“A
ALMA DORME NA PEDRA, SONHA NO VEGETAL, AGITA-SE NO ANIMAL E ACORDA NO HOMEM.”
A
citação acima é atribuída à Léon Denis, embora não se tenha identificado o nome
da obra na qual a mesma teria sido registrada.
O estudioso espírita Francisco Aranda Gabilan, em um artigo publicado no
site www.infoespirito.com.br,
após minuciosa pesquisa, nos informa que Denis, provavelmente, incluiu a frase,
em uma de suas muitas palestras, baseando-se, para isso, nos versos - segundo o
“site” acima citado - de autoria de “Maulâna
Djlai ad-Din Rûmi, nascido no século 13 (Setembro de 1207), considerado um dos
maiores poetas de todos os tempos, comparado pelos críticos à Dante e Shakespeare;
filósofo e místico do Islã, deixou uma obra monumental (3229 odes e 34.662
dísticos; um conjunto de 26 mil versos de poemas espirituais), estudada e até
seguida por Hegel e Goethe, dentre outros.
Quanto ao estilo e escola,
era sufista, ou seja, representa a parte interior e mística do Islã, que
acredita que o espírito humano é emanação do divino e que toda a aventura do
homem é um só esforço ruidoso desse espírito para se reintegrar a Deus
(grifo nosso). Esse movimento –
sufismo – data do século VIII e se desenvolveu, sobretudo na Pérsia, o
sufi mantém a ideia islâmica da unidade divina, mas percebe que Deus engloba
tudo, penetra tudo, e descobre Deus no fundo de si próprio. (grifo
nosso)..... No livro “Poemas Místicos-Divan
de Shams de Tabriz” (tradução e seleção de José Jorge de Carvalho) lá está na
página 66, o poema “A Evolução da Forma”.
E parte dos esplendorosos (e espíritas) versos, assim:
Desde
que chegastes ao mundo do ser,
uma
escada foi posta diante de ti, para que escapasses.
Primeiro
foste mineral;
Depois,
te tornaste planta,
E
mais tarde, animal.
Como
pode ser isto segredo para ti?”.
(transcrição parcial do poema e do artigo acima
referido).
No
livro “Antologia dos Imortais”, 1ª edição FEB 1963, na página 33, através da
psicografia de Francisco Cândido Xavier encontramos o poema de Adelino da
Fontoura Chaves que aborda o mesmo assunto:
Fui
átomo, entre as forças do Espaço,
Devorando
amplidões, em longa e ansiosa espera ...
Partícula, pousei ... Encarcerado, eu era
Infusório
do mar em montões de sargaço.
Por
séculos fui planta em movimento escasso,
Sofri
no inverno rude e amei na primavera;
Depois,
fui animal, e no instinto da fera
Achei
a inteligência e avancei passo a passo ...
Guardei
por muito tempo a expressão dos gorilas,
Pondo
mais fé nas mãos e mais luz nas pupilas,
A
lutar e chorar para, então, compreendê-las! ...
Agora,
homem que sou, pelo Foro Divino,
Vivo
de corpo em corpo a forjar o destino
Que
me leve a traspor o clarão das estrelas! ...
Assim
a afirmação, feita de uma forma poética por Din Rûmi, no século 13, foi,
provavelmente, usada por Léon Denis em suas palestras nos séculos 19 e 20.
Emmanuel
em seu livro de mesmo nome, de 1938, no Capítulo XXV, quando abordando “A
Materia” confirma, de forma conexa, a interpretação de Rûmi e de Leon Denis, ou
seja, que a trajetória do Espirito pelos reinos Mineral, Vegetal e Animal faz
parte de sua caminhada de retorno à casa do Pai:
“A matéria não organiza, é organizada. (grifo
nosso) E não representa senão uma
modalidade da energia esparsa no Universo. Os seus elementos não fazem senão
submeter-se às injunções do Espírito; e é a soberana influência deste último
que elucida todos os problemas intrincados dos seres e dos destinos. É a seu
apelo, cedendo aos seus desejos, que todas as matérias brutas se vêm
rarefazendo, oferecendo aspectos novos e delicados.”
Hermínio
C. Miranda em seu livro “Alquimia da Mente”, em sintonia com Annie Besant, em
“Um Estudo sobre a Consciência”, nos transmite o seguinte:
“.... toda criação está,
mais do que ligada, contida no âmbito da consciência divina, dado que há uma
impossibilidade filosófica de existir alguma coisa que não tenha sido criada
pela Inteligência Suprema e que nela
exista (grifo nosso) e se movimente, como intuiu Paulo de Tarso. André Luiz compara a
humanidade a ‘peixes num oceano’ de energia cósmica luminosa. Isso nos leva à conclusão de que a conscientização progressiva (grifo
nosso) de que esses autores nos falam vai
ampliando gradativamente em cada um de nós a capacidade de acessar e expressar
a realidade cósmica. Acesso à consciência global todos têm, mas varia ao
infinito a capacidade de cada um manifestá-la do lado de cá da vida,
precisamente porque também diferem os níveis de compatibilidade da instrumentação
física de que cada um é dotado.
Ou seja, em cada fase ou etapa evolutiva estamos limitados, na expressão
da realidade maior, pela flexibilidade da instrumentação biológica que tenhamos
conseguido desenvolver até aquele ponto.” Na realidade Hermínio está falando do Espírito. André Luiz no Livro “Evolução em dois Mundos”,
Capítulo II, nos informa que o corpo físico reflete o corpo espiritual que, por
sua vez, retrata em si o corpo mental que em última análise é o Espírito.
Fica
claro pelas duas transcrições acima, que a matéria não tem vida própria. A vida
que ela aparenta ser dela é resultante da ação do Espírito que nela existe.
Entendendo que o Espírito é criação de Deus e portador da Centelha Divina, fica
confirmado que Deus está em cada um de nós e, todos nós, estamos Nele, diferentemente,
pois, do que muitos de nós pensamos. Quando observarmos qualquer matéria, ela
não é “um corpo material” nem “um
corpo material que tem um Espírito,” mas sim “ um Espírito que se apresenta com um corpo material”. Essa mudança no nosso modo de olhar a matéria
é fundamental em nosso processo evolutivo.
Quando, por exemplo, olhamos um transeunte na rua, normalmente, o vemos
como um estranho, de origem desconhecida e que não tem nada a ver conosco,
concluindo a partir daí que não temos nenhuma relação em comum e não temos que
nos preocupar com ele. Se mudarmos o
nosso pensamento e passarmos a olhá-lo como um Espírito que está revestido da
matéria, (que ele escolheu como necessária a sua caminhada), o entendimento que
teremos é que ele é nosso irmão por sermos todos filhos do mesmo Pai. Com essa
mudança, ficaremos em condições de começar a pensar no amar o próximo como a si mesmo. Enquanto não mudarmos o nosso
pensamento e o nosso modo de olhar, não poderemos nos considerar seguidores dos
ensinamentos de Jesus, já que não estamos ainda seguindo a Sua recomendação de
que devemos ter; Olhos de ver e ouvidos de ouvir.
As
informações acima nos confirmam que toda a matéria, sem exceção, tem vida porque
é o Espírito, que nela existe, que a dá. Outra consideração é que a ausência aparente de movimento na matéria,
não significa ausência de vida, existindo, portanto, matéria com
movimento e matéria aparentemente sem movimento. O aspecto de ser
orgânica ou inorgânica é irrelevante porque nela sempre estará presente e a
comandando, um Espirito. Passamos a entender, também, que nosso
Universo – onde o Tempo é a sua principal característica - foi criado pelo
Cristo, com o objetivo de dar a todos nós, Espíritos, a oportunidade de evoluir
e retornar à Casa do Pai. Os diferentes
estados da matéria são aqueles que são necessários à evolução dos Espíritos que
as habitam e dirigem, em cada momento. O
destino dessa matéria é, repetindo, dar ao Espírito a oportunidade de evoluir,
ao mesmo tempo em que lhe dá, também, a oportunidade de cumprir a sua função de
auxiliar de Deus no processo criativo de nosso Universo, conforme informações
fornecidas por André Luiz em seu livro “Evolução em dois Mundos”. Indispensável
é que se compreenda como uma verdade insofismável, o fato de que Deus está em tudo e que tudo está em Deus. Essa é uma afirmação milenar que nos foi
trazida por Hermes Trismegisto, que viveu no antigo Egito, 2700 anos antes de
Cristo. Como somos os seres inteligentes da criação e somos deuses, como nos
disse Jesus, essa presença de Deus em tudo, pode ser facilmente aceita, entendida
e comprovada quando damos a ela a interpretação de que essa presença se
manifesta através da nossa inteligência (Os Espíritos são os seres inteligentes da
Criação. LE 76). Como tudo o que
existe está impregnado de inteligência, e como ela é oriunda de Deus, Deus esta
em tudo, tanto nos mundos, que chamamos Espiritual e Material. Um entendimento
mais transcendental desse assunto nos leva a compreender que o Reino de Deus
(ou do Céu) é o universo eterno. O universo no qual vivemos é finito e
circunscrito a si mesmo e está inserido no universo eterno como se fosse uma
bolha. As características típicas desse universo/bolha (tempo e espaço) são
necessárias para que o Espirito possa retornar a ter consciência de sua
realidade e reúna as condições para retornar ao universo de origem. Esse
universo eterno não é físico, nele a matéria não existe, sua existência é
mental já que foi criado e é mantido pela mente de Deus. Nada está fora dele
porque o “fora” não existe já que TUDO foi criado por Deus.
Vejamos
então agora, algumas das experiências que o Espírito vivencia na matéria, nesse
universo/bolha, em seu processo de despertamento da consciência, em cada um dos
Reinos; Mineral, Vegetal e Animal referenciados por Rûmi e por Léon Denis na
famosa frase.
Reino Mineral: (Dorme)
Os
minerais como vimos, não são ausentes de vida e movimento em razão de sua
verdadeira natureza. Em nenhum momento pensamos que estamos manipulando matéria
espiritualizada. Aquele ser, nesta fase,
não tem iniciativa própria, está na situação de um observador que ali se
encontra para se recordar e compreender os processos básicos, de atração, aglutinação,
organização e transformação. O destino
dos minerais é servir, são usados juntamente, ou não, com outras matérias para
a constituição de outras mais complexas.
Minerais são o resultado da agregação de átomos. Átomos tem inteligência,
logo o mineral é inteligente porque tais átomos estão, por sua vez, comandados
pela inteligência de um ser espiritual que lhes é superior e que coordena todas
as suas ações. O exercício dessa inteligência, no entanto é limitada já que o
Mineral não pode ainda exercer seu livre-arbítrio. Possuem, no entanto Mente
Espiritual onde todas as suas experiências são arquivadas.
Reino Vegetal: (Sonha)
Tem
movimento e demonstram, através de seu comportamento, a ação do Espírito que os
dirige. Já aqui vemos neles o exercício aparente de sua inteligência na
preservação de sua vida (ex: a procura da luz, o afastamento de outros vegetais
com os quais não se afinizam etc.). Neles surge a capacidade de reprodução, de
transformação de outros componentes do mundo físico e são, de uma maneira
geral, fonte de alimento a outros componentes da criação. O registro de suas
experiências continua a ser feita na sua Mente Espiritual.
Reino Animal: (Agita-se)
O
veículo físico já se encontra num estado de complexidade e desenvolvimento
muito maiores, consequência da condição mais avançada do Espírito. Sua
ferramenta física é mais complexa, tendo absorvido dos reinos Mineral e Vegetal,
conhecimentos e informações que lhe ajudam nesta nova fase. Já tendo adquirido
a compreensão dos processos de atração, aglutinação, organização, transformação
e sensibilidade, demonstra nesta fase o desenvolvimento dos instintos e de um
raciocínio não contínuo. O registro dessas experiências continua a ser
realizado pela sua Mente Espiritual.
Reino Hominal: (Acorda)
Chega
o Espírito, a esta fase, com o desenvolvimento completo da capacidade de
exercer o seu livre arbítrio. Suas
capacidades de pensar, olhar, comunicar, sentir, avaliar e decidir já estão
plenamente desenvolvidas. Nada lhe é
imposto a não ser as consequências de suas próprias ações. A capacidade de captar influências
espirituais, boas ou más, está também presente.
O desafio do Espírito encarnado no Reino Hominal é tomar consciência de
quem ele realmente é. Nas fases
anteriores a Lei o colocou em condições de rememoração compulsória de parte de
sua realidade espiritual. O Espirito arquivou, todas as experiências passadas,
na Mente Espiritual para que pudesse, quando chegado à fase de Homem, contar
com todas as ferramentas necessárias à sua conscientização, através do Livre
Arbítrio, de que é filho de Deus.
Resumo:
Se
entendermos que:
-
Deus é a inteligência suprema e causa primária de todas as coisas,
-
Que Deus é Onisciente e Perfeito,
-
Que toda criação de Deus só pode ser Perfeita,
-
Que o Espírito criado por Deus é Perfeito,
-
Que a palavra Perfeição é sinônima de “Centelha Divina”, e é parte integrante
do Espírito quando de sua criação por Deus.
-
Que o Espírito que transita pelo nosso mundo, através de diferentes vestimentas
físicas, é Perfeito, embora tenha perdido a consciência plena dessa Perfeição.
Sua permanência nesse mundo de três dimensões tem por objetivo fazê-lo recordar
dessa realidade espiritual.
-
Não há nada que o Espírito possa encontrar fora de si mesmo. Tudo já está em si,
contido na Centelha divina. Por isso, seu objetivo é descobrir esse tesouro
através do autoconhecimento.
Com
o entendimento acima a frase:
“A ALMA DORME NA PEDRA, SONHA NO VEGETAL,
AGITA-SE NO ANIMAL E ACORDA NO HOMEM.”
é
facilmente compreendida.
Francisco
Fortes
25/07/2014
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