QUEM SOMOS NÓS?
“Hoje, estou caminhando
para voltar a ser o que já fui”
Ao longo dos séculos os
homens sempre se preocuparam em saber a sua origem; de onde teriam vindo, o que
vieram fazer aqui, para onde iriam e o que fariam após a morte. A preocupação
se originava da necessidade de entender sua natureza e identidade para, a
partir daí, enveredar pelas duas outras questões que tinham a ver com sua
atuação no passado no presente e a sua expectativa quanto ao futuro. Tal assunto foi, desde épocas remotas e
continua sendo, objeto das mais diversas interpretações filosóficas e
religiosas. Em 1857, orientado pelos Espíritos, Allan Kardec, nos trouxe informações
que nos ajudaram a ter um melhor entendimento espiritual sobre o assunto. Ele
nos informou, na ocasião, que “o Homem é
um Espírito encarnado em um corpo material....” . Nesta afirmativa, os Espíritos confirmaram a
Kardec duas verdades; uma de que o Homem é Espírito (sua Individualidade) e
outra, que o seu corpo físico é a habitação desse Espírito que, em última
análise, é quem lhe dá a vida. Na mesma
ocasião, também, nos informou sobre a existência do Perispírito, elo de ligação
entre o Espírito e o corpo material. Tais verdades já eram do conhecimento
humano embora limitado às esferas dos ditos “iniciados” não estando disponíveis,
portanto, para o povo em geral. Através
da Doutrina Espírita tal conhecimento se universalizou e se tornou público.
No livro “O Evangelho Gnóstico de Tomé”,
traduzido e comentado por Hermínio C. Miranda, na parte I, capítulo VI e no logion 50, Jesus nos orienta sobre a
nossa origem e a natureza do Espírito:
“Capítulo
VI – Conhecimento e Amor
Um estudo .... sobre o
gnosticismo dificilmente poderia escapar à linha mestra do pensamento gnóstico
que é a busca do conhecimento.
...... a busca do
conhecimento é mais uma recuperação ou
recordação do que aprendizado puro e
simples........
Enquanto
junto ao Pai, um com Ele, de tudo sabíamos e, portanto, o esquecimento
(oblívio) ainda não se instalara em nós......
O conhecimento é sempre
entendido como algo imanente, não se perdeu, apenas cobriu-se com o véu do esquecimento
quando o ser humano deixou de ser um com Deus para mergulhar na matéria. Por
isso, ensina o autor gnóstico que, se alguém adquire conhecimento, recebe o que já é seu e apenas o atrai a si mesmo, ou seja, torna-se consciente do que
inconscientemente conhecia. O
ignorante, a seu turno, é considerado necessitado, pois, o que lhe falta é
muito, uma vez que lhe falta aquilo que o fará perfeito.”
Logion 50.
Jesus disse: - Se lhe disserem: - De onde vêm vocês? Respondam: - Nascemos
da luz, lá onde a luz nasce de sí mesma; ela se ergue e se revela na sua
imagem. Se lhes disserem: - Quem são vocês? Digam: - Somos seus filhos e
eleitos do Pai Vivo. Se lhes perguntam: - Qual o sinal do Pai que está em vocês?
Digam-lhes: - é um movimento e um repouso.”
Hermínio comenta tal logion, da seguinte forma:
“Ela
(a luz) é intocável e inatingível na sua essência, dado que somente se revela
naquilo em que se manifesta, na projeção de sua imagem. Podemos, pois, entender essa energia criadora
como um Pai vivo que coloca um pouco de
si mesmo (sua imagem) em tudo quanto
nele tem origem. E como se demonstra que
viemos todos desse Pai, que está em nós,
como diz o texto? Pela evidência de que
pulsamos nele, como coisa viva. Só a luz central nasce de si mesma: as outras
manifestações de vida existem no Todo sustentadas pela fagulha que vive em cada um. ................................................................
O
termo repouso merece algumas reflexões.
Ao que se depreende do exame das diversas situações em que ele é
empregado, o repouso está na integração
na Divindade, transitoriamente em
breves momentos de meditação ou definitivamente quando, percorrida toda a
caminhada evolutiva, o ser volta para
Deus. Do que parece legítimo
inferir-se por contraste que movimento é o processo mesmo da busca, durante o
largo espaço de tempo em que o ser trabalha seu espírito a fim de redimir-se” .
Dentro dessa perquirição
milenar que todos nós, Espíritos encarnados,
continuamos a fazer, no Capítulo (II, 7) “O Livro de Tomé, o Contendor,
do livro The Nag Hammadi Library (A
Biblioteca de Nag Hammadi) de autoria de J.Robinson, (pag. 179) há a
seguinte mensagem de Jesus que nos ajuda nesse processo:
“Pois aquele que não
conhece a si mesmo tem aprendido nada, mas aquele que conhece a si mesmo tem ao
mesmo tempo já alcançado o conhecimento sobre a profundeza de Tudo”.
Sabemos, portanto, qual o
caminho que devemos trilhar; Homem
conhece-te a ti mesmo.
No que diz respeito ao corpo material, no
entanto, o homem já tem dele
conhecimento por ser algo que ele vê, toca, estuda e acredita conhecer,
embora não entenda, na maioria das vezes, que as manifestações expressas
através desse corpo, são na realidade, manifestações do seu próprio Espírito.
Mas, já que ele não vê esse ente espiritual, sua percepção dessa realidade dependerá
de sua crença de ser ele um ser espiritual e transcendente.
Para que possamos tentar iniciar essa pesquisa
de autoconhecimento devemos “realizar
exercícios frequentes e intensos de interiorização, geralmente chamados
“meditação”....; deve descobrir a verdade
central sobre si mesmo, porque essa verdade, uma vez conhecida e vivida,
o libertará de todos os males.” (Introdução do livro “Rumo à Consciência
Cósmica” de Huberto Rodhen). Vamos
então, estudar algumas perguntas feitas por Kardec aos Espíritos e as
respectivas respostas que recebeu:
Através da pergunta 76 do “O
Livro dos Espíritos” (LE) ele questiona: Que
definição se pode dar dos Espíritos?
“Pode-se dizer que os
Espíritos são os seres inteligentes
da Criação...............”.
Anteriormente, na pergunta 1 do LE ele já
tinha questionado:
Que
é Deus?
“Deus é a inteligência suprema, causa primeira de
todas as coisas.”
O elemento que une, ambas as respostas é a inteligência. A partir dai a
conclusão lógica é que a inteligência do Espírito é a emanação
de Deus em nós. Essa inteligência, portanto, é completa e total, não lhe faltando nada
mais a ser acrescentado, podendo ser confundida com Sabedoria. Se assim não
fosse, teríamos que admitir que Deus, cria seres incompletos e consequentemente
imperfeitos. Essa nossa herança/sabedoria/luz
é, confirmada quando examinamos a resposta à pergunta 621 do LE:
Onde
está escrita a Lei de Deus?
“Na consciência”.
No capítulo 8, “A Lei”, do
livro “A Grande Síntese”, Pietro Ubaldi nos esclarece que:
“A
Lei. Eis a ideia central do Universo, o sopro
divino que o anima, governa e movimenta, tal como vossa alma, pequena centelha dessa grande luz, governa
vosso corpo.”
Essa Inteligência/Sabedoria,
oriunda de Deus, é aquilo que chamamos Centelha Divina, sopro, Lei e que está
na consciência do Espírito, comprovando a nossa natureza de filhos de Deus e de
sermos todos irmãos porque, embora sejamos Individualidades,
a Centelha Divina que habita em todos nós, é igual e sempre a mesma.
Outra conclusão a
que chegamos, baseando-nos nas definições acima, é que toda essa criação se
realiza no Universo Eterno de Deus (Reino de Deus) cuja característica é de não
ter tido princípio e como consequência não ter fim. Neste Universo não existem,
nem espaço nem tempo. Nossos Universos,
em contrapartida, estão inseridos, como várias bolhas, no Universo Eterno e são
totalmente diferentes porque neles, espaço e tempo são elementos fundamentais e
necessários, pois, à missão que Deus destinou a esses Universos Finitos, foi de
acolher seus Filhos transviados, propiciando a esses Filhos pródigos, sua volta
à Casa do Pai. Tais Universos, criados sob
a administração do Cristo, abrigam as casas onde os Espíritos realizam a sua
trajetória de reconhecimento de sua
realidade espiritual.
... o homem é um Espírito Eterno habitando temporariamente o templo vivo da carne
terrestre” (Mensagem de Emmanuel no livro de André Luiz “Missionários
da Luz”, “Ante os tempos novos”)
Resumindo; fomos nós
que nos retiramos voluntariamente, do niverso Eterno de Deus, tornando
necessária a criação dos Universos Finitos (com Tempo e Espaço) cuja finalidade
é de nos conscientizar, através da vivência, nesses Universos Finitos de diferentes
experiências que, ao final desse processo, nos levarão de volta ao Reino de
Deus.
Huberto Rohden em um
dos seus livros define a nossa realidade atual com a seguinte afirmação:
“Somos Espíritos eternos
jornadeando num mundo finito”.
Analisemos agora a resposta
à pergunta 115 do LE tendo em mente a definição anteriormente dada à pergunta
76, de que os “Espíritos são os seres
inteligentes da criação”;
“Deus
criou todos os Espíritos simples e ignorantes, isto é, sem saber.”
A interpretação
corrente dada, pelo Espiritismo, à essa resposta, é de que os Espíritos iniciam
sua trajetória como se fossem um livro em branco e a partir daí, nele se esculpem,
gradativamente, as experiências e conquistas que tais Espíritos vão obtendo durante
as suas diversas reencarnações.
Temos grande dificuldade em
conciliar a resposta à essa pergunta 115 com as respostas as perguntas 76 e
621, anteriormente transcritas. Como é possível sermos Espíritos criados sem
saber, quando somos os seres inteligentes da criação e temos a Lei de Deus em
nossa Consciência?
Para que a interpretação à
resposta a pergunta 115 faça sentido, é necessário descobrirmos o seu real
significado. O entendimento que temos
hoje, do que seja simples e ignorante, é
equivocado.
Na resposta à
Pergunta 78 do LE, os Espíritos quando tratando do “princípio dos Espíritos”, nos ajudam na linha de raciocínio que
estamos palmilhando, embora a conclusão de que “Deus há de ter criado incessantemente” seja incoerente com a
definição de Universo Eterno.
“......Deus existe de toda eternidade, é incontestável; quanto, porém, ao modo como Ele nos
criou, nada sabemos. Podes dizer que não tivemos princípio se
por isto entenderes que, sendo eterno, Deus há de ter criado incessantemente.”
Embora os Espíritos
não tenham esclarecido em qual Universo, nós Espíritos, fomos “criados”,
podemos especular que sendo Deus eterno e sendo o Espírito também eterno, nossa criação (se é que ela existiu) só
poderá ter ocorrido no Universo
Eterno/Reino de Deus onde, voltamos a repetir, não existem espaço nem tempo.
Esses Espíritos, criados simples e ignorantes no Universo Eterno, com a interpretação
corrente que hoje damos a tal afirmação,
permaneceriam eternamente nessa condição de ignorância porque nesse
Universo onde foram criados não existe o Tempo que é necessário para que a
evolução ocorra.
No dicionário Aurélio, uma
das definições para simples é puro e
para ignorante é de quem ignora algo/não
sabe. O Espírito criado por Deus é, portanto, puro e a sua ignorância tem que ser de algo fora daquilo que Deus lhe
transmitiu através da Centelha Divina/Inteligência/Lei. No momento da “criação” (se é que ela
existiu), portanto, o Espírito sabia TUDO. O que é que seria ignorado por esse Ser
perfeito? Evidentemente que a
IMPERFEIÇÃO. Fica claro que a
resposta que os Espíritos deram a Kardec está correta. A nossa interpretação desta resposta, é que
está incorreta. Concluímos, portanto, que:
No
momento da nossa criação, fomos criados no Universo Eterno de Deus num estado
de PERFEIÇÃO. Sendo essa a nossa realidade,
IGNORAVAMOS A IMPERFEIÇÃO. Éramos UM COM DEUS.
Como somos seres oriundos
da eternidade, já existíamos, portanto, quando 13,7 bilhões de anos atrás, Deus
delegou ao Cristo a tarefa de criar o Universo Finito que habitamos e que
surgiu de uma forma totalmente perfeita.
Isso é uma realidade porque é impossível detectar, nele, qualquer imperfeição e quando acreditamos que a
descobrimos constatamos, mais tarde, que nossa avaliação é que estava
incorreta.
O questionamento que
precisa ser feito é nos perguntarmos se é lógico que Deus, esse “Ser” eterno, suprema
inteligência, tenha se autolimitado criando Espíritos simples e ignorantes,
i.e., vazios de qualquer saber. É claro
que estamos frente a uma impossibilidade.
Reiteramos, portanto, que;
OS ESPÍRITOS FORAM “CRIADOS” PERFEITOS COMO TODA A
CRIAÇÃO.
Tal afirmação é
confirmada pelo espírito Miramez em seu livro “Filosofia Espírita”, Volume I,
psicografia de João Nunes Maia, no capítulo 24, 2º parágrafo:
“O Espírito é uma chama onde se concentram todos os
requisitos para a felicidade. No centro de seu energismo divino, vibra um
acervo de faculdades ainda desconhecidas pelos sábios. A Alma, foi feita com todos os atributos da perfeição, por ter saído
sob o fulgor da perfeição maior: Deus. Assim,
o que chamamos de evolução , podemos chamar de despertamento. Se escrevemos
e falamos sempre sobre a evolução do Espírito, é por nos faltar recursos na
linguagem, mas nunca empregada com tal sentido.
Todos já nascemos perfeitos,
bastando para isso o despertar das
qualidades inerentes ao nosso mundo interno que somente Deus conhece, e nós
outros temos algumas notícias.”
A declaração acima é,
ademais, confirmada em várias passagens dos Antigo e Novo Testamento, no Livro
dos Espíritos e por diversos outros seres iluminados que nos deixaram suas
mensagens:
‘Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem, como nossa
semelhança...”e
‘Deus criou o homem
à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou, homem e mulher ele os criou’.
(Bíblia, Genesis,
Capítulo 1, versículos 26 e 27)
‘Eu declarei: vós sois deuses, todos vós filhos do
Altíssimo;....’
(Bíblia, Salmos, 82,
versículo 6)
‘Vós sois a luz do mundo.......Brilhe do mesmo modo a vossa luz diante dos homens,.....’
(Evangelho, Mateus,
Capítulo 5, versículos 14 e 16)
‘Onde está escrita a lei de Deus? Na consciência’
(Livro dos Espíritos, Pergunta e resposta à pergunta
621)
“Logion 20 - O Eu
nunca nasceu nem jamais morrerá. E uma vez que existe, nunca deixará de
existir. Sem nascimento, sem morte,
imutável, eterno – sempre ele mesmo é o Eu, a alma. Não é destruído com a destruição do corpo
(matéria)
(Livro Bhagavad Gita, Cap. 2, Senhor Krishna, tradução
de Huberto Rodhen)
“Ninguém nasce, na
Terra, na atualidade como sendo uma tela
em branco, na qual se irão registrar futuros acontecimentos. O Self não é um arquétipo-aptidão, mas o
Espírito com as experiências iniciais e profundas de processos anteriores, nos
quais desenvolveu os pródromos do Deus interno nele vigente, face a sua procedência divina
desde a sua criação.
(“Triunfo Pessoal” Cap. 4, “Realização Interior” Joanna de
Ângelis)
“Responsável pela
aquisição dos implementos orgânicos de que necessita para evoluir, o ser eterno plasma, em cada etapa a que
se submete, os equipamentos hábeis para que desabrochem as faculdades que lhe
são inerentes, oferecendo campo à sua finalidade.
(“Dias Gloriosos” “Sobrevivência e Intercâmbio”,
pag.145, Joanna de Ângelis)
O questionamento que logo
nos ocorre após termos, logicamente, concluído ser a criação do Espírito
perfeita, é:
Como é
que esse ser perfeito, oriundo do Reino de Deus, se encontra hoje num mundo
relativo onde o espaço e o tempo são suas fundamentais características, num
estado de imensa imperfeição, requerendo um sem número de reencarnações para
readquirir a perfeição perdida?
Alguma escolha foi feita por
esse Espírito perfeito, escolha essa que foi a responsável pelo seu ingresso
nesse nosso mundo transitório. A
resposta à pergunta 132 do LE nos traz algum esclarecimento:
Qual
o objetivo da encarnação dos Espíritos? (LE, P. 132).
“Deus lhes impõe a
encarnação com o fim de fazê-los chegar
à perfeição. ...... A encarnação tem ainda outra finalidade: a de pôr o
Espírito em condições de cumprir sua parte na obra da Criação.”
Essa resposta é dada, a nós
Espíritos, após termos escolhido sair do Reino de Deus. A incógnita, portanto, ainda permanece. Se já
éramos perfeitos o que teria acontecido para que tivéssemos optado por um
caminho que nos levou a perda de consciência da nossa perfeição. O que podemos de imediato descartar é que
essa opção, não foi devida a escolha pela imperfeição, porque naquele momento
não tínhamos ainda dela conhecimento. Existem
explicações a respeito do assunto como a que nos é dada por Carlos Torres
Pastorino no Capítulo “O Prólogo de Lucas” no volume 1 do seu livro “Sabedoria
do Evangelho. Jesus, por outro lado, nos
deixou a Parábola do Filho Pródigo como fonte imperecível de conhecimento e que
nos dá a linha de raciocínio que devemos seguir para entender as razões desse
nosso afastamento vibracional de Deus e o processo de retorno à Casa do Pai.
Objeta-se, muitas vezes, à
nossa criação perfeita, no Universo infinito, com o argumento de que o Espírito não retrograda. Esse assunto é abordado por Kardec no livro “A Gênese”, Cap. XI, item 49,
nos fornecendo os seguintes esclarecimentos que, por analogia, pode ser
aplicados na presente situação:
“
À primeira vista, a ideia da decaída parece contradizer o princípio de que os
espíritos não podem retroceder, porém, é preciso considerar que não se trata de
um retorno ao mundo primitivo. O espírito, ainda que numa posição inferior, não perde nada do que adquiriu (grifo
nosso); o seu desenvolvimento moral e
intelectual é o mesmo, qualquer que seja o meio onde se encontre situado.”
Se juntarmos a ideia da
criação perfeita do Espírito, mais a Parábola do Filho Pródigo junto com o
esclarecimento que Kardec nos deixou, temos a explicação do porque, sendo
Espíritos perfeitos, nos encontramos num mundo onde a imperfeição impera. Então;
Estamos
nos redescobrindo e voltando para a Casa do Pai.
Alguém poderá se perguntar;
Por que é importante o conhecimento e compreensão da nossa origem espiritual,
sob esse novo ponto de vista?
Durante muito tempo, nascíamos
como seres tisnados pelo pecado original e nos era dito que, quando morrêssemos
iríamos ou para o Céu ou para o Inferno.
Quando a ideia da reencarnação começou a ser, melhor conhecida, a posição
geralmente adotada era de que éramos seres devedores, com uma gama muito grande
de pecados e dívidas à “pagar”. O sofrimento, na atual reencarnação era, então,
considerado como resgate desses pecados e dívidas. Deveríamos ser em consequência, resignados
com a nossa situação, porque seriamos recompensados quando morrêssemos (desencarnassemos),
pois iríamos para o Reino do Céu. Posteriormente, o entendimento sobre esse “resgate”
evoluiu e passou-se a admitir que ele se estendia à várias outras reencarnações
e que o Reino do Céu seria, então, alcançado, por nós Espíritos, após a total
eliminação/transformação das nossas imperfeições. Isso tudo porque se acreditava que teríamos
sido criados por Deus simples e ignorantes.
Em consequência dessa
interpretação, nossa autoestima erar muito baixa porque acreditávamos que nossa
felicidade dependia dos outros e não de nós mesmos.
A nossa visão atual de que
somos criação de Deus e que somos seus Filhos, portadores da Centelha Divina em
nossa consciência, logo, portadores da
Perfeição, imediatamente nos coloca na situação de entender que ninguém
poderá nos dar algo mais, porque Deus já
nos deu, antecipadamente quando nos criou, tudo aquilo que poderíamos precisar.
Nada nos faltou receber. Passamos a entender que a felicidade
depende, exclusivamente, de cada um de nós. Tudo que precisamos, já está a
nosso dispor em nossa consciência.
Compreendemos que não podemos mais culpar à Deus ou aos nossos
semelhantes pelas nossas dificuldades, já que somos nós que as criamos. Sem dúvida alguma, a presente abordagem nos
trás uma responsabilidade muito grande porque, passamos a ser os únicos e
verdadeiros dirigentes de nossa vida, bastando para isso seguir a Lei de Deus
que está em nossa consciência. Em contrapartida sabemos que nada temos que
procurar fora de nós. Isso nos dá uma alegria muito grande, pois sabemos que
somos autosuficientes. O Evangelho de
Lucas em seu Capítulo 17, versículos 20-21, nos transmite o ensinamento de
Jesus que confirma esse entendimento:
“O
reino de Deus não vem com aparato exterior; não se pode dizer:
‘Ei-lo
aqui ou acolá!
O reino de Deus está dentro
de vós”
Essa é a diferença
fundamental entre as duas abordagens, portanto, mãos á obra!
Francisco Fortes
Orig.
10/06/2007
10/06/2007
22/02/2012
20/03/2012
30/12/2012
11/02/2013
09/03/2013
01/04/2013
20/02/2015
27/03/2017
30/03/2017
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