terça-feira, 21 de julho de 2015

FLUIDO VITAL



FLUIDO VITAL

 

 

A crença na existência de uma energia que seria responsável pela vitalização de toda a matéria, é milenar.  Ao longo do tempo, no entanto, tal crença foi objeto de estudos e questionamentos de filósofos, religiosos e cientistas, os quais chegaram a interpretações, as mais diversas, sobre o assunto.  No presente trabalho apresentamos esses vários entendimentos e seus respectivos autores.  Ao final tentaremos fazer uma análise das várias opiniões, apresentando aquela que nos parece mais compatível com os nossos conhecimentos atuais.   

 

No Bhagavad Gita (*) é mencionado o Prana como essa energia vital.  Ela é  definida, no livro referido, pelo tradutor Huberto Rohden, pág. 164, como sendo o “Alento de vida, energia vital.  A vida que impregna todo corpo vivo, do mais insignificante ao mais complexo.  É a porção da vida universal, onipresente, eterna, indestrutível, individualizada ou assimilada a um corpo em particular; quando esse corpo morre, o Prana volta ao oceano da vida cósmica.”

 

(*) O Bhagavad Gita (Canto do Senhor ou Canção Sublime) é o sexto dos 18 livros que compõem o Mahabharata que é o grande poema épico da cultura indiana. O Bhagavad Gita descreve, em forma de diálogo entre Krishna e Arjuna, a inquietação metafísica e a tragicidade da condição humana, na véspera de terrível batalha.  O Mahabharata, por sua vez é comparável ao “Novo Testamento” sendo o Bhagavad Gita, por seu lado, comparado ao “Evangelho”.   O Mahabharata faz parte dos  Vedas escrito, segundo alguns autores, 4.000 A.C  segundo outros 8.000 A.C. e ainda outros 80.000 A. C.

 

Vejamos agora o que nos diz Helena Blavatsky no volume III, pág.119, de seu livro “A Doutrina Secreta”: “O “Pai” do homem físico primitivo, ou do seu corpo, é o Princípio Elétrico Vital que reside no Sol.  A Lua é sua “Mãe”, por causa do misterioso poder que possui e que exerce uma influência tão marcante na gestação e na geração humana, que ela preside, como também no crescimento das plantas e dos animais.  O “vento” ou Éter, que no caso tem o papel de agente transmissor, por intermédio do qual essas influências são transportadas e descem dos dois astros, disseminando-se pela Terra, é mencionado como a “Nutriz” , mas só o “Fogo Espiritual” faz do homem uma entidade divina perfeita.” (grifo nosso).

 

No livro “Arquitetura Cósmica” de Gilson Freire, Capítulo 1 da parte III, pag. 101, sob o título de “A Morte do Vitalismo”, nos é transmitido o seguinte:

 

“Aqueles que acreditam que os seres são regidos pela sorte e pelo acaso, ou que são mantidos juntos por causas meramente corporais, esses estão distantes de Deus e da idéia de unidade.  Plotino (séc. II d.C. – Tratado das Enéadas).

 

Todos os pensadores da antiguidade concebiam a vida como uma diferenciada obra de Deus a qual se mantinha ativa graças à interposição de um especial elemento imaterial, a alma, que a tudo vivifica, pensamento denominado vitalismo.

Grandes pensadores vitalistas deixaram os seus nomes registrados na história, como Hipócrates e Aristóteles na Grécia antiga, Avicena, Venetus, Paracelsus, Santo Agostinho e São Tomás de Aquino na Idade Média e Ernesto Stahl, Leibniz, Joseph Barthez e Hahnneman na era Moderna. Eles admitiam a existência desse ente sutil, a alma ou espírito, (grifo nosso) animando todos os seres viventes.  E facilmente compreendiam tal entidade como algo independente do corpo, com ele formando uma unidade somente enquanto vivia, dele se separando após a morte.”

 

O médico alemão Georges Ernest Stahl, que viveu de 1660 a 1734, também adepto do Vitalismo, batizou-o com o nome de Animismo definindo-o assim: “Aristóteles, S. Tomás de Aquino e a maior parte dos espiritualistas não admitem no homem dois princípios de vida.  Afirmam que além da sua atividade plenamente consciente e propriamente psicológica, a alma inteligente possui também a faculdade de presidir às funções fisiológicas.  De maneira que a alma é o único princípio de toda atividade vital do homem, da sua vida vegetativa e sensitiva, como também da sua vida propriamente espiritual

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O animismo é portanto verdadeiro; e, por conseguinte, devemos admitir que a alma racional é por si mesma o único e imediato princípio da vida do homem.” (Fonte: Manual de Filosofia, Livro Terceiro, Psicologia Racional, O Animismo, Pag. 733 de C. Lahr).


 

Paul Joseph Barthez, médico francês, nascido em Montpellier, viveu de 1734 a 1806, foi um dos adeptos do Vitalismo.  Diferentemente de seus antecessores, no entanto, acreditava, ele e seus seguidores, que os fenômenos da vida eram devidos a um princípio vital distinto das forças psíco-químicas e da alma.

 A alma não podia ser o princípio que comandava as funções fisiológicas, por conseguinte, era necessário que houvesse um princípio vital.  Na defesa dessa idéia, ele se fundamentava em três princípios:

1 – As diferenças profundas que distinguem os fatos fisiológicos dos psicológicos.

2 – A oposição que se nota entre as tendências da vida animal e as aspirações da vida espiritual.

3 – A alma tem consciência dos fenômenos psicológicos e não tem consciência alguma dos fatos fisiológicos. (Fonte: Manual de Filosofia, livro Terceiro, Psicologia Racional, Teoria do Princípio Vital, Pag. 732 de C. Lahr)

 

 

A Doutrina Espírita, no “Livro dos Espíritos” de Allan Kardec, apresenta as perguntas sobre o assunto, que foram assim respondidas pelos Espíritos: 

Perg. 62.  Qual a causa da animalização da matéria? 

Sua união com o princípio vital.

Perg. 63.  O princípio vital reside nalgum agente particular ou é simplesmente uma propriedade da matéria organizada? Numa palavra, é efeito, ou causa? 

Uma e outra coisa.  A vida é efeito devido à ação de um agente sobre a matéria.  Esse agente, sem a matéria, não é vida, do mesmo modo que a matéria não pode viver sem esse agente.  Ele dá a vida a todos os seres que o absorvem e assimilam.

Perg. 67.  A vitalidade é atributo permanente do agente vital, ou se desenvolve tão-só pelo funcionamento dos órgãos?

Ela não se desenvolve senão com o corpo.  Não dissemos que esse agente sem a matéria não é vida?  A união dos dois é necessária para produzir a vida”.

a)     – Poder-se-á dizer que a vitalidade se acha em estado latente, quando o agente vital não está unido ao corpo?

     Sim, é isso.

 

O conjunto dos órgãos constitui uma espécie de mecanismo que recebe impulsão da atividade íntima ou princípio vital que entre eles existe.  O princípio vital é a força motriz dos corpos orgânicos.  Ao mesmo tempo que o agente vital dá impulsão aos órgãos, a ação destes entretém e desenvolve a atividade daquele agente, quase como sucede com o atrito, que desenvolve o calor.

 

Perg. 70.  Que é feito da matéria e do princípio vital dos seres orgânicos, quando estes morrem?

A Matéria inerte se decompõe e vai formar novos organismos.  O princípio vital volta à massa (grifo nosso) donde saiu.

 

A Revista Espírita de Março de 1866, no capítulo V (página 72) do estudo “Introdução ao Estudo dos Fluidos Espirituais” onde é discutida a necessidade da existência ou não do Perispírito, nos  informa o seguinte:

 

“O perispírito é uma dessas engrenagens mais importantes da economia; a ciência o observou em alguns de seus efeitos, e, alternativamente, designou-o sob os nomes de fluido vital, fluido ou influxo nervoso, fluido magnético, eletricidade animal (grifo nosso), sem se dar conta precisa de sua natureza e de suas propriedades, e ainda  menos de sua origem.”

 

Vemos pelas transcrições acima que a palavra Vitalismo era utilizada, desde a mais remota antiguidade, para definir aquilo que dava vida a matéria.  Inicialmente filósofos e estudiosos entenderam que esse agente era gerado pela alma ou espírito. A partir do século XIX começou a ser questionado se tal agente era espiritual ou material. O médico Paul Joseph Barthez deve ter sido um dos primeiros a afirmar que a vida da matéria não podia ter a sua origem na alma ou espírito. A partir daí, a abordagem do assunto passou a ser feita, cada vez mais, a partir do ponto de vista científico.  Assim é que o químico alemão Friederich Wohler, em 1828, conseguiu produzir uréia em laboratório o que até então só era sintetizada pelos seres vivos.  Em 1843 o famoso fisiologista francês, Claude Bernard, concluiu pela inexistência de qualquer força de natureza espiritual atuando no interior do homem, de forma invisível ou imaterial.  Estava provado que todas as energias atuantes na unidade orgânica eram de natureza físico-químicas e poderiam ser conhecidas e copiadas.  Em 1872, Louis Pasteur afirmava que a vida somente podia se reproduzir a partir de outra vida e não por prodigiosa interferência de Deus.  Embora suas descobertas muito tenham contribuído para o crescimento da biologia, elas foram decisivas também para se romper a crença da origem sagrada da vida.  Deus passou a não fazer falta para criar, pois a vida replicava em qualquer lugar que lhe oferecesse condições favoráveis, proibindo-se ao Altíssimo o ato de gerar simplesmente do nada. (Fonte: “Arquitetura Cósmica “ de Gilson Freire, conforme citação anterior, pag.101/102).

 

Quando Kardec recebeu as informações para a publicação do “O Livro dos Espíritos”, a primeira versão em 1857 e a segunda em 1860, as opiniões vigentes sobre o Princípio Vital eram conflitantes. Não é surpresa então que ele tivesse optado por seguir a opinião mais difundida na época e que deve ter sido a ele transmitida  pelos  Espíritos na ocasião, i.e., de que o princípio vital  se encontrava na própria matéria.  Seis anos mais tarde, ou seja, em 1866 vemos que a visão apresentada na Revista Espírita coloca o assunto no seu devido lugar, quando define que o agente de tal fluido é o Perispírito e conseqüentemente o Espírito.  Essa posição é também a de Emmanuel, como veremos a seguir.

 

Em seu livro “Emmanuel” de 1938, psicografado por Francisco Cândido Xavier, Emmanuel nos diz, nos capítulos XXIV e XXV, o seguinte sobre o princípio vital:

“..............., há uma força inerente aos corpos organizados, que mantém coesas as personalidades celulares, sustentando-se dentro das particularidades de cada órgão, presidindo aos fenômenos partenogenéticos de sua evolução, substituindo, através da segmentação, quantas delas se consomem nas secreções glandulares, no trabalho mantenedor da atividade orgânica.


Essa força é o que denominais princípio vital, essência fundamental que regula a existência das células vivas, e no qual elas se banham constantemente, encontrando assim a sua necessária nutrição, força que se encontra esparsa por todos os escaninhos do universo orgânico, combinada às substâncias minerais, azotadas e ternárias, operando os atos nutritivos de todas as moléculas. ......................................................................................................................


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Essa força ativa e regeneradora, de cujo enfraquecimento decorre a ausência de tônus vital, precursor da destruição orgânica, é simplesmente a ação criadora e plasmadora do corpo espiritual sobre os elementos físicos. (grifo nosso)

O corpo espiritual não retém somente a prerrogativa de constituir a fonte (grifo nosso) da misteriosa força plástica da vida, a qual opera a oxidação orgânica; é também ele sede das faculdades, dos sentimentos, da inteligência e, sobretudo, o santuário da memória, em que o ser encontra os elementos comprobatórios da sua identidade, através de todas as mutações e transformações da matéria..........................................................................................................

É, pois, o corpo espiritual a alma fisiológica, assimilando a matéria a seu molde, à sua estrutura, afim de materializar-se no mundo palpável (grifo nosso)......................................

A matéria não organiza, é organizada .(grifo nosso)  E não representa senão uma modalidade de energia esparsa no Universo.  Os seus elementos não fazem outra coisa senão submeter-se às injunções do Espírito; e é a soberana influência deste último que elucida todos os problemas intrincados dos seres e dos destinos.  É ao seu apelo, cedendo aos seus desejos, que todas as matérias brutas se vêm rarefazendo, oferecendo aspectos novos e delicados.” (grifo nosso)

 

No seu livro “A Grande Síntese”, Pietro Ubaldi apresenta, em vários capítulos, o seu ponto de vista sobre a vitalização da matéria.  No capítulo 1 ele nos diz:

“Compreendeis-me?  Nem todos poderão compreender, pois ignoram o grande princípio do amor; ignoram que a matéria é, em todas as suas formas (até as menores) sustentada, guiada, organizada pelo espírito (grifo nosso) que, em diversos graus de manifestação, existe por toda parte”.


 

 No capítulo 51 do mesmo livro, a informação é a seguinte:


 

 “As três fases do vosso universo são g, b, a.  A passagem ocorre da matéria (g), para energia (b) e para o espírito (a).  As formas dinâmicas abrem-se por evolução, não na vida como a entendeis, mas no psiquismo que é a causa dessa vida. (grifo nosso) ..................................................................................


Podemos investigar a gênese científica do princípio espiritual da vida, sem minimizar com isso, de modo algum, a grandeza e a profundidade divina do fenômeno.  A energia é o sopro divino que anima a matéria, (grifo nosso) elevando-a a nível mais alto.  O Pentateuco, no capítulo 2º da Gênese, diz:


 

        “O senhor Deus, então formou o homem da lama da terra, e soprou na face o sopro da vida e o homem foi feito alma vivente”.


 

A lama da terra é a matéria inerte, os materiais químicos do mundo inorgânico.  O grande hálito que move e vivifica a matéria cósmica, isto é: “anemo”, alma, espírito, paixão, turbilhão, não é apenas acrescentada a ela, mas funde-se com ela.  Sabemos que Deus não é potência exterior, mas reside no íntimo das coisas, e no íntimo opera, profundamente, na essência. (grifo nosso) Não atribuais corpo e hálito à Divindade.  Compreendei que naquelas palavras não pode existir mais do que uma humanização simbólica de uma realidade profunda.”

 

No livro “Palingênese, a Grande Lei”, o Dr. Jorge Andréa nas páginas 36, 37, 41, 53 e 54 nos ensina o seguinte:

“....todo ser tem um “Centro-Vital-Irradiante”, de energia unificadora e equilibradora de seu organismo, em harmônica conjugação com os campos núcleo-citoplasmáticos, onde as múltiplas e acentuadas reações tem a sua razão de ser com finalidade precisa.........................................................................................

Assim, a união dos tecidos em órgãos na formação de um organismo, deve obedecer ao “Princípio ou Energia-Vital-Central”.  Quando este centro não existe, embora as células se achem unidas, nada constroem e vivem exclusivamente para si, de modo desordenado, obedecendo aos seus próprios impulsos, como sói acontecer nas culturas celulares “in vitro”.............................................................

.......a célula seria, nada mais, nada menos, do que a condensação das energias espirituais em expansão e a tela ideal de suas manifestações, por onde, também, colheria experiências de todos os matizes para a zona espiritual, representando fator da mais alta expressão no panorama evolutivo.

Os genes para nós, respondem pela porção terminal da Energética Espiritual e início das fontes dinâmicas orientadoras no organismo físico..................................

Formado o corpo humano e ao atingir seu completo desenvolvimento, possuirá, aproximadamente, sessenta trilhões de células que se associam de modo perfeito, cujo mecanismo íntimo ainda escapa aos nossos métodos científicos.  Nestas células processam-se grandiosos fenômenos químico-físicos, expressões de comando energético bem definido nas formas mais sutis e perfeitas que nenhuma técnica, até hoje, conseguiu imitar.  Tudo, resultado das premissas estabelecidas pela Energética Espiritual responsável direta pela morfogênese.

Nas fases acima catalogadas, aqui e ali, presenciam-se verdadeiras recapitulações da evolução filogenética da série animal, avisando-nos de que não é só morfogênese da espécie a meta a ser atingida; além das formas exteriores, existe algo mais que possibilita sulcos e lapidações, na organização física em formação, cuja tradução mais lógica seria a existência, também, da genealogia da energia vital – o Espírito.”

 

No Evangelho de João 6.63 Jesus nos ensina que: “O espírito é que vivifica, a carne para nada serve. As palavras que vos disse são espírito e vida.”

 

COMENTÁRIOS


 

A visão que muitos de nós temos, com base naquilo que geralmente nos foi e é transmitido pelos instrutores da Doutrina Espírita é que quando nascemos recebemos um “estoque” de Fluido Vital.  Tal “estoque” é aquele necessário a duração daquela reencarnação.  Recebemos também a informação de que quando este “estoque” acaba o corpo físico morre e o Espírito então volta ao mundo espiritual mas que, em alguns casos especiais, poderemos receber um “estoque” adicional desse Fluido para que nosso corpo físico possa continuar vivo por mais tempo.

 

Através de varias das transcrições acima, verificamos de forma clara, que o homem, desde eras remotas, já procurava conhecer como a matéria era animada.  Provavelmente se perguntava: O que será aquilo que o animal e o homem possuem que lhes dá o movimento necessário a sua existência no mundo?  O que acontece de diferente quando, de repente, tal movimento cessa e tanto o animal como o homem, não respondem a qualquer estímulo? A conclusão natural a que nossos ancestrais chegaram, foi pensarem que deveria haver algo que animava aqueles seres e que, quando esse “algo” cessava de atuar, os seres ficavam imóveis. Naquele momento descobriram os fenômenos da vida e da morte.

 

No Bhagavad Gita, capítulo 13 podemos constatar a crença na existência de uma força animadora da matéria:

Versículo 20 – Sabe também que tanto a matéria como o espírito são sem princípio (grifo nosso) e que os atributos da Natureza têm origem na própria Natureza.

Versículo 21 – Atua a matéria em virtude do seu poder interno, construindo formas mutáveis; o espírito que nela habita e a fecunda (grifo nosso) faz com que ela experimente prazer ou sofrimento.

 

Os Teosofistas, segundo Helena Blavatsky e os Vitalistas acreditam também, nessa força vitalizante

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O médico alemão Dr. Stahl, aparentemente foi um dos primeiros cientistas a atribuir à alma a tarefa de animar a matéria.

 

No Livro dos Espíritos voltamos a ver a crença na existência de uma força, independente da alma, - o Princípio Vital – sendo responsável pela animação da matéria.

 

Com o passar dos anos e a evolução do pensamento Espírita,  Emmanuel nos instrui de uma forma muito clara sobre “a ação criadora e plasmadora do corpo espiritual sobre os elementos físicos.”  Sabemos que o Corpo Espiritual (Perispírito) é plasmado pelo Corpo Mental que é segundo André Luiz, o envoltório sutil da mente e sede do Espírito, logo, é o Espírito o Grande Maestro de todo o processo.

 

Nos dois livros, “A Grande Síntese” e “Palingênese, A Grande Lei”, a instrução de Emmanuel é esclarecida sobejamente pelos autores.

 

Esclarecido, sem sombra de dúvida, de que é o Espírito o Grande Maestro da vida e que o Princípio Vital nada mais é do que sua força “animista”, a lógica nos leva a concluir que, quando o corpo físico morre é porque o Espírito o abandonou ou deixou de atuar sobre ele. (A resposta à pergunta 68 do Livro dos Espíritos nos dá uma visão diferente.) Logo, o corpo físico morre porque a matéria não tem vida própria.  O que é, então, que acontece com a matéria abandonada por esse Espírito?  Sabemos que cada átomo e cada célula possuem seu próprio Princípio Inteligente.  A matéria, portanto, na realidade não morre, ela continua animada pelo seu próprio Princípio Inteligente vivendo de uma forma isolada e continuando num processo de destruição/transformação evolutiva.  Mas como evolutiva?  Sabemos que na Lei não há retroação, logo, aqueles átomos ou células só poderão caminhar para frente na sua destinação de tomar consciência de sua perfeição.

O abandono do corpo físico por parte do Espírito também não é acidental.  A época de tal abandono faz parte do planejamento reencarnatório que tal Espírito negociou com a Espiritualidade Maior.  Desse planejamento, onde o nascimento está perfeitamente estabelecido em termos de momento, pais etc. e, baseando-nos no que nos ensina Emmanuel no sentido de que é o Espírito que vivifica a matéria, o raciocínio lógico nos diz que quando ele, Espírito, decide, consciente ou inconscientemente, não mais vivificar seu corpo físico o mesmo morre.  Dentro também desse raciocínio, esse momento poderá ser estendido ou antecipado dependendo do cuidado que o Espírito tenha com o referido corpo físico e o aprendizado conseguido naquela reencarnação.

 

De uma forma análoga, podemos descrever todo o processo acima como o funcionamento de uma grande orquestra Sinfônica.  Os músicos são auto suficientes em relação aos instrumentos que tocam.  Se, cada um deles fosse tocar seu instrumento de uma forma individual, o caos estaria instalado na orquestra. Aliás, isto é o que vemos quando os músicos afinam seus instrumentos antes do início do espetáculo.  Assim, é necessária a presença do maestro para que o conjunto funcione de uma forma harmônica, porque ele, o maestro, dita o que orquestra vai tocar e dita, também, como cada instrumento vai se comportar.  No momento em que o maestro decide ir embora, toda a harmonia orquestral deixa de existir e cada músico volta a ter sua função individual própria.

 

Somos de opinião, portanto, que o Espírito é o responsável pela vitalização da matéria, através de seus Perispíritos. O corpo humano é constituído de elementos individuais, cada um deles, - átomos, células, órgãos – são possuidores de seus próprios Princípios Inteligentes, mas que obedecem ao comando daquela inteligência maior que é o Espírito.  Esses princípios Inteligentes atuam juntos obedecendo as leis de Sociedade e principalmente a do Amor.

Finalmente, nossa crença é que sendo o Espírito o regente de sua caminhada de retorno à Deus, estão sob sua regência, os fenômenos de Nascimento e Morte do Corpo Físico.

 

 

 

Grupo de Estudos Joanna de Angelis

A/C: Francisco Fortes

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