terça-feira, 2 de junho de 2015

A ALMA DORME NA PEDRA ..........


“A ALMA DORME NA PEDRA, SONHA NO VEGETAL, AGITA-SE NO ANIMAL E ACORDA NO HOMEM.”

 

 

 

A citação acima é atribuída à Léon Denis, embora não se tenha identificado o nome da obra na qual a mesma teria sido registrada.  O estudioso espírita Francisco Aranda Gabilan, em um artigo publicado no site www.infoespirito.com.br, após minuciosa pesquisa, nos informa que Denis, provavelmente, incluiu a frase, em uma de suas muitas palestras, baseando-se, para isso, nos versos - segundo o “site” acima citado - de autoria de “Maulâna Djlai ad-Din Rûmi, nascido no século 13 (Setembro de 1207), considerado um dos maiores poetas de todos os tempos, comparado pelos críticos à Dante e Shakespeare; filósofo e místico do Islã, deixou uma obra monumental (3229 odes e 34.662 dísticos; um conjunto de 26 mil versos de poemas espirituais), estudada e até seguida por Hegel e Goethe, dentre outros.

Quanto ao estilo e escola, era sufista, ou seja, representa a parte interior e mística do Islã, que acredita que o espírito humano é emanação do divino e que toda a aventura do homem é um só esforço ruidoso desse espírito para se reintegrar a Deus (grifo nosso). Esse movimento – sufismo – data do século VIII e se desenvolveu, sobretudo na Pérsia,  o sufi mantém a ideia islâmica da unidade divina, mas percebe que Deus engloba tudo, penetra tudo, e descobre Deus no fundo de si próprio. (grifo nosso)..... No livro “Poemas Místicos-Divan de Shams de Tabriz” (tradução e seleção de José Jorge de Carvalho) lá está na página 66, o poema “A Evolução da Forma”.  E parte dos esplendorosos (e espíritas) versos, assim:

 

Desde que chegastes ao mundo do ser,

uma escada foi posta diante de ti, para que escapasses.

Primeiro foste mineral;

Depois, te tornaste planta,

E mais tarde, animal.

Como pode ser isto segredo para ti?”.

(transcrição parcial do poema e do artigo acima referido).

 

No livro “Antologia dos Imortais”, 1ª edição FEB 1963, na página 33, através da psicografia de Francisco Cândido Xavier encontramos o poema de Adelino da Fontoura Chaves que aborda o mesmo assunto:

 

 

Fui átomo, entre as forças do Espaço,

Devorando amplidões, em longa e ansiosa espera ...

Partícula,  pousei ... Encarcerado, eu era

Infusório do mar em montões de sargaço.

 

Por séculos fui planta em movimento escasso,

Sofri no inverno rude e amei na primavera;

Depois, fui animal, e no instinto da fera

Achei a inteligência e avancei passo a passo ...

 

Guardei por muito tempo a expressão dos gorilas,

Pondo mais fé nas mãos e mais luz nas pupilas,

A lutar e chorar para, então, compreendê-las! ...

 

Agora, homem que sou, pelo Foro Divino,

Vivo de corpo em corpo a forjar o destino

Que me leve a traspor o clarão das estrelas! ...

 

Assim a afirmação, feita de uma forma poética por Din Rûmi, no século 13, foi, provavelmente, usada por Léon Denis em suas palestras nos séculos 19 e 20.

 

Emmanuel em seu livro de mesmo nome, de 1938, no Capítulo XXV, quando abordando “A Materia” confirma, de forma conexa, a interpretação de Rûmi e de Leon Denis, ou seja, que a trajetória do Espirito pelos reinos Mineral, Vegetal e Animal faz parte de sua caminhada de retorno à casa do Pai:

 

A matéria não organiza, é organizada. (grifo nosso) E não representa senão uma modalidade da energia esparsa no Universo. Os seus elementos não fazem senão submeter-se às injunções do Espírito; e é a soberana influência deste último que elucida todos os problemas intrincados dos seres e dos destinos. É a seu apelo, cedendo aos seus desejos, que todas as matérias brutas se vêm rarefazendo, oferecendo aspectos novos e delicados.”

 

Hermínio C. Miranda em seu livro “Alquimia da Mente”, em sintonia com Annie Besant, em “Um Estudo sobre a Consciência”, nos transmite o seguinte:

“.... toda criação está, mais do que ligada, contida no âmbito da consciência divina, dado que há uma impossibilidade filosófica de existir alguma coisa que não tenha sido criada pela Inteligência Suprema e que nela exista (grifo nosso) e se movimente, como intuiu Paulo de Tarso. André Luiz compara a humanidade a ‘peixes num oceano’ de energia cósmica luminosa.  Isso nos leva à conclusão de que a conscientização progressiva (grifo nosso) de que esses autores nos falam vai ampliando gradativamente em cada um de nós a capacidade de acessar e expressar a realidade cósmica. Acesso à consciência global todos têm, mas varia ao infinito a capacidade de cada um manifestá-la do lado de cá da vida, precisamente porque também diferem os níveis de compatibilidade da instrumentação física de que cada um  é dotado.  Ou seja, em cada fase ou etapa evolutiva estamos limitados, na expressão da realidade maior, pela flexibilidade da instrumentação biológica que tenhamos conseguido desenvolver até aquele ponto.”  Na realidade Hermínio está falando do Espírito.  André Luiz no Livro “Evolução em dois Mundos”, Capítulo II, nos informa que o corpo físico reflete o corpo espiritual que, por sua vez, retrata em si o corpo mental que em última análise é o Espírito.   

 

Fica claro pelas duas transcrições acima, que a matéria não tem vida própria. A vida que ela aparenta ser dela é resultante da ação do Espírito que nela existe. Entendendo que o Espírito é criação de Deus e portador da Centelha Divina, fica confirmado que Deus está em cada um de nós e, todos nós, estamos Nele, diferentemente, pois, do que muitos de nós pensamos. Quando observarmos qualquer matéria, ela não é  “um corpo material” nem “um corpo material que tem um Espírito,” mas sim “ um Espírito que se apresenta com um corpo material”.  Essa mudança no nosso modo de olhar a matéria é fundamental em nosso processo evolutivo.  Quando, por exemplo, olhamos um transeunte na rua, normalmente, o vemos como um estranho, de origem desconhecida e que não tem nada a ver conosco, concluindo a partir daí que não temos nenhuma relação em comum e não temos que nos preocupar com ele.  Se mudarmos o nosso pensamento e passarmos a olhá-lo como um Espírito que está revestido da matéria, (que ele escolheu como necessária a sua caminhada), o entendimento que teremos é que ele é nosso irmão por sermos todos filhos do mesmo Pai. Com essa mudança, ficaremos em condições de começar a pensar no amar o próximo como a si mesmo. Enquanto não mudarmos o nosso pensamento e o nosso modo de olhar, não poderemos nos considerar seguidores dos ensinamentos de Jesus, já que não estamos ainda seguindo a Sua recomendação de que devemos ter; Olhos de ver e ouvidos de ouvir.

 

As informações acima nos confirmam que toda a matéria, sem exceção, tem vida porque é o Espírito, que nela existe, que a dá. Outra consideração é que a ausência aparente de movimento na matéria, não significa ausência de vida, existindo, portanto, matéria com movimento e matéria aparentemente sem movimento. O aspecto de ser orgânica ou inorgânica é irrelevante porque nela sempre estará presente e a comandando, um Espirito.  Passamos a entender, também, que nosso Universo – onde o Tempo é a sua principal característica - foi criado pelo Cristo, com o objetivo de dar a todos nós, Espíritos, a oportunidade de evoluir e retornar à Casa do Pai.  Os diferentes estados da matéria são aqueles que são necessários à evolução dos Espíritos que as habitam e dirigem, em cada momento.  O destino dessa matéria é, repetindo, dar ao Espírito a oportunidade de evoluir, ao mesmo tempo em que lhe dá, também, a oportunidade de cumprir a sua função de auxiliar de Deus no processo criativo de nosso Universo, conforme informações fornecidas por André Luiz em seu livro “Evolução em dois Mundos”. Indispensável é que se compreenda como uma verdade insofismável, o fato de que Deus está em tudo e que tudo está em Deus.  Essa é uma afirmação milenar que nos foi trazida por Hermes Trismegisto, que viveu no antigo Egito, 2700 anos antes de Cristo. Como somos os seres inteligentes da criação e somos deuses, como nos disse Jesus, essa presença de Deus em tudo, pode ser facilmente aceita, entendida e comprovada quando damos a ela a interpretação de que essa presença se manifesta através da nossa inteligência (Os Espíritos são os seres inteligentes da Criação. LE 76).  Como tudo o que existe está impregnado de inteligência, e como ela é oriunda de Deus, Deus esta em tudo, tanto nos mundos, que chamamos Espiritual e Material. Um entendimento mais transcendental desse assunto nos leva a compreender que o Reino de Deus (ou do Céu) é o universo eterno. O universo no qual vivemos é finito e circunscrito a si mesmo e está inserido no universo eterno como se fosse uma bolha. As características típicas desse universo/bolha (tempo e espaço) são necessárias para que o Espirito possa retornar a ter consciência de sua realidade e reúna as condições para retornar ao universo de origem. Esse universo eterno não é físico, nele a matéria não existe, sua existência é mental já que foi criado e é mantido pela mente de Deus. Nada está fora dele porque o “fora” não existe já que TUDO foi criado por Deus.  

Vejamos então agora, algumas das experiências que o Espírito vivencia na matéria, nesse universo/bolha, em seu processo de despertamento da consciência, em cada um dos Reinos; Mineral, Vegetal e Animal referenciados por Rûmi e por Léon Denis na famosa frase.

 

Reino Mineral: (Dorme)

Os minerais como vimos, não são ausentes de vida e movimento em razão de sua verdadeira natureza. Em nenhum momento pensamos que estamos manipulando matéria espiritualizada.  Aquele ser, nesta fase, não tem iniciativa própria, está na situação de um observador que ali se encontra para se recordar e compreender os processos básicos, de atração, aglutinação, organização e transformação.  O destino dos minerais é servir, são usados juntamente, ou não, com outras matérias para a constituição de outras mais complexas.  Minerais são o resultado da agregação de átomos. Átomos tem inteligência, logo o mineral é inteligente porque tais átomos estão, por sua vez, comandados pela inteligência de um ser espiritual que lhes é superior e que coordena todas as suas ações. O exercício dessa inteligência, no entanto é limitada já que o Mineral não pode ainda exercer seu livre-arbítrio. Possuem, no entanto Mente Espiritual onde todas as suas experiências são arquivadas.

 

Reino Vegetal: (Sonha)

Tem movimento e demonstram, através de seu comportamento, a ação do Espírito que os dirige. Já aqui vemos neles o exercício aparente de sua inteligência na preservação de sua vida (ex: a procura da luz, o afastamento de outros vegetais com os quais não se afinizam etc.). Neles surge a capacidade de reprodução, de transformação de outros componentes do mundo físico e são, de uma maneira geral, fonte de alimento a outros componentes da criação. O registro de suas experiências continua a ser feita na sua Mente Espiritual.

 

Reino Animal: (Agita-se)

O veículo físico já se encontra num estado de complexidade e desenvolvimento muito maiores, consequência da condição mais avançada do Espírito. Sua ferramenta física é mais complexa, tendo absorvido dos reinos Mineral e Vegetal, conhecimentos e informações que lhe ajudam nesta nova fase. Já tendo adquirido a compreensão dos processos de atração, aglutinação, organização, transformação e sensibilidade, demonstra nesta fase o desenvolvimento dos instintos e de um raciocínio não contínuo. O registro dessas experiências continua a ser realizado pela sua Mente Espiritual.

 

Reino Hominal: (Acorda)

Chega o Espírito, a esta fase, com o desenvolvimento completo da capacidade de exercer o seu livre arbítrio.  Suas capacidades de pensar, olhar, comunicar, sentir, avaliar e decidir já estão plenamente desenvolvidas.  Nada lhe é imposto a não ser as consequências de suas próprias ações.  A capacidade de captar influências espirituais, boas ou más, está também presente.  O desafio do Espírito encarnado no Reino Hominal é tomar consciência de quem ele realmente é.  Nas fases anteriores a Lei o colocou em condições de rememoração compulsória de parte de sua realidade espiritual. O Espirito arquivou, todas as experiências passadas, na Mente Espiritual para que pudesse, quando chegado à fase de Homem, contar com todas as ferramentas necessárias à sua conscientização, através do Livre Arbítrio, de que é filho de Deus.

 

Resumo:

Se entendermos que:

- Deus é a inteligência suprema e causa primária de todas as coisas,

- Que Deus é Onisciente e Perfeito,

- Que toda criação de Deus só pode ser Perfeita,

- Que o Espírito criado por Deus é Perfeito,

- Que a palavra Perfeição é sinônima de “Centelha Divina”, e é parte integrante do Espírito quando de sua criação por Deus.

- Que o Espírito que transita pelo nosso mundo, através de diferentes vestimentas físicas, é Perfeito, embora tenha perdido a consciência plena dessa Perfeição. Sua permanência nesse mundo de três dimensões tem por objetivo fazê-lo recordar dessa realidade espiritual.

- Não há nada que o Espírito possa encontrar fora de si mesmo. Tudo já está em si, contido na Centelha divina. Por isso, seu objetivo é descobrir esse tesouro através do autoconhecimento.

Com o entendimento acima a frase:

 “A ALMA DORME NA PEDRA, SONHA NO VEGETAL, AGITA-SE NO ANIMAL E ACORDA NO HOMEM.”

é facilmente compreendida.

 

 

Francisco Fortes

25/07/2014        

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