quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

QUEM SOMOS NÓS



QUEM SOMOS NÓS?



“Hoje, estou caminhando para voltar a ser o que já fui”



Ao longo dos séculos os homens sempre se preocuparam em saber a sua origem; de onde teriam vindo, o que vieram fazer aqui, para onde iriam e o que fariam após a morte. A preocupação se originava da necessidade de entender sua natureza e identidade para, a partir daí, enveredar pelas duas outras questões que tinham a ver com sua atuação no passado no presente e a sua expectativa quanto ao futuro.  Tal assunto foi, desde épocas remotas e continua sendo, objeto das mais diversas interpretações filosóficas e religiosas. Em 1857, orientado pelos Espíritos, Allan Kardec, nos trouxe informações que nos ajudaram a ter um melhor entendimento espiritual sobre o assunto. Ele nos informou, na ocasião, que “o Homem é um Espírito encarnado em um corpo material....” .  Nesta afirmativa, os Espíritos confirmaram a Kardec duas verdades; uma de que o Homem é Espírito (sua Individualidade) e outra, que o seu corpo físico é a habitação desse Espírito que, em última análise, é quem lhe dá a vida.  Na mesma ocasião, também, nos informou sobre a existência do Perispírito, elo de ligação entre o Espírito e o corpo material. Tais verdades já eram do conhecimento humano embora limitado às esferas dos ditos “iniciados” não estando disponíveis, portanto, para o povo em geral.  Através da Doutrina Espírita tal conhecimento se universalizou e se tornou público.

No livro “O Evangelho Gnóstico de Tomé”, traduzido e comentado por Hermínio C. Miranda, na parte I, capítulo VI e no logion 50, Jesus nos orienta sobre a nossa origem e a natureza do Espírito:

“Capítulo VI – Conhecimento e Amor

Um estudo .... sobre o gnosticismo dificilmente poderia escapar à linha mestra do pensamento gnóstico que é a busca do conhecimento.

...... a busca do conhecimento é mais uma recuperação ou recordação do que aprendizado puro e simples........

Enquanto junto ao Pai, um com Ele, de tudo sabíamos e, portanto, o esquecimento (oblívio) ainda não se instalara em nós......

O conhecimento é sempre entendido como algo imanente, não se perdeu, apenas cobriu-se com o véu do esquecimento quando o ser humano deixou de ser um com Deus para mergulhar na matéria.  Por isso, ensina o autor gnóstico que, se alguém adquire conhecimento, recebe o que já é seu e apenas o atrai a si mesmo, ou seja, torna-se consciente do que inconscientemente conhecia.  O ignorante, a seu turno, é considerado necessitado, pois, o que lhe falta é muito, uma vez que lhe falta aquilo que o fará perfeito.”



Logion 50. Jesus disse: - Se lhe disserem: - De onde vêm vocês? Respondam: - Nascemos da luz, lá onde a luz nasce de sí mesma; ela se ergue e se revela na sua imagem. Se lhes disserem: - Quem são vocês? Digam: - Somos seus filhos e eleitos do Pai Vivo. Se lhes perguntam: - Qual o sinal do Pai que está em vocês? Digam-lhes: - é um movimento e um repouso.”

Hermínio comenta tal logion, da seguinte forma:

“Ela (a luz) é intocável e inatingível na sua essência, dado que somente se revela naquilo em que se manifesta, na projeção de sua imagem.  Podemos, pois, entender essa energia criadora como um Pai vivo que coloca um pouco de si mesmo (sua imagem) em tudo quanto nele tem origem.  E como se demonstra que viemos todos desse Pai, que está em nós, como diz o texto?  Pela evidência de que pulsamos nele, como coisa viva. Só a luz central nasce de si mesma: as outras manifestações de vida existem no Todo sustentadas pela fagulha que vive em cada um. ................................................................

O termo repouso merece algumas reflexões.  Ao que se depreende do exame das diversas situações em que ele é empregado, o repouso está na integração na Divindade, transitoriamente em breves momentos de meditação ou definitivamente quando, percorrida toda a caminhada evolutiva, o ser volta para Deus.  Do que parece legítimo inferir-se por contraste que movimento é o processo mesmo da busca, durante o largo espaço de tempo em que o ser trabalha seu espírito a fim de redimir-se” .

Dentro dessa perquirição milenar que todos nós, Espíritos encarnados,  continuamos a fazer, no Capítulo (II, 7) “O Livro de Tomé, o Contendor, do livro The Nag Hammadi Library (A Biblioteca de Nag Hammadi) de autoria de J.Robinson, (pag. 179) há a seguinte mensagem de Jesus que nos ajuda nesse processo:

“Pois aquele que não conhece a si mesmo tem aprendido nada, mas aquele que conhece a si mesmo tem ao mesmo tempo já alcançado o conhecimento sobre a profundeza de Tudo”.    

Sabemos, portanto, qual o caminho que devemos trilhar; Homem conhece-te a ti mesmo.

 No que diz respeito ao corpo material, no entanto, o homem já tem dele  conhecimento por ser algo que ele vê, toca, estuda e acredita conhecer, embora não entenda, na maioria das vezes, que as manifestações expressas através desse corpo, são na realidade, manifestações do seu próprio Espírito. Mas, já que ele não vê esse ente espiritual, sua percepção dessa realidade dependerá de sua crença de ser ele um ser espiritual e transcendente.

 Para que possamos tentar iniciar essa pesquisa de autoconhecimento devemos “realizar exercícios frequentes e intensos  de interiorização, geralmente chamados “meditação”....; deve descobrir a verdade  central sobre si mesmo, porque essa verdade, uma vez conhecida e vivida, o libertará de todos os males.”  (Introdução do livro “Rumo à Consciência Cósmica” de Huberto Rodhen).  Vamos então, estudar algumas perguntas feitas por Kardec aos Espíritos e as respectivas respostas que recebeu:

Através da pergunta 76 do “O Livro dos Espíritos” (LE) ele questiona: Que definição se pode dar dos Espíritos?  

“Pode-se dizer que os Espíritos são os seres inteligentes da Criação...............”.

 Anteriormente, na pergunta 1 do LE ele já tinha questionado:

Que é Deus? 

“Deus é a inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas.”

O elemento que une,  ambas as respostas é a inteligência.  A partir dai a conclusão lógica  é que a inteligência do Espírito é a emanação de Deus em nós.  Essa inteligência, portanto, é completa e total, não lhe faltando nada mais a ser acrescentado, podendo ser confundida com Sabedoria.  Se assim não fosse, teríamos que admitir que Deus, cria seres incompletos e consequentemente imperfeitos.  Essa nossa herança/sabedoria/luz é, confirmada quando examinamos a resposta à pergunta 621 do LE:

Onde está escrita a Lei de Deus?

 “Na consciência”.    

No capítulo 8, “A Lei”, do livro “A Grande Síntese”, Pietro Ubaldi nos esclarece que: 

“A Lei. Eis a ideia central do Universo, o sopro divino que o anima, governa e movimenta, tal como vossa alma, pequena centelha dessa grande luz, governa vosso corpo.”

Essa Inteligência/Sabedoria, oriunda de Deus, é aquilo que chamamos Centelha Divina, sopro, Lei e que está na consciência do Espírito, comprovando a nossa natureza de filhos de Deus e de sermos todos irmãos porque, embora sejamos Individualidades, a Centelha Divina que habita em todos nós, é igual e sempre a mesma.

Outra conclusão a que chegamos, baseando-nos nas definições acima, é que toda essa criação se realiza no Universo Eterno de Deus (Reino de Deus) cuja característica é de não ter tido princípio e como consequência não ter fim. Neste Universo não existem, nem espaço nem tempo.  Nossos Universos, em contrapartida, estão inseridos, como várias bolhas, no Universo Eterno e são totalmente diferentes porque neles, espaço e tempo são elementos fundamentais e necessários, pois, à missão que Deus destinou a esses Universos Finitos, foi de acolher seus Filhos transviados, propiciando a esses Filhos pródigos, sua volta à Casa do Pai.  Tais Universos, criados sob a administração do Cristo, abrigam as casas onde os Espíritos realizam a sua trajetória de reconhecimento de sua realidade espiritual.

... o homem é um  Espírito Eterno habitando temporariamente o templo vivo da carne terrestre”  (Mensagem de Emmanuel no livro de André Luiz “Missionários da Luz”, “Ante os tempos novos”)

Resumindo; fomos nós que nos retiramos voluntariamente, do niverso Eterno de Deus, tornando necessária a criação dos Universos Finitos (com Tempo e Espaço) cuja finalidade é de nos conscientizar, através da vivência, nesses Universos Finitos de diferentes experiências que, ao final desse processo, nos levarão de volta ao Reino de Deus.

Huberto Rohden em um dos seus livros define a nossa realidade atual com a seguinte afirmação:

“Somos Espíritos eternos jornadeando num mundo finito”. 

Analisemos agora a resposta à pergunta 115 do LE tendo em mente a definição anteriormente dada à pergunta 76, de que os “Espíritos são os seres inteligentes da criação”;

“Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, isto é, sem saber.”

A interpretação corrente dada, pelo Espiritismo, à essa resposta, é de que os Espíritos iniciam sua trajetória como se fossem um livro em branco e a partir daí, nele se esculpem, gradativamente, as experiências e conquistas que tais Espíritos vão obtendo durante as suas diversas reencarnações.

Temos grande dificuldade em conciliar a resposta à essa pergunta 115 com as respostas as perguntas 76 e 621, anteriormente transcritas.  Como é possível sermos Espíritos criados sem saber, quando somos os seres inteligentes da criação e temos a Lei de Deus em nossa Consciência? 

Para que a interpretação à resposta a pergunta 115 faça sentido, é necessário descobrirmos o seu real significado.  O entendimento que temos hoje, do que seja simples e ignorante, é equivocado. 

Na resposta à Pergunta 78 do LE, os Espíritos quando tratando do “princípio dos Espíritos”, nos ajudam na linha de raciocínio que estamos palmilhando, embora a conclusão de que “Deus há de ter criado incessantemente” seja incoerente com a definição de Universo Eterno.

“......Deus existe de toda eternidade, é incontestável; quanto, porém, ao modo como Ele nos criou, nada sabemos.  Podes dizer que não tivemos princípio se por isto entenderes que, sendo eterno, Deus há de ter criado incessantemente.”

Embora os Espíritos não tenham esclarecido em qual Universo, nós Espíritos, fomos “criados”, podemos especular que sendo Deus eterno e sendo o Espírito também eterno, nossa criação (se é que ela existiu) só poderá ter ocorrido no Universo Eterno/Reino de Deus onde, voltamos a repetir, não existem espaço nem tempo.

Esses Espíritos, criados simples e ignorantes no Universo Eterno, com a interpretação corrente que hoje damos a tal afirmação, permaneceriam eternamente nessa condição de ignorância porque nesse Universo onde foram criados não existe o Tempo que é necessário para que a evolução ocorra.

No dicionário Aurélio, uma das definições para simples é puro e para ignorante é de quem ignora algo/não sabe. O Espírito criado por Deus é, portanto, puro e a sua ignorância tem que ser de algo fora daquilo que Deus lhe transmitiu através da Centelha Divina/Inteligência/Lei.  No momento da “criação” (se é que ela existiu), portanto, o Espírito sabia TUDO.  O que é que seria ignorado por esse Ser perfeito?  Evidentemente que a IMPERFEIÇÃO.  Fica claro que a resposta que os Espíritos deram a Kardec está correta.  A nossa interpretação desta resposta, é que está incorreta. Concluímos, portanto, que: 

No momento da nossa criação, fomos criados no Universo Eterno de Deus num estado de PERFEIÇÃO.  Sendo essa a nossa realidade, IGNORAVAMOS A IMPERFEIÇÃO.  Éramos  UM COM DEUS.

Como somos seres oriundos da eternidade, já existíamos, portanto, quando 13,7 bilhões de anos atrás, Deus delegou ao Cristo a tarefa de criar o Universo Finito que habitamos e que surgiu de uma forma totalmente perfeita.  Isso é uma realidade porque é impossível detectar, nele, qualquer imperfeição e quando acreditamos que a descobrimos constatamos, mais tarde, que nossa avaliação é que estava incorreta. 

O questionamento que precisa ser feito é nos perguntarmos se é lógico que Deus, esse “Ser” eterno, suprema inteligência, tenha se autolimitado criando Espíritos simples e ignorantes, i.e., vazios de qualquer saber.  É claro que estamos frente a uma impossibilidade.  Reiteramos, portanto, que;

OS ESPÍRITOS FORAM “CRIADOS” PERFEITOS COMO TODA A CRIAÇÃO.

Tal afirmação é confirmada pelo espírito Miramez em seu livro “Filosofia Espírita”, Volume I, psicografia de João Nunes Maia, no capítulo 24, 2º parágrafo:

“O Espírito é uma chama onde se concentram todos os requisitos para a felicidade. No centro de seu energismo divino, vibra um acervo de faculdades ainda desconhecidas pelos sábios. A Alma, foi feita com todos os atributos da perfeição, por ter saído sob o fulgor da perfeição maior: Deus.  Assim, o que chamamos de evolução , podemos chamar de despertamento.  Se escrevemos e falamos sempre sobre a evolução do Espírito, é por nos faltar recursos na linguagem, mas nunca empregada com tal sentido.  Todos já nascemos perfeitos, bastando para isso o despertar das qualidades inerentes ao nosso mundo interno que somente Deus conhece, e nós outros temos algumas notícias.”     

A declaração acima é, ademais, confirmada em várias passagens dos Antigo e Novo Testamento, no Livro dos Espíritos e por diversos outros seres iluminados que nos deixaram suas mensagens:

‘Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem, como nossa semelhança...”e

‘Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou, homem e mulher ele os criou’.

                      (Bíblia, Genesis, Capítulo 1, versículos 26 e 27)



‘Eu declarei: vós sois deuses, todos vós filhos do Altíssimo;....’

(Bíblia, Salmos, 82, versículo 6)

‘Vós sois a luz do mundo.......Brilhe do mesmo modo a vossa luz diante dos homens,.....’

(Evangelho, Mateus, Capítulo 5, versículos 14 e 16)

‘Onde está escrita a lei de Deus? Na consciência’

(Livro dos Espíritos, Pergunta e resposta à pergunta 621)



“Logion 20 - O Eu nunca nasceu nem jamais morrerá. E uma vez que existe, nunca deixará de existir. Sem nascimento, sem morte, imutável, eterno – sempre ele mesmo é o Eu, a alma.  Não é destruído com a destruição do corpo (matéria)  

(Livro Bhagavad Gita, Cap. 2, Senhor Krishna, tradução de Huberto Rodhen)



“Ninguém nasce, na Terra, na atualidade como sendo uma tela em branco, na qual se irão registrar futuros acontecimentos.  O Self não é um arquétipo-aptidão, mas o Espírito com as experiências iniciais e profundas de processos anteriores, nos quais desenvolveu os pródromos do Deus interno  nele vigente, face a sua procedência divina desde a sua criação.

(“Triunfo Pessoal” Cap. 4, “Realização Interior” Joanna de Ângelis)



“Responsável pela aquisição dos implementos orgânicos de que necessita para evoluir, o ser eterno plasma, em cada etapa a que se submete, os equipamentos hábeis para que desabrochem as faculdades que lhe são inerentes, oferecendo campo à sua finalidade.

(“Dias Gloriosos” “Sobrevivência e Intercâmbio”, pag.145, Joanna de Ângelis)



O questionamento que logo nos ocorre após termos, logicamente, concluído ser a criação do Espírito perfeita, é:

 Como é que esse ser perfeito, oriundo do Reino de Deus, se encontra hoje num mundo relativo onde o espaço e o tempo são suas fundamentais características, num estado de imensa imperfeição, requerendo um sem número de reencarnações para readquirir a perfeição perdida? 

Alguma escolha foi feita por esse Espírito perfeito, escolha essa que foi a responsável pelo seu ingresso nesse nosso mundo transitório.  A resposta à pergunta 132 do LE nos traz algum esclarecimento: 

Qual o objetivo da encarnação dos Espíritos? (LE, P. 132).

 “Deus lhes impõe a encarnação com o fim de fazê-los chegar à perfeição. ...... A encarnação tem ainda outra finalidade: a de pôr o Espírito em condições de cumprir sua parte na obra da Criação.”

Essa resposta é dada, a nós Espíritos, após termos escolhido sair do Reino de Deus.  A incógnita, portanto, ainda permanece. Se já éramos perfeitos o que teria acontecido para que tivéssemos optado por um caminho que nos levou  a perda de consciência da nossa perfeição.  O que podemos de imediato descartar é que essa opção, não foi devida a escolha pela imperfeição, porque naquele momento não tínhamos ainda dela conhecimento.  Existem explicações a respeito do assunto como a que nos é dada por Carlos Torres Pastorino no Capítulo “O Prólogo de Lucas” no volume 1 do seu livro “Sabedoria do Evangelho.  Jesus, por outro lado, nos deixou a Parábola do Filho Pródigo como fonte imperecível de conhecimento e que nos dá a linha de raciocínio que devemos seguir para entender as razões desse nosso afastamento vibracional de Deus e o processo de retorno à Casa do Pai.

Objeta-se, muitas vezes, à nossa criação perfeita, no Universo infinito, com  o argumento de que o Espírito não retrograda.  Esse assunto é abordado por  Kardec no livro “A Gênese”, Cap. XI, item 49, nos fornecendo os seguintes esclarecimentos que, por analogia, pode ser aplicados na presente situação:

“ À primeira vista, a ideia da decaída parece contradizer o princípio de que os espíritos não podem retroceder, porém, é preciso considerar que não se trata de um retorno ao mundo primitivo. O espírito, ainda que numa posição inferior, não perde nada do que adquiriu (grifo nosso); o seu desenvolvimento moral e intelectual é o mesmo, qualquer que seja o meio onde se encontre situado.”   

Se juntarmos a ideia da criação perfeita do Espírito, mais a Parábola do Filho Pródigo junto com o esclarecimento que Kardec nos deixou, temos a explicação do porque, sendo Espíritos perfeitos, nos encontramos num mundo onde a imperfeição impera.  Então;

Estamos nos redescobrindo e voltando para a Casa do Pai.

Alguém poderá se perguntar; Por que é importante o conhecimento e compreensão da nossa origem espiritual, sob esse novo ponto de vista?

Durante muito tempo, nascíamos como seres tisnados pelo pecado original e nos era dito que, quando morrêssemos iríamos ou para o Céu ou para o Inferno.  Quando a ideia da reencarnação começou a ser, melhor conhecida, a posição geralmente adotada era de que éramos seres devedores, com uma gama muito grande de pecados e dívidas à “pagar”. O sofrimento, na atual reencarnação era, então, considerado como resgate desses pecados e dívidas.  Deveríamos ser em consequência, resignados com a nossa situação, porque seriamos recompensados quando morrêssemos (desencarnassemos), pois iríamos para o Reino do Céu. Posteriormente, o entendimento sobre esse “resgate” evoluiu e passou-se a admitir que ele se estendia à várias outras reencarnações e que o Reino do Céu seria, então, alcançado, por nós Espíritos, após a total eliminação/transformação das nossas imperfeições.  Isso tudo porque se acreditava que teríamos sido criados por Deus simples e ignorantes.   Em consequência dessa interpretação, nossa autoestima erar muito baixa porque acreditávamos que nossa felicidade dependia dos outros e não de nós mesmos.

A nossa visão atual de que somos criação de Deus e que somos seus Filhos, portadores da Centelha Divina em nossa consciência, logo, portadores da Perfeição, imediatamente nos coloca na situação de entender que ninguém  poderá nos dar algo mais, porque Deus já nos deu, antecipadamente quando nos criou, tudo aquilo que poderíamos precisar.  Nada nos faltou receber.  Passamos a entender que a felicidade depende, exclusivamente, de cada um de nós. Tudo que precisamos, já está a nosso dispor em nossa consciência.  Compreendemos que não podemos mais culpar à Deus ou aos nossos semelhantes pelas nossas dificuldades, já que somos nós que as criamos.  Sem dúvida alguma, a presente abordagem nos trás uma responsabilidade muito grande porque, passamos a ser os únicos e verdadeiros dirigentes de nossa vida, bastando para isso seguir a Lei de Deus que está em nossa consciência. Em contrapartida sabemos que nada temos que procurar fora de nós. Isso nos dá uma alegria muito grande, pois sabemos que somos autosuficientes.  O Evangelho de Lucas em seu Capítulo 17, versículos 20-21, nos transmite o ensinamento de Jesus que confirma esse entendimento:

“O reino de Deus não vem com aparato exterior; não se pode dizer:

‘Ei-lo aqui ou acolá!

O reino de Deus está dentro de vós”

Essa é a diferença fundamental entre as duas abordagens, portanto, mãos á obra!

         

Francisco Fortes

Orig. 10/06/2007

10/06/2007

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