperfeito comportamento.
Annie Besant em seu livro “Do Recinto
Externo ao Santuário Interno” Capítulo II, assim se expressa sobre a Alma:
“Eu
defino a Alma como aquilo que individualiza o Espírito Universal, que focaliza
a Luz Universal em um ponto isolado, que é, por assim dizer, um receptáculo no
qual o Espírito é derramado. Aquilo que
em si é universal, posto naquele receptáculo, aparece como separado, sempre
idêntico em sua essência, mas separado em sua manifestação.”
Após todas as considerações acima, no que
tange ao estabelecimento de diferentes definições para Espírito e Alma, preferimos a definição que
Kardec nos transmitiu através das respostas as perguntas 134, 134ª e 134b do
Livro dos Espíritos.
A
Alma é simplesmente um
Espírito encarnado.
Rev. 13/07/2010
Rev. 07/09/2010
Rev. 03/10/2013
Rev. 30/04;2014
Rev. 24/06/2014

Belo estudo, Francisco; mostra que as diferentes formas de interpretação, em vez de se contradizerem, complementam-se lindamente.
ResponderExcluirBelo estudo, Francisco; mostra que as diferentes formas de interpretação, em vez de se contradizerem, complementam-se lindamente.
ResponderExcluir